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BragançaPaulista16 Jan 2018


Colunistas


Novos hábitos
Sábado,  10 JUN 2017
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 Nosso planeta é um ser vivo, cheio de riquezas minerais e vegetais. Alimenta a vida dos mais diferentes seres, assim como movimenta muitos equipamentos inventados e utilizados pelo ser humano.

Quando utilizamos um automóvel, não fazemos contas, mas estamos utilizando minerais extraídos de montanhas, borrachas extraídas de florestas e queimamos petróleo retirado do solo, consumimos oxigênio e devolvemos à natureza gás carbônico, entre outros gases nocivos.

Ao longo da vida, adquirimos alguns hábitos. Fazemos coisas sem pensar. Quando vemos, se percebemos, já fizemos. Quem cresceu na zona rural, por exemplo, quando criança, no sítio, costumava jogar no chão cascas de bananas, de outras frutas ou restos de comida. São logo consumidas por galinhas ou formigas, ou se degradam rapidamente. O mesmo não se pode dizer de resíduos atuais, como copos de plástico, garrafas, latas ou papelão. A total degradação desses elementos é muito demorada.

Embalagens de papel demoram até quatro meses, pontas de cigarro resistem durante dois anos pelo menos, copos de plásticos e latas de alumínio resistem a séculos inteiros, vidros não se degradam.

Com alguma frequência acontece do passageiro ou motorista de um belo automóvel abrir o vidro a mais de 100 km/hora e jogar na rodovia algum desses resíduos. É incrível! Não combina um equipamento de última geração com uma atitude tão grosseira. O mesmo fenômeno observamos em locais onde ocorreu uma festa. Não fosse a equipe de garis, às vezes, tonelada inteira de resíduos ficaria ali durante anos. O mesmo ocorre em outros pontos de encontros da cidade.

Não é difícil observar a quantidade e os malefícios desse descarte irresponsável. Basta observar uma equipe cuidando da limpeza de uma rodovia. Não há a necessidade de muitos quilômetros para lotar a carroceria de um caminhão: garrafas, copos, fraldas, peças mecânicas e de latarias, pneus ... muitos são os descartes, não obstante as numerosas campanhas de combate à dengue e outras moléstias transmissíveis. Ainda descartamos pilhas, baterias, equipamentos eletrônicos como se fosse lixo comum, de baixa contaminação e fácil degradação

De outro lado, muitas famílias são hoje sustentadas pela coleta de lixo. Cresce a consciência da necessidade de coleta seletiva. Empresas pequenas e grandes empreendem nessa área, muitas são as cooperativas de catadores que, juntos, procuram fazer coleta e reciclagem de forma mais estruturada, com melhores resultados. Em muito contribuem para a continuidade da vida sobre o planeta.

Vi há pouco tempo entrevista do líder de uma comunidade religiosa, que se dedica à recuperação de dezenas de dependentes químicos. Ele relatava que todos os recursos necessários são provenientes do lixo.

A comunidade se estruturou para isso. Experimentou, fez contas, adquiriu equipamentos, trabalha em conjunto. Não pede outro tipo de ajuda. Apenas solicita: “Deem-me o seu lixo”. E assessora outras comunidades a fazerem o mesmo, para conseguir recursos para suas atividades assistenciais, dar bom exemplo e contribuir para uma cidade limpa.