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BragançaPaulista18 Jan 2018


Colunistas


Bedrich Smetana (1824-1884)
Sexta-Feira,  31 MAR 2017
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 O destino de Bedrich Smetana foi dos mais duros. Crescido na atmosfera mesquinha de pequena cidade de província tornou-se nacionalista e depois da fracassada revolução de 1848 preferiu o exílio voluntário. Franz Liszt , sempre generoso, obteve o lugar de regente da orquestra municipal em Gotemburgo (Suécia).



Quando a Constituição da Áustria, em 1861, deu aos tchecos a liberdade cultural e alguma autonomia política, Smetana voltou para assumir, pouco mais tarde, as funções de regente do Teatro Nacional em Praga. Parecia algo como a liderança da vida musical tcheca. Mas Smetana não foi reconhecido pelos seus conterrâneos como grande compositor e só obteve pouco sucesso. Desgraçadamente, acidentes destruíram-lhe a família. Em 1884 ficou surdo e morreu no manicômio.

Smetana já foi chamado de Glinka tcheco, pois aproveitou as formas da música ocidental apenas como veículos de material folclórico. Apesar de formação musical muito sólida, acadêmica, tinha pouco uso para os gêneros do classicismo e vienense, aos quais preferiu as formas de Liszt.

Não escreveu sinfonias nem sonatas, e pouca música de câmara. Desta última destacam-se o “Trio para piano e cordas em sol menor” (1855), sombriamente trágico, e antes de tudo o “Quarteto para cordas em mi menor” (1876), denominado “Da Minha Vida”, cujos quatro movimentos, embora classicamente construídos, obedecem a um programa: quatro fazes de sua vida em desgraça. É o único quarteto “autobiográfico” da literatura musical, uma obra bela e comovente.

Os tchecos possuíam extraordinária musicalidade e folclore musical riquíssimo. Há séculos participavam da música do Ocidente. Dos músicos de Mannheim , alguns eram certamente tchecos, mas o fundador da música tcheca nacional foi Smetana (pronúncia: Smétana)