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BragançaPaulista17 Jan 2018


Colunistas


Cume, pico ou topo
Sábado,  08 JUL 2017
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 Uma empresa de RH publicou nesta semana uma mensagem sobre crescimento na carreira profissional, fazendo referência à queda de Rogério Ceni. Mito enquanto goleiro, sua primeira empreitada como treinador resultou em mico.

Pode ter assumido desafio maior do que aquele que é compatível com o preparo de iniciante na arte de treinar uma grande equipe. Alguns acharam grosseira essa referência, mas ela apresenta importante alerta para aqueles que desejam o lugar mais alto do pódio, seja numa atividade esportiva, pessoal, profissional ou empresarial.

É bom e necessário que as pessoas desejem alcançar o cume, o pico ou o topo em sua área de atuação. Contudo ninguém chega lá com um só passo. É necessário desejar, visualizar, preparar-se, fazer tentativas, buscar ajuda ou orientação.

Sobretudo é necessário fazer um planejamento detalhado, agrupar os recursos necessários, ser arrojado sem arriscar em demasia. Ao dar um passo adiante, é necessário ter presente como daria alguns passos atrás, se necessários. Às vezes, convém escolher caminhos mais longos, demorados, porém mais seguros.

A história tem muitos eventos de alpinistas renomados que sofreram graves acidentes, rolaram morro abaixo, ficando soterrados sob neve ou escondidos em penhascos. O topo não é para muitos. Quem chega lá, na maioria das vezes, junto com o sabor da vitória, experimenta a solidão. Para compartilhar é necessário descer até o ponto em que se encontram pessoas da equipe, familiares e torcedores.

Todo dia, cada vez mais com frequência, vemos pessoas que ocupam altos cargos na vida pública ou em empresas acordarem em camas grandes, quentes, bem forradas de lençóis e cobertores, e dormirem numa pedra fria da Polícia Federal ou de tristemente renomados presídios. Trata-se de uma queda brutal dos palácios para o presídio, das honrarias para a vergonha de parentes, amigos e correligionários.

De forma quase inédita, paradoxalmente, estão caindo aqueles que conseguiram postos mais altos na esfera do poder. Quanto mais alto o topo alcançado imprudentemente, mais espetacular o tombo, a rolagem morro abaixo.

Trazendo essa reflexão para o nosso dia a dia, é importante dizer que é bom ter metas altas, desafiadoras e significativas nos estudos, no trabalho, na especialização profissional, na empresa, na política e na igreja. Embora esta seja lugar de serviço ao próximo em nome de Deus, não poucos buscam pequenos topos de poder disponíveis em sua estrutura.

É necessário desenhar as metas com todos os detalhes possíveis. Estabelecer um plano de crescimento, teste e amadurecimento, assim como fez Rogério Ceni enquanto goleiro. Foram anos de intensos treinos, muita dedicação, vitórias e, também, apesar de todo preparo, não poucas derrotas.

É bom lembrar que aqueles que alcançam lugares mais altos do que a média dos seus amigos, colegas e parentes, experimentam uma dose alta de solidão. Muitos alcançam importantes realizações artísticas, esportivas, empresariais, políticas ...mas não são felizes. Vivem uma vida vazia, têm dificuldades em manter a harmonia familiar, não veem os filhos crescerem.

Nunca valeu a pena, cada vez mais vale menos a pena, chegar ao topo passando a perna em outros, utilizando-se de recursos que não pertencem àquele que busca o cume. Vale mais uma vida honesta e compartilhada. O topo alcançado às pressas e a qualquer custo pode se tornar insustentável, com enorme prejuízo emocional ou material para o próprio alpinista.