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BragançaPaulista16 Jan 2018


Colunistas


O tempo passa
Sábado,  01 JUL 2017
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 Muita gente tem hoje a sensação de que o tempo passa cada vez mais depressa. As semanas voam, os meses desaparecem, logo as festas de fim de ano estão aí de novo. Será que o tempo corre de igual forma para todos?

Fiori Gigliotti, saudoso locutor esportivo, repetia em suas transmissões: “o tempo passa, torcida brasileira”. Os torcedores cujo time estava ganhando esfregavam as mãos para que o tempo passasse ainda mais depressa, garantindo-lhes o sabor da vitória. Os torcedores cujo time estava perdendo tentavam então a todo custo segurar o tempo, para que fosse ainda possível o empate e, quem sabe, a vitória. O mesmo tempo corria diferente para pessoas que acompanhavam um mesmo jogo de 90 minutos.

A questão da compreensão do tempo é antiga. Lá no século V, Agostinho de Hipona, doutor da Igreja, fundador da Ordem de Santo Agostinho, já se perguntava: “O que é o tempo? Quando quero explicá-lo não acho explicação. Se o passado é o que eu, do presente, lembro, e o futuro é o que eu, do presente, antecipo, não seria mais certo dizer que o tempo é só o presente? Mas quanto dura o presente?”

Inexplicavelmente, todos nós procuramos diferentes formas de passatempo: ouvimos música, vemos TV, acessamos mídias sociais, passeamos, viajamos, vamos ao cinema ou ao teatro. Fazemos investimentos para que o tempo passe. Passar para que, se por instinto de sobrevivência queremos ainda continuar durante muitos anos a vida terrena limitada pelo tempo? Inclusive as pessoas mais espiritualizadas têm pouca pressa em experimentar as delícias de uma nova vida na eternidade.

O tempo não corre para quem está enfermo ou para aquele que acompanha um ente querido que se encontra internado num hospital. O tempo anda para trás quando uma mãe, durante uma noite inteira, cuida de uma criança que chora sem parar. O tempo fica estacionado para alguém aposentado que fica todo o dia em casa, sem alternativas de coisas para fazer ou de pessoas com quem conversar. Hoje existem muitos profissionais que trabalham como vigias. Imagino que uma noite de plantão, às vezes de 12 horas, seja algo quase sem fim.

Aqueles que estão empregados nos dias atuais, não raramente, estão sobrecarregados. Falta-lhes tempo, sobram tarefas a serem realizadas. O trabalhador autônomo, que precisa sempre procurar novos trabalhos, tem séria dificuldade com a passagem do tempo: se não tem algo para fazer já na segunda-feira, tem a sensação de que a semana passará sem que consiga trabalho e a tão esperada renda. Aquele que espera o celular tocar com o convite de uma entrevista de novo emprego vive acessando o registro de mensagens dezenas de vezes ao logo do dia.

Relacionar-se bem com o tempo não é coisa fácil. Muitos de nós vivemos ansiosos, querendo que as coisas aconteçam antes da hora. Muitos de nós vivemos estressados, querendo fazer tudo ao mesmo tempo. Ou adiamos tudo para amanhã, sem a certeza de que o mesmo existirá para nós. Como a própria vida, o tempo é um precioso dom, precisamos cuidar bem dele. Do passado convém levar conosco a memória dos bons acontecimentos.

Para o futuro é importante ter planos bem delineados. Decisivo de verdade é viver plenamente o presente. Este é o momento de viver, realizar, sonhar e planejar acontecimentos decisivos para uma vida plena e feliz. Por que esperar o amanhã?