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BragançaPaulista18 Jan 2018


Colunistas


Vai e vem
Sábado,  17 JUN 2017
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 Encontrei nesta semana um amigo que não via há anos. Soube então que seus filhos, bem jovens, na faixa de 17 a 24 anos, estão distribuídos pelo mundo. São quatro filhos, em quatro países: Santa Catarina (Brasil), Estados Unidos, China e Austrália. Definitivamente, o mundo ficou pequeno, os lugares mais distantes facilmente acessíveis. Fiquei me perguntando: o que procuram esses jovens tão longe de casa? Não estariam procurando algo que está dentro de si mesmos?

Conversando um pouco mais, fiquei sabendo que uma das meninas já esteve em vários países. Vai e volta. Destaca-se em todos os ambientes em que se coloca, mas não se fixa em nenhum deles. Parece imperiosa a necessidade de ir, descobrir sempre novas paragens. Dá a impressão que nenhum lugar lhe é aconchegante, capaz de preencher o vazio mais profundo do seu ser.

Historicamente, o Brasil sempre recebeu levas inteiras de imigrantes. Assim foi com italianos e alemães que tanto influenciaram a cultura do sul do país. Da mesma forma, com italianos, portugueses, espanhóis, japoneses, sírios, libaneses e outras nacionalidades que marcam ainda hoje forte presença em São Paulo e outros estados. Vieram sempre em grupos, fugindo de situações difíceis ou de guerras em seus países de origem. Chegaram dispostos a trabalhar muito, no início, sem escolher muito o que fazer.

Trabalharam na roça, em restaurantes, como lavadores de pratos, na construção civil ou indústrias. Perseverando, muitas vezes com a ajuda de patrícios, foram iniciando negócios próprios, não poucos se tornaram empresários, gerando riquezas para o Brasil e empregos para brasileiros.

Vieram para ficar, para trabalhar e para vencer. A maioria nem regressou à terra natal para uma simples visita. Para que se tenha uma ideia, padres italianos como os do PIME, que construíram a Paróquia de Santa Terezinha, e os espanhóis que trabalharam no Colégio São Luiz e depois no Seminário Santo Agostinho, passaram mais de trinta anos sem regressar à sua terra natal. Depois começaram a ir a cada 4 anos para rever parentes e matar saudades de seu país.

A migração não é coisa simples. Com o passar do tempo, estando fora sente saudades das coisas e pessoas da terra natal, estando nesta sente falta das coisas que descobre e vive em outros continentes. Paira entre as principais emoções uma saudade meio que permanente.

Falta mesmo sente quem fica. Não há Skype ou Whatsapp que dê conta de preencher o vazio deixado. Fotografias, os pertences pessoais, o quarto vazio, a ausência nas festas da família, as constantes perguntas de amigos e parentes, tudo isso alimenta a saudade de quem fica.

Os que partem podem ser organizados em grupos conforme resultados dessa excursão. Existe o grupo daqueles que trabalham duramente sem escolher muito as tarefas iniciais, conseguem bons resultados e permanecem.

Outro grupo é formado por aqueles que se empenham durante alguns anos e voltam para inaugurar novo patamar de vida em sua terra natal. Tristemente, também há o grupo daqueles que trabalham muito e não conseguem resultados, só não voltam porque não conseguem juntar recursos para tanto.

Hoje, é comum a turma que vai para estudar ou ficar pouco tempo, apenas para turbinar a carreira ou se aperfeiçoar no domínio de alguma língua estrangeira. É crescente o número daqueles que vão e voltam, depois vão de novo para o mesmo lugar ou para lugares diferentes, sem objetivos bem delineados, talvez, procurando fora aquilo que não encontram em si mesmos.

Hoje é fácil ir e vir. O difícil é fazer e manter projetos que possibilitem efetivo crescimento profissional e, principalmente, realização pessoal, assim como alegria para toda a família.