BJD
33 máx 20 min
BragançaPaulista18 Jan 2018


Colunistas


O “Massa Bruta Futebol Clube”
Quarta-Feira,  17 MAI 2017
Tamanho dos caracteres

 Em tempos idos de minha meninice, não se falava em profissionalismo no futebol, o esporte bretão era um entretenimento para os moradores de uma cidade como a nossa, que possuía poucos meios de distração.

Havia uma paixão partidária entre os aficionados daquele esporte, que repartia a cidade em três grupos distintos, os quais dividiam suas simpatias entre o Massa Bruta Futebol Clube, antecessor do Clube Atlético Bragantino; o Bragança Futebol Clube, que veio a substituir o Gyne Clube, que jogava no Campo da Biquinha, mais tarde denominado Estádio Dr. José de Aguiar Leme, e a A.A. América, do Bairro do Matadouro.

Fundado em 6 de janeiro de 1928, o Massa Bruta Futebol Clube, depois de muita luta, conseguiu, no ano de 1941, trocar o nome para Clube Atlético Bragantino, graças ao empenho de sua diretoria, que tinha como presidente na época Cícero de Souza Marques, o qual exerceu ao longo dos anos as funções de presidente, diretor e algumas vezes desempenhava as funções de treinador, massagista e roupeiro do time de futebol.

No ano de 1931, não suportando mais ver seu time do coração sempre ter que jogar em campo do adversário, Cícero de Souza Marques, juntamente com o major Fernando de Assis Valle e Américo Fontana, arrendaram um terreno que fazia parte da fazenda pertencente à família Zago, situada praticamente dentro da cidade, que divisava com o Jardim Público e com terrenos da família Raposo, para que assim o Clube pudesse mandar seus jogos em gramado próprio.

Por ser o terreno muito acidentado, houve necessidade de ser nivelado e para isso, Cícero Marques gastou de seu bolso 29 contos de réis, uma fortuna naquela época!

Com a ajuda de Jeronymo Martin Carretero, proprietário de tradicional indústria local, que doou grande quantidade de madeira, e o auxílio de esportistas locais, foram construídas as arquibancadas e o cercado do campo com gradinhas de madeira, sendo que a maioria da mão de obra foi oferecida ao clube por uma equipe formada por seus torcedores, tendo o Estádio sido inaugurado oficialmente no ano de 1936.

A partida principal na festa da inauguração foi entre o Palestra Itália (hoje S.E. Palmeiras) e o Massa Bruta Futebol Clube (atual Clube Atlético Bragantino).

Nesse tempo, o esporte não estava comercializado, não havia o pagamento de passes, de luvas, de ordenados astronômicos. Jogava-se por idealismo e pelo prazer da prática esportiva.

Existia sim, bairrismo esportivo e quando as disputas eram entre os rivais da cidade, os campos viravam como que arenas, sendo as pelejas assistidas por enorme multidão. As torcidas vibravam com as jogadas dos atletas de seus respectivos times e o policiamento tinha que ser reforçado para evitar que algo de mais grave acontecesse.

Os assistentes vibravam com o jogo e o calor da partida chegava a inflamar os torcedores que, muitas vezes, de uma simples troca de palavras, chegavam às vias de fato.

O Clube Atlético Bragantino, na época do amadorismo em nossa cidade, sempre possuiu verdadeiros esquadrões, que eram respeitados em toda a região.

Na gestão de Cícero de Souza Marques como presidente do clube, foi criada a torcida uniformizada feminina, e com a contribuição do comércio local, eram sorteados no intervalo dos jogos, valiosos brindes às suas componentes.

No ano de 1944, foi realizado o Campeonato da Cidade, no qual tomaram parte o Clube Atlético Bragantino, o Bragança Futebol Clube e a A.A. América.

O esquadrão do Clube Atlético Bragantino sagrou-se campeão com o time que reputamos tenha sido o mais completo na época do amadorismo, que jogava com a seguinte escalação: Hélio, Gentilão e Chicão, Cassununga, Antunes e Turíbio, Edio, Natalino (Batista), Palermo, Mococa (Júlio) e Osvaldinho.

O Bragança Futebol Clube disputou esse campeonato com o time do L.P.B.Futebol Clube (naquela época campeão amador do estado) envergando sua camisa, sendo que os jogadores da equipe principal do Bragança Futebol Clube jogaram no quadro de aspirantes (naquele tempo chamado Extra ou segundo quadro).

Após a vitória sobre o Bragança Futebol Clube, Cícero Marques criou o símbolo Leão da Zona, desfilando pelas ruas da cidade com um quadro pintado por um pintor de renome na cidade, onde se via um enorme leão representando a força do “esquadrão alvinegro das Pedras” (como era chamado).

A Prefeitura Municipal adquiriu o terreno onde se situa o Estádio do referido clube e mais tarde o Poder Executivo, cujo Prefeito Municipal era na época Marcelo Stefani (que foi por muitos anos jogador do time, tendo ocupado o cargo de Presidente da Diretoria), doou o terreno com suas instalações para o Clube Atlético Bragantino, tendo este pago o preço simbólico de um cruzeiro, que hoje seria, por exemplo, um real.

O Clube Atlético Bragantino, na época do amadorismo, além de Cícero de Souza Marques, teve outros presidentes e diretores que muito fizeram pelo engrandecimento do mencionado clube, entre os quais enumeramos o Dr. José Lamartine Cintra, Marcelo Stefani (o Estádio recebeu seu nome), Dr. José de Aguiar Leme, Oswaldo Pereira da Silva, Normando Medeiros, Miguel Morales, José de Assis Gonçalves Júnior, Humberto Otatti, Marcus Vinícius Valle, Domingos Leonardi, Oswaldo de Assis Gonçalves, Geraldo Cintra Amaral, João Antonio Sanches, Lafayette Vasconcelos Júnior e uma imensidão de colaboradores que deram muito de seus esforços em prol do Leão da Zona, não só frequentando assiduamente o campo por ocasião dos jogos, como também contribuindo com prêmios a jogadores e à assistência.

Com a chegada do profissionalismo, outros esportistas fizeram parte da Diretoria, os quais quando tivermos oportunidade de falar sobre esta outra fase da existência do clube, certamente serão lembrados.

Hoje, o Clube Atlético Bragantino continua vivo, graças ao empenho e a luta titânica de um grupo de abnegados esportistas, que deram continuidade ao trabalho encetado no ano de 1928 por Cícero de Souza Marques, Ismael Aguiar Leme, Vicente Perez, irmãos Mário e Américo Fontana, Major Fernando Valle, Azildo Franchi e outros cujos nomes não nos ocorre no momento, porém, dignos de merecidos aplausos por terem participado da fundação do tradicional clube futebolístico de nossa querida terra, que muito tem elevado o nome de nosso município no cenário esportivo nacional. Futuramente, permitindo-nos Deus, procuraremos descrever a caminhada do Clube Atlético Bragantino desde a época em que ingressou no profissionalismo até os nossos dias.

JOSÉ CARLOS CHIARION é advogado, escritor e membro da Associação dos Escritores (ASES). Foi vereador; colunista do Bragança-Jornal Diário; participou da fundação e foi presidente da Associação Bragantina de Imprensa (ABI). É autor do livro “Um Pouco da Nossa História”.

EM TEMPO: Acompanhe toda sexta-feira, no “Altiora Jornal” exibido pela nossa TV Altiora, às 19:00 horas, a “Agenda Cultural”, onde cada semana um assunto dos aqui por nós abordado é comentado pelo jornalista Fabio Silverio, com a colaboração fotográfica de Luis Antonio Palombello.