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BragançaPaulista21 Jan 2018


Colunistas


As primeiras agências bancárias instaladas em Bragança Paulista
Quarta-Feira,  26 ABR 2017
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 O comércio de Bragança, desde a data de sua fundação, atendia aos moradores da vila e de povoações circunvizinhas.

Abastecia os tropeiros que, no seu caminho de São Paulo para Minas Gerais ou do Estado mineiro para a nossa Capital, quando passavam pela vila para pernoitar, faziam compras e alimentavam os animais.

No início do século 20 havia grande circulação de dinheiro na cidade, sendo que os capitalistas e fazendeiros costumavam aplicar seus lucros em estabelecimentos de comissões e consignações, que forneciam dinheiro com garantia de produções de café ou então numa Casa Bancária local.

Trabalhavam nesse ramo o Tenente Coronel Daniel Peluso, que tinha escritório na Rua do Lavapés nº. 36, atual Rua Barão de Juquery, além de Ângelo Colombi, Figueiredo & Cia., Oliveira Vieira & Cia. e capitalistas que aplicavam o seu dinheiro em empréstimos contra títulos ou hipotecas sobre bens imóveis.

Havia nessa ocasião a Casa Bancária de M. Felix Cintra, situada à Rua Direita nº 1, atual Rua Dr. Cândido Rodrigues onde eram feitos descontos de saques sobre as praças de São Paulo, Santos e outras, além de letras de câmbio e notas promissórias. Aceitavam depósitos em dinheiro e pagavam juros satisfatórios para o aplicador.

Com o decorrer do tempo, como ainda não havia necessidade de registro no Banco Central como hoje, vários outros estabelecimentos de crédito foram instalados por capitalistas locais, além da existência dos aplicadores de dinheiro, hoje considerados agiotas, os quais faziam negócios em suas próprias residências.

No dia 12 de outubro de 1919 iniciou suas operações nesta cidade a agência do Banco Comercial do Estado de São Paulo. Para o cargo de gerente foi escolhido João de Moraes Damásio, pessoa de grande prestígio nos meios sociais e financeiros de nossa cidade.

O local escolhido para o funcionamento do referido Banco foi na parte térrea do Edifício da Companhia Telefônica Brasileira, no Largo Municipal, atual Praça José Bonifácio.

Devido ao acolhimento dado pelo público e principalmente pelos capitalistas, comerciantes, fazendeiros, sitiantes e uma parte da população, que encontraram um lugar seguro para depositar seu dinheiro, já que os depósitos em conta-corrente rendiam juros ao depositante, o Banco teve um rápido desenvolvimento, impondo-se a necessidade da construção com urgência de um prédio adequado para melhor corresponder ao apoio recebido dos que, com o referido Banco, mantinham transações bancárias.

Assim iniciou-se a adaptação de um prédio situado na mesma Praça José Bonifácio, hoje, Praça Raul Leme, adquirido por aquela instituição financeira, sendo inaugurada a nova agência no dia 8 de março de 1924.

Com o decorrer do tempo, devido à grande demanda de negócios, foram admitidos paulatinamente vários funcionários e no fim da década de 1920, o corpo de bancários em exercício em suas funções, além do gerente que continuava sendo João de Moraes Damásio, eram: Contador, Luiz Diniz; sub-contador, Marcos Scarpa, no Caixa funcionava Alcebíades Novaes e Silva e auxiliares Leôncio Brandão, Dorival Pupo e Augusto Vasconcellos.

Depois de muitos anos, o Banco Comercial do Estado de São Paulo foi adquirido pelo Banco Itaú S/A. que ainda hoje funciona na mesma Praça Raul Leme.

Em 9 de abril de 1927 foi inaugurada nesta cidade a agência do Banco Comércio e Indústria de São Paulo, sob a gerência do conceituado comerciante Antonio Novaes Netto. Trabalhavam no referido estabelecimento bancário como Contador, Plínio Ferraz do Amaral, no Caixa a srta. Odila da Silveira Leite e como funcionários a srta. Maria de Lourdes Teixeira, Olegário Mariano Lopes, Leonil de Oliveira Preto e Moacyr Colombi.

A agência do referido Banco situava-se na Rua do Comércio, atual Rua Coronel João Leme, ao lado da Casa São José, uma loja de larga porta de ferro e quatro grandes vitrinas, hoje fundos do Banco Itaú S/A.
Depois de algum tempo, a agência do Banco do Comércio e Industria de São Paulo, transferiu-se para um prédio situado na Rua Direita, hoje Rua Dr. Cândido Rodrigues, onde permaneceu muitos anos até sua mudança definitiva para prédio próprio na Praça Raul Leme, num palacete adquirido do fazendeiro Silvio de Carvalho Pinto.

Naquele mesmo ano a firma Colombi & Carneiro, da qual faziam parte o Capitão Julio Colombi, abastado fazendeiro no município, comerciante e um dos líderes políticos da cidade, e Adalmiro de Oliveira Carneiro, conceituado comerciante, cuja firma representava em nossa cidade e região a Companhia Leme Ferreira, empresa exportadora de café com sede em Santos e com representações em toda a região bragantina, passou a ser a representante do Banco do Brasil S/A. em toda a nossa região.

A firma Colombi & Carneiro ocupava naquela ocasião a parte térrea do prédio onde estava instalada a Empresa Telefônica Brasileira, na Praça José Bonifácio e que fora anteriormente ocupado pela agência do Banco Comercial do Estado de São Paulo.

Com a quebra dos cafeicultores na crise de 1929, a firma Colombi & Carneiro sofreu um revés muito grande e alguns anos depois cerrou suas portas e com isso as atividades do Banco do Brasil S/A. nesta cidade foram suspensas, só voltando a funcionar mais tarde em outro local.

No ano de 1942, quando a situação econômica dos capitalistas e cafeicultores estava praticamente normalizada em todo o país, em nossa terra não foi diferente.

Graças ao trabalho de nossas autoridades, de agricultores, criadores, comerciantes e proprietários de imóveis, conseguiu-se junto à direção do Banco do Brasil S/A., a instalação de uma agência desse conceituado estabelecimento bancário nesta cidade.

Precisamente em 07 de fevereiro de 1942, instalou-se em Bragança Paulista a agência do Banco do Brasil S/A., que teve como seu primeiro gerente Abel Pereira Rodrigues, o qual permaneceu por muitos anos no cargo. Essa agência bancária foi instalada na Rua Coronel João Leme, no mesmo local onde havia sido a agência do Banco do Comércio e Indústria de São Paulo.

Segundo se sabe, estas foram as primeiras agências bancárias instaladas nesta cidade, vindo logo a seguir o Banco Moreira Salles, Banco Arthur Scatena, Banco de Itajubá e Banco da Lavoura de Minas Gerais, todos hoje encampados por outros Bancos nacionais. Por serem estes os primeiros estabelecimentos, cuja função era receber depósitos de numerário de clientes e fazer aplicações desse dinheiro de formas diversas, merecem ser lembrados pois fazem parte da nossa história.

JOSÉ CARLOS CHIARION é advogado, escritor e membro da Associação dos Escritores (ASES). Foi vereador; colunista do Bragança-Jornal Diário; participou da fundação e foi presidente da Associação Bragantina de Imprensa (ABI). É autor do livro “Um Pouco da Nossa História”.


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