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BragançaPaulista18 Jan 2018


Colunistas


As escolas centrais e o problema da mobilidade
Sábado,  15 JUL 2017
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 No calendário escolar, no mês de julho há as férias escolares. Essas férias se estendem às vizinhanças das escolas, que se veem livres do caos que se transformam a entrada e saída dos alunos.

Além das vans, inúmeros pais buscam seus filhos com carro próprio, estacionam em local proibido, defronte garagens, sobre as calçadas e, para complicar, muitas mães motoristas ficam uns bons minutos na conversa com outras mães motoristas, esquecendo-se de que seus carros estão atravancando o trânsito local e pondo em risco a vida de pedestres.

Referimo-nos em especial à Escola Municipal “Dr. Jorge Tibiriçá”, localizada nas proximidades das praças centrais. Será que o secretário municipal de Mobilidade Urbana já tomou conhecimento desse fato? Dois outros secretários municipais poderão auxiliá-lo: o secretário municipal de Trânsito e Segurança e o secretário municipal de Educação, que têm nas suas mãos a solução.

SOLUÇÕES EXISTEM, BASTA ADOTÁ-LAS


Pois é, nós que já trabalhamos na área da Educação, propomos ao Secretário Municipal de Educação que verifique os locais de residência dos alunos da citada escola e os encaminhe às escolas dos seus bairros.

Não há nenhum impeditivo legal, estará tão somente cumprindo a setorização e racionalização da Rede Física Municipal. E mais uma vez fazemos uso da célebre frase do grande e inesquecível governador Franco Montoro: “TEMOS QUE LEVAR A ESCOLA ATÉ O ALUNO E NÃO O ALUNO ATÉ A ESCOLA”. Isso quer dizer que devemos diminuir o transporte escolar, evitando a exposição dos alunos aos perigos do trânsito e oferecendo a eles vagas nas escolas públicas da sua comunidade, ou se necessário construir prédios escolares para o atendimento local.

Acreditamos que a Rede Física Municipal segue o modelo da Rede Física Estadual: trabalha-se o ano todo em termos de levantamento, pesquisas quanto à mobilidade dos alunos, a instalação de novos núcleos habitacionais que por vezes demandam a construção de prédios escolares ou uma nova setorização da clientela escolar. No momento da atribuição de classes e aulas, os pais e muitos professores não avaliam o trabalho que embasou toda a montagem das escolas.

É UMA QUESTÃO DE RACIONALIZAÇÃO. É PENSAR GRANDE

Mais um “Pois é”. Com essa setorização que significa racionalização da Rede Física Escolar, poderá acontecer a desativação de prédios escolares, que será sempre bem vinda, em especial aqui na nossa Bragança, em que a Secretaria Municipal de Educação não tem sede própria, paga aluguel.

No momento a escola que indicamos para essa desativação é a Escola Municipal “Dr.Jorge Tibiriçá”, que pela movimentação de vans e carros recebe alunos de diferentes bairros, visto que o centro tornou-se comercial. Existem exemplos dessa situação e nós vamos para o mais importante: a transferência da antiga Escola Normal “Caetano de Campos”, localizada na Praça da República, em São Paulo.

Lá o Centro, como aqui, tornou-se comercial, os alunos deixaram de existir. Construiu-se um excelente prédio escolar no Bairro Aclimação e transferiu-se a tradicional escola para esse novo prédio, preservando o seu patronímico. No antigo prédio, de construção aprimorada, com mármores e gradis artisticamente trabalhados, instalou-se a SECRETARIA DE ESTADO DA EDUCAÇÃO.

Aqui na nossa Bragança podemos ter a SECRETARIA MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO instalada num prédio histórico, muito bem localizado, com excelentes dependências para acolher bem o seu quadro administrativo, os docentes, outras “autoridades” e até os visitantes. Bem, o atual Secretário Municipal de Educação é oriundo da Rede Estadual de Educação, essa proposta para ele não deve ser novidade. Será que no próximo ano teremos essa proposta concretizada? Ou continuaremos como “d’antes”?

Ampliando prédios escolares como se fossem colchas de retalho, sem pensar nas consequências. Pois é, às vezes amplia e depois derruba, como aconteceu na Escola “José Guilherme”, antigo Grupo Escolar, com diminuta área livre. Que falta faz um planejamento bem elaborado!

TEMOS QUE ACOMPANHAR AS MUDANÇAS


Nós entendemos que há urgente necessidade de uma ‘nova’ reestruturação da Rede Física Municipal, em conjunto com a Rede Física Estadual, para que se dê um melhor atendimento aos alunos, aos pais e à comunidade. Não se deve esquecer da Rede Física Rural. Os alunos rurais têm os mesmos direitos dos alunos urbanos.

Devem contar com escolas completas, em período integral, onde se trabalha com o enriquecimento curricular. A escola rural não pode ser um instrumento de êxodo rural, onde a professora, quase sempre despreparada, tem uma fala agressiva diante dos alunos: se está sol reclama do calor, da poeira da estrada; se está chovendo reclama do barro que estragou o seu sapato, que encalhou o seu carro.

Ela se esquece de que esse é o “habitat” natural de quem mora no campo, que agradece a Deus pela chuva dadivosa que faz brotar as sementes e agradece ao tempo seco para poder transportar a sua produção agrícola.

Com esse discurso enviesado, a professora só falta falar que a zona rural é horrível, está ali na condição de itinerante, à espera de uma vaga na escola da “cidade”. É culpa dela? Não. Não foi preparada. A escola é também um dos meios que leva à descaracterização da zona rural. Os meios e costumes vêm sendo engolidos pela “cultura” urbana. É um quadro irreversível.

ÀS VEZES, UMA LUZ NO FUNDO DO TÚNEL


Ficamos contentes quando ouvimos o prefeito Jesus falar que vai elaborar um projeto para o Posto, que era de Monta. A nossa alegria mistura-se com certa preocupação: será que o produtor rural vai ter o seu espaço de atendimento, de informação, de resgate da cultura campesina? Será que teremos ali uma réplica do casarão das fazendas para que os urbanos se familiarizem com o “modus vivendi” da zona rural.

Há urbanos, em especial os jovens e crianças, que nunca viram ao vivo animais não domésticos. Tomara que esse projeto seja muito bem planejado e que venha a transformar o Posto de Monta num ponto turístico, onde se prioriza o resgate da cultura do campo.

OBSERVAÇÕES QUE SE FAZEM NECESSÁRIAS


Bem, por enquanto ainda não chegamos ao estágio de abandonarmos os prédios escolares e darmos aula embaixo de árvores (previsão de filósofos). Por isso, continuamos a priorizar os prédios escolares, embora não consigamos entender a arquitetura de muitos, como é o caso do prédio construído no Jd. São Miguel para abrigar o IFESP – Instituto Federal de Educação São Paulo. É um prédio construído num terreno íngreme, com vários andares, de manutenção cara e por certo sem a possibilidade de se tornar ali um “campus universitário”.

Quem doou o terreno? Quem aceitou? Quem fez a planta para construção? Olhando de longe, parece um prédio comercial, e não se pode imaginar que aquele “elefante branco” seja uma escola.

Educação é assunto sério. Nas mãos de “leigos institucionais”, produzem-se bobagens.

A C O R D A B R A G A N Ç A ! ! !