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BragançaPaulista18 Jan 2018


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Como surgiu o “Clube de Regatas Bandeirantes” - (Parte I)
Quarta-Feira,  22 MAR 2017
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 Os moradores de Bragança Paulista, cidade pequena e pacata no século passado, tinham o futebol como principal lazer nos domingos e feriados, sendo que alguns se dedicavam a nadar nos ribeirões e lagoas e outros gostavam de assistir as corridas de cavalo que se realizavam no campo da Penha.

No ano de 1936, o Dr. José de Aguiar Leme, Prefeito da época, foi convidado pelo cidadão Benedito de Lima a conhecer nos arredores da cidade, um sítio que possuía, em cujo lugar existia um belíssimo lago e onde, do remanescente do referido terreno, surgiu 16 anos mais tarde o “Jardim Recreio Bragantino”.

O Prefeito ficou maravilhado com a beleza do local e como bom administrador que era, avaliou o potencial da referida área, antevendo a realização de praticas desportivas, mormente natação e remo. Como era esportista, tinha ciência da privação na cidade, de outras atividades esportivas além do futebol.

Assim, o Dr. José de Aguiar Leme reuniu um grupo de pessoas bem intencionadas, por ele encabeçadas e, junto com os mesmos, fundou um Clube cuja finalidade era a de incrementar a prática de esportes em geral, dedicando-se, porém, maior atenção à natação e remo. E às margens do Tanque do Moinho, foi criado o “Clube de Regatas Bandeirantes”.

Na cerimônia da fundação, os presentes, denominados sócios fundadores, assinaram a primeira ata do referido Clube e aqui são citados para que muitas famílias tomem conhecimento da participação de seus antepassados na história deste Clube. São eles: Durval Mascarenhas, Mario Alves Barbosa, Dr. José de Aguiar Leme, Domingos Leonardis, Francisco Samuel Lucchesi Filho, Dr. Francisco de Assis Leme, Dr. Mucio de Lima Faria, Moacyr Colombi, Saul Guazelli Dias, Dr. Antonio da Cruz, Dr. José Collaço Veras, José Xavier Dias Cardoso, José de Assis Gonçalves Junior, Luiz Martin, José da Silveira Leme, José de Oliveira Leme, Jeronymo Martin Carretero, Mario Macedo, Luiz Diniz, João Otatti, Augusto Vasconcellos, Boanerges Camargo, Normando Raposo de Medeiros, Dr. Aristides de Campos, Saul Bertolotti, Domingos de Souza Dias, João Batista Valle, João Marcondes Escobar, Cícero de Souza Marques, Ismael de Aguiar Leme, Dr. José Silveira Guimarães, Raphael Orsi, srta. Rosaria Gualberto da Silva, srta. Maria Cecília de Carvalho Negraes, Pedro Montanari, Manir Mathias, Julio Colombi, Saverio D’Ambrosio, Dr. Octavio Guilherme Lacorte, João Alves Martins, Boanerges da Cunha Freire, José Soriano Roldan, Ângelo Stefani, Marcelo Stefani, Raul de Aguiar Leme, Áureo Rosa, Sebastião Barbosa de Campos, Dr. Inácio Cunha, Miguel Morales, Felipe Morales, Juvenal Vasconcellos, Lincoln Rodrigues Siqueira, José Lamartine Cintra, Arthur Cintra, Luiz Octavio Vicente, Antonio Bernardi, Ulysses Arruda, José Buzatto, Nelson Ritton e Benedito Augusto de Melo.

A primeira etapa foi a construção da sede social e a montagem, pelas Indústrias Carretero, de uma piscina de madeira junto ao lago, bem como foram iniciadas as obras do salão e vestiários. O Clube de Regatas Tietê, da Capital, cooperou com a diretoria do clube, vendendo para o mesmo alguns barcos para recreação no lago.

Em 21 de fevereiro de 1937 foi inaugurada oficialmente a sede do Clube com uma festa inolvidável. Vários atletas do Clube de Regatas Tietê compareceram às festividades, contando ainda com a presença da então eximia campeã brasileira de natação Maria Lenck, há pouco falecida.

O local passou a ser a convergência de esportistas e suas famílias e um ponto de reunião social, de piqueniques e de competições esportivas.

Devido à grande concorrência de pessoas desejosas de aprender a nadar, foi contratado um professor para ministrar aulas de natação. Era ele o Luiz Mendes Pereira, mais conhecido por Pará, que durante alguns anos esteve à testa do Departamento de Natação do referido Clube.

No dia 05 de dezembro de 1937, surgiu o primeiro órgão informativo do Clube, sob a direção de Newton Barra e redação de Luiz Mendes Pereira, o “Pará”. O seu redator apresentava matérias sobre o aprendizado da natação além de notícias relativas ao Clube e seus associados.

Sob a direção do técnico Pará, começaram a surgir os campeões de natação. Eram eles, o Wilson Aguiar, precedido pelo Milton Longo, mais conhecido por Pixoxó, Sidney Nogueira, Plínio Figueiredo e Lúcio Nicolatti. Este último mais tarde viria a ser um dos mais dinâmicos presidentes que o Clube de Regatas Bandeirantes possuiu.

Outros associados com mais idade também participavam das competições, sem visar colocação na disputa, entre os quais: Osório Ramalho de Oliveira, Manoel Stefani, Dorival Toledo Leme, seu irmão Orlando Toledo Leme, Benedito Augusto de Mello, mais conhecido por “Dito Sapo” e outros.

Senhoras e senhoritas também participavam de competições, entre as quais, Gertrudes Effenberger, Helena Lucchesi, Leonor Leme, Silvia Peluso, Edméa Leme, Maria Aparecida Soriano, Jandira Wohlers e outras.

Após aprovados os Estatutos do Clube e publicados no jornal “A Tribuna”, então existente na cidade, foi convidado o sócio José Caetano, meu compadre e dileto amigo, renomado pintor e desenhista, para fazer desenhos de algumas figuras no vestuário recém-construído e, por sugestão da diretoria, foi criado o emblema do Clube de Regatas Bandeirantes com as cores vermelho, preto e branco, para não ser confundido com as cores do logotipo do Clube Atlético Bragantino, preto e branco, que também fora criado pelo mesmo José Caetano.

Assim o Clube de Regatas Bandeirantes iniciou a sua caminhada de sucesso e hoje, decorridos 80 anos de sua fundação, graças ao empenho dos componentes de suas diretorias e a visão de um bragantino ilustre, Dr. José de Aguiar Leme, coadjuvado pelos demais sócios fundadores, o Clube de Regatas Bandeirantes é um dos pontos de lazer mais frequentados pela população citadina.

Para que os atuais associados deste Clube, localizado num lugar pitoresco como é o Tanque do Moinho, a maioria dos quais ainda não havia nascido à época de sua fundação, tenham uma pálida ideia de como frutificou a semente que se tornou uma frondosa árvore, voltaremos ao assunto novamente.

JOSÉ CARLOS CHIARION é advogado, escritor e membro da Associação dos Escritores (ASES). Foi vereador; colunista do Bragança-Jornal Diário; participou da fundação e foi presidente da Associação Bragantina de Imprensa (ABI). É autor do livro “Um Pouco da Nossa História”.

EM TEMPO: Acompanhe toda sexta-feira, no “Altiora Jornal” exibido pela nossa TV Altiora, às 19:00 horas, a “Agenda Cultural”, onde cada semana um assunto dos aqui por nós abordado é comentado pelo jornalista Fabio Silverio, com a colaboração fotográfica de Luis Antonio Palombello.