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BragançaPaulista18 Jan 2018


Colunistas


“Co-lares”
Sábado,  27 MAI 2017
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 Há algumas semanas refletimos aqui os danos que o isolamento e a solidão trazem para a saúde somática e emocional de pessoas das mais diversas idades.

No último sábado, conversamos sobre a necessidade de cuidarmos de pessoas que são cuidadoras de familiar, amigo ou vizinho que se encontra enfermo ou em alguma situação de dependência física. Ambos os artigos apontavam para a necessidade da convivência tanto em momentos festivos quanto em situações que exigem doação, apoio e cuidados.

Numa perspectiva um tanto futurista, abordo hoje a possibilidade de haver um modo de convivência mais interativo, principalmente para pessoas que ultrapassam a casa dos 60 anos de idade. Ocorre que a sociedade brasileira está envelhecendo muito rapidamente. O Brasil caminha para se tornar um país de população majoritariamente idosa.

Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o grupo de idosos de 60 anos ou mais será maior que o grupo de crianças com até 14 anos já em 2030 e, em 2055, a participação de idosos na população total será maior que a de crianças e jovens com até 29 anos.

Isso significa que, do ponto de vista quantitativo, nem todo idoso terá em sua família pessoas mais jovens dispostas a lhe dispensar os cuidados requeridos. Significa também que mesmo havendo pessoas mais jovens na família não será garantia de cuidados diários e permanentes.

Os adultos de hoje foram educados e os jovens atuais estão sendo liberados para o individualismo, com forte inclinação para o hedonismo: termo comumente empregado em sentido moral para designar cada doutrina segundo a qual o prazer é o único ou principal bem da existência e sua busca, a finalidade ideal da conduta.

Em muitas famílias atuais, idosos, enfermos ou deficientes ficam sozinhos a maior parte do tempo, não raramente, são isolados da convivência social de outros parentes de primeiro e segundo grau.

Outros são internados em asilos, alguns para que sejam cuidados de forma profissional e multidisciplinar, muitos para que os parentes não precisem cuidar dia e noite. Já existem algumas tentativas mais socializadas de cuidado ao idoso, tais como algumas residências preparadas para tal finalidade, equipes profissionais que atendem o paciente em sua própria casa e “creches” onde os idosos passam o dia, voltando para a casa no final do mesmo.

Confesso que me surpreendeu o neologismo “co-lares” que intitula a reflexão de hoje. Denomina uma experiência relatada pela Folha de São Paulo: Grupos de idosos planejam comunidade para manter autonomia e evitar solidão (21/05/2017). Pessoas que viveram intensamente as experiências comunitárias e associativas dos anos 60 e 70, agora com mais de 60 anos de idade, esforçam-se para criar e manter um estilo de vida que garanta convivência, partilha e ajuda mútua.

Trata-se de um projeto arquitetônico, prédio ou vila, em que cada indivíduo ou casal idoso tem um espaço próprio, contando com espaços de interação, convivência, produção e recreação comuns com outros moradores. Tanto os espaços particulares quanto os comuns são totalmente adaptados em termos de acessibilidade e comunicação. A regra básica é a convivência e a ajuda mútua, sem obrigações, mas pactuadas e espontâneas.

Os avanços da tecnologia e suas consequências no modo de viver não é solução para tudo, continuam exigindo criatividade humana para que a vida seja alegre, autônoma, compartilhada e, principalmente, feliz.