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BragançaPaulista17 Jan 2018


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A saída dos EUA do Acordo de Paris: o que temos a ver com isso?
Terça-Feira,  20 JUN 2017
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 Desde a Conferência da Organização das Nações Unidas de Estocolmo, em 1972, a atenção a questões relacionadas ao meio ambiente ganhou notoriedade no mundo. A partir de então observou-se a escalada de abordagem cada vez mais integrada dos desafios ambientais, que se tornou agenda de vários países.

Entre os desafios mais polêmicos está a questão das mudanças climáticas. Do ponto de vista das teorias vigentes, a redução de emissões de gases de efeito estuda (GEE) é fundamental para a tentativa de frear alterações mais radicais nos padrões climáticos atuais.

A emissão de GEE em grande parte está atrelada ao desmatamento, transporte (queima de combustíveis fósseis), pecuária, termelétricas e processos industriais. O assunto provoca preocupações econômicas graves: há pelo menos 3 anos que o Fórum Econômico Mundial, ao discutir os maiores riscos da economia mundial, listam as alterações climáticas entre os dez maiores riscos à economia mundial. As mudanças climáticas afetarão e alterarão radicalmente áreas de criação e cultivo.

No Brasil, alguns dos cenários projetados, lançam previsão de perda de áreas tradicionais de plantio de determinadas culturas acima de 30% até 2050. Grande parte das commodities agrícolas sofrerá forte impacto, gerando efeitos cascata em toda economia mundial.

Neste cenário, os Estados Unidos, ao anunciar neste mês de junho de 2017 o cumprimento de promessa de campanha de saída do Acordo de Paris, lançam um recado pouco animador: “América para os americanos”, colocando a economia norte-americana à frente da demanda de controle de emissões de GEE, sem considerar o que isso significa para o resto do mundo (e para si próprio).

A saída dos Estados Unidos do acordo de Paris foi condenada até mesmo por empresas do setor de petróleo e lideranças empresariais globais de peso, como Google e Apple.

Hoje um americano médio emite cerca de 20 toneladas de GEE ao ano, enquanto um indiano médio emite cerca de 2 toneladas ao ano. Para tentar alcançar um equilíbrio nas equações que buscam frear as mudanças climáticas, em 2050, toda população deveria emitir a média de 2 toneladas/ano de GEE.

O incentivo a padrões de consumo e modo de vida norte-americano ampliado, num mundo cada vez mais globalizado, tende a agravar o cenário frágil das emissões de gases de efeito estufa. Nós, países emergentes, pagaremos a conta mais alta, principalmente porque não desenvolvemos educação, tampouco tecnologias para enfrentamento das mudanças que virão, em nenhum setor da economia e da sociedade.

É hora de pensarmos nisto seriamente, é tempo de criarmos resiliência em escala local.  

PATRICIA MARTINELLI, GEÓGRAFA, COLABORADORA DO COLETIVO SOCIOAMBIENTAL BRAGANÇA