BJD
32 máx 18 min
BragançaPaulista16 Jan 2018


Colunistas


Gabriel da Silveira Vasconcellos e seus insignes filhos
Quarta-Feira,  07 JUN 2017
Tamanho dos caracteres

 Folheando anotações que venho fazendo sobre Bragança Paulista, seus filhos, suas curiosidades, seu folclore e um pouco de sua história, deparei-me com apontamentos referentes a uma pessoa que, nascida nesta terra, projetou-se nas mais altas camadas da sociedade bragantina, que graças às suas virtudes, carisma e rara nobreza de alma, tornou-se uma figura estimadíssima.

Trata-se de Gabriel da Silveira Vasconcellos, nascido em Bragança em 19 de novembro de 1837. Provindo de uma família de princípios austeros, Gabriel Silveira destacou-se desde menino entre os demais de sua época por sua índole bondosa e por seus predicados morais. Os pais desde cedo procuraram incutir na mente do jovem Gabriel os melhores pensamentos, não se descuidando jamais de sua educação.

Desde cedo se dedicou ao trabalho e jovem ainda abraçou a profissão farmacêutica. Embora não fosse diplomado, desempenhou sua missão com perícia, consciência e, sobretudo, com humanidade. Atendia a todos com carinho e dedicação, principalmente aos pobres, a quem atendia sem remuneração alguma.

Gabriel Silveira constituiu família aos 33 anos de idade, casando-se em 6 de julho de 1871 com dona Francisca Galvão da Fontoura, oriunda de distinta família de Itu.

Era político, mas político por patriotismo, por dever cívico e não por interesse de qualquer ordem, tendo sido uma das figuras mais salientes do Partido Liberal de Bragança.

Bragança lhe deve benefícios consideráveis, uma vez que nunca ele deixou de concorrer com seus esforços, com seu prestigio e até mesmo com ajuda monetária quando se tratava de qualquer empreendimento em prol do progresso material e intelectual de nossa terra.

Entre esses serviços se destaca sua cooperação valiosa na Companhia de Estrada de Ferro, na qual ele revelou uma energia inquebrantável, trabalhando ao lado dos companheiros para vencer as enormes dificuldades que advieram desde o início até o fim da construção da ferrovia, cuja inauguração se deu em 1884.

Por duas vezes Gabriel Silveira foi vereador à nossa Câmara Municipal e no desempenho desse cargo, trabalhou em prol de muitos melhoramentos locais, sendo um daqueles que muito lutaram para que tivéssemos iluminação pública.

Em sua vida privada deu muito do seu para o nosso progresso, sendo ele quem doou o terreno para a abertura da Travessa Bragantina, atual Rua Expedicionário Basílio Zecchin Jr. Gabriel Silveira foi sócio fundador de todas as associações literárias e recreativas que se organizaram nesta cidade em sua época.

O seu falecimento deu-se no dia 02 de junho de 1885 e seu passamento cobriu de luto o município de Bragança.

Coincidentemente, dezoito dias antes de sua morte, sua esposa deu à luz a um filho que, após seus estudos primários foi estudar na Capital, tendo se formado numa das primeiras turmas do “Curso de Farmácia de São Paulo”. Era ele o farmacêutico Cândido Fontoura da Silveira, o autor da fórmula do Biotônico Fontoura, cujo medicamento viria a ser um dos mais famosos fortificantes da época, conforme já relatamos.

O filho mais velho de Gabriel Silveira, o também farmacêutico Gabriel da Silveira Vasconcelos, que tinha o mesmo nome de seu genitor e que, por ocasião do falecimento do pai contava com apenas 13 anos de idade, se tornaria o braço direito de sua mãe e anos mais tarde iria continuar a missão encetada por seu pai, numa pequena farmácia que montou, localizada à Rua Direita nº 85, atual Rua Dr. Cândido Rodrigues, na parte térrea do prédio no qual se localizava o Centro Católico, onde depois, durante muitos anos, existiu a “Farmácia Normal”, de propriedade do farmacêutico Evangelino Ferreira Basteiro e posteriormente teve como proprietário por longos anos o farmacêutico João Marcondes Escobar, local onde hoje é a Via Centrale.

E foi nesse local que o seu filho, jovem farmacêutico Cândido Fontoura da Silveira, no ano de 1910, segundo relatam alguns livros de seu tempo, usando sua habilidade de pesquisador, criou um tônico para sua esposa que tinha saúde bastante frágil. A fórmula deu resultado e então começou a ser receitada pelo farmacêutico para outras pessoas com benéficos resultados. Era o “Biotônico Fontoura”, que deu fama e fortuna a este nosso conterrâneo.

Quanto a seu irmão que tinha o mesmo nome do pai e era carinhosamente conhecido por “Gabrielzinho”, que havia se formado farmacêutico na tradicional Escola de Ouro Preto, não se limitou a ser somente farmacêutico. Foi proprietário da Empresa Telefônica Bragantina, fundada em 17 de julho de 1896 e com sua capacidade e voluntariedade conseguiu aos poucos, por meio de concessões, ligar Bragança a outras cidades interioranas paulistas, sul mineiras e à Capital por meio do telefone. Por esse seu imenso trabalho, Gabriel da Silveira Vasconcelos, o “Gabrielzinho”, é considerado o fundador das comunicações interurbanas do Estado de São Paulo.

Este é, portanto, um breve relato da vida do ilustre bragantino Gabriel da Silveira Vasconcellos, mais conhecido por Gabriel Silveira, pai de dois filhos não menos ilustres, Gabriel da Silveira Vasconcelos, o “Gabrielzinho” e Cândido Fontoura da Silveira.

Seu nome foi dado a uma das principais vias de comunicação desta cidade, a Travessa Gabriel Silveira, outrora conhecida por Travessa do Bobadilha, sendo que essa figura que deixou em vida exemplos edificantes de nobreza de caráter, honradez e altruísmo, faz parte da nossa história.

JOSÉ CARLOS CHIARION é advogado, escritor e membro da Associação dos Escritores (ASES). Foi vereador; colunista do Bragança-Jornal Diário; participou da fundação e foi presidente da Associação Bragantina de Imprensa (ABI). É autor do livro “Um Pouco da Nossa História”.

EM TEMPO: Acompanhe toda sexta-feira, no “Altiora Jornal” exibido pela nossa TV Altiora, às 19:00 horas, a “Agenda Cultural”, onde cada semana um assunto dos aqui por nós abordado é comentado pelo jornalista Fabio Silverio, com a colaboração fotográfica de Luis Antonio Palombello.