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BragançaPaulista16 Jan 2018


Colunistas


Remanescentes da Ópera Francesa
Sexta-Feira,  05 MAI 2017
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 Num tempo em que os intelectuais já estavam entusiasmados por Wagner, fazendo anualmente a peregrinação para Bayereuth, os teatros de ópera de Paris ainda raramente se abriram para apresentar “Tannhaeuser ou Lohengrin”.

Houve mais forte resistência oficial contra o compositor pangermanista. Houve mais forte resistência do público, que insistiu em ouvir Auber, Meyerbeer e Halévy. Com sensibilidade finíssima, reagiu-se contra qualquer movimento de renovação.



Um acompanhamento orquestral mais elaborado ou a volta de um tema em mais do que uma cena inspiraram logo a acusação de “wagnerismo”. No entanto, a nova geração de operistas franceses, embora ainda fiel à rotina, não ficou impermeável às influências do outro lado do Reno. Em todo caso, o romantismo dessa geração já é menos falso que o da “grande ópera”.

Charles Gounod (1818 - 1893) é um tipo de pequena burguesia parisiense do tempo do Segundo Império: católico devoto e “hommme moyen sensuel” (homem meio sensual), bonachão, espirituoso, às vezes sarcástico, e homem de “métier” (profissão) sólido. Tinha estudado bastante bem a música para saber apreciar altamente a arte sinfônica alemã; mas não a conhecia e nem a entendia ao ponto de ficar mais que superficialmente influenciado por ela.

No entanto, a sociedade parisiense da época, aquela que vaiou em 1861 o “Tannhaeuser”, sentiu instintivamente a diferença. Gounod foi considerado como “sinfonista” pelos “melodistas” ortodoxos.

Foi injustiça tão grande como a de hoje que só o aprecia como inventor de melodias bonitas, tipicamente francesas. Gounod foi homem do seu tempo; mais profundo que os outros, embora não realmente profundo.