BJD
31 máx 19 min
BragançaPaulista18 Jan 2018


Colunistas


Vamos à nossa história, vamos ao marco inicial dessa escola...
Sábado,  18 MAR 2017
Tamanho dos caracteres

 Botícia alvissareira deste Jornal de 4/3/17 “ALUNOS DE ESCOLA PÚBLICA ESTADUAL COMEMORAM RESULTADO NO SARESP” nos fez retroceder no tempo e tornou vivo um grato pedaço da nossa vida profissional. Bem, diz-se que “Recordar é viver” e neste momento estamos revivendo esse pedaço de nossa história. Realmente é uma história bem no plural, compartilhada por profissionais da área da Educação, pelos pais, pelos alunos e pela comunidade. Vamos ao relato bem sintético:

Antes de: Qual é essa ESCOLA PÚBLICA? É a Escola Estadual Prof. “Maria José Moraes Salles”, defronte à Praça do Matadouro. E a sigla SARESP? Sistema de Avaliação de Rendimento Escolar do Estado de São Paulo. E o que diz a notícia em foco? Diz que a Escola na avaliação do SARESP foi destaque na área da Diretoria de Ensino da Região de Bragança Paulista. Atingiu a nota 4,6, ultrapassando a meta do SARESP que era 3,44. Essa avaliação se deu com os alunos do 3º ano do Ensino Médio, ano de 2016.

VAMOS À NOSSA HISTÓRIA, VAMOS AO MARCO INICIAL DESSA ESCOLA, A QUAL CONSIDERAMOS A “MENINA DOS NOSSOS OLHOS”.

Após pesquisa feita pela Assistente de Planejamento, na época Maria Aparecida Zecchin Maiolino, constatou-se a necessidade da construção de mais um prédio escolar no Bairro do Matadouro. Aprovada pelo governo estadual essa construção, fomos ao prefeito da época, José de Lima, para cessão do terreno. Ele indicou o seu Diretor do Departamento de Educação Municipal, Prof. Amauri, hoje o vice-prefeito, para nos auxiliar na busca. Concluída essa etapa, seguiram-se os trâmites legais até chegar ao esperado: a construção do prédio.

Inicia-se a construção do prédio, uma planta muito boa, tudo na base do “concreto”, colunas, vigas, muita ferragem, uma arquitetura para ninguém “botar defeito”. Como em todo contrato, havia a cláusula que determinava o início da obra e o seu término, previsto sempre em final de ano para que a escola fosse instalada no início do ano seguinte.

Como sempre acontece com obras públicas, não se cumprem os contratos. A construção seguia lenta. A Assistente de Planejamento, preocupada com o início do ano letivo, propôs que fossemos conversar com o engenheiro responsável e dizermos a ele que a escola entraria em funcionamento em fevereiro do ano seguinte. Ele não acreditou.

No mês de novembro levamos uma mesa e deslocamos uma funcionária da Escola Prof. Joaquim Theodoro e uma da Escola Cel. Assis Gonçalves, em revezamento de período para a inscrição de alunos. Os “atores” da construção não acreditavam na nossa proposta. Nós acreditávamos.

Em janeiro, com um número expressivo de alunos, com as classes já montadas, no dia 3l de janeiro foram feitas as atribuições de classes e aulas. E o prédio estava sem terminar, nem os vidros estavam colocados. A nossa certeza estava concretizada: havia alunos e havia professores, direção e auxiliares, pais e a comunidade. Iniciaram-se as aulas, com profissionais da construção circulando pelo prédio.

A cozinha não estava pronta, não havia merenda, os vidros não estavam colocados, não estava fácil, mas havia muito esforço e boa vontade por parte de todos os componentes da escola. E nós sabíamos que se não instalássemos a escola no início do ano, com o seu corpo docente e discente completos, seria muito difícil no decorrer do ano. Receber o prédio e deixá-lo fechado, corríamos o risco de depredação.

Pois é, nós sabíamos de sobejo os nossos motivos, as nossas considerações, as nossas ponderações, as dificuldades que teríamos no início, mas tínhamos a certeza de que estávamos no caminho certo. Até que um dia, a diretora da escola me procurou na Delegacia de Ensino (hoje Diretoria Regional) para me dizer que já não sabia mais o que fazer com a reclamação dos pais em relação ao prédio inacabado e me propôs que eu fizesse uma reunião com eles. Aceitei de imediato a proposta. No dia marcado, horário 19h00, nos dirigimos para lá, a Assistente de Planejamento e eu, Delegada de Ensino.

Ao chegarmos, notamos que a Praça do Matadouro estava lotada de carros, o que nos revelava a presença maciça dos pais. A Diretora aprontou um aparato: montou no pátio uma mesa com sua toalha branca ladeada com umas caixas de som enormes. Ao adentrarmos, percebemos fisionomias tensas dos presentes. No nosso íntimo, pensamos: “E agora”?

Fomos recebidas e apresentadas pela Diretora para aquela imensa plateia de pais e a seguir, ela nos passou o microfone. Fizemos as formalidades de praxe acompanhadas por um grande desejo de “Boa Noite” a todos os presentes.

A minha fala inicial não poderia ser diferente, até porque nós nos sentíamos inclusas nela. Começamos como uma pergunta acompanhada com sua resposta: “Vocês sabem por que nós viemos aqui? Viemos para parabenizar a todos vocês, ao Bairro do Matadouro que neste ano recebe um maravilhoso prédio escolar, com uma construção sólida, ampla, de excelente qualidade para receber seus filhos”. Bastou essa colocação firme, serena para desanuviar os semblantes tensos.

A seguir convidamos a todos os presentes para conhecerem o prédio e suas instalações. Voltamos para os “finalmentes”. Explicamos a nossa aparente precipitação da instalação da escola ainda em acabamento, pedimos a compreensão dos pais para aquele fato passageiro e a seguir formamos um grupo de mães com disponibilidade para dar um apoio em relação à merenda e assim foi encerrada a reunião, sem nenhum parecer contrário.

Nós, a Assistente de Planejamento e eu, saímos conscientes de que o nosso planejamento foi perfeito. Esse momento para nós tornou-se a inauguração oficial da escola, que nasceu de um “parto” meio prematuro, mas foi e continua sendo muito bem cuidada pela direção, pelos supervisores, pelos coordenadores, pelos professores, pelos funcionários da secretaria, pelos agentes de serviço, pela zeladoria, pelos alunos.

Queremos incluir os pais e a comunidade toda, pois o prédio escolar, a instituição (escola) que nele funciona é um equipamento social público que pertence a todos nós. Sejamos todos corresponsáveis na sua vigilância, nos seus cuidados. Mais uma vez, voltamos a destacar a importância do pertencimento dos bens públicos, materiais e institucionais, sem nos esquecermos das nossas calçadas, das nossas ruas, das nossas praças, da lixeiras, dos abrigos de ônibus etc. etc. etc.

Aproveitamos este espaço para dizer que nós nos sentimos muito felizes quando vemos a escola pública brilhar na competência da direção, na competência dos seus professores e na competência dos seus alunos. A foto do Bragança-Jornal reflete a felicidade dos alunos, professores e direção. Parabéns a todos! Parabéns à Escola Estadual “Prof. Maria José Moraes Salles”, que nasceu forte, vigorosa, modelar, a Menina dos nossos Olhos”.

Obs.Aos pais, alunos, professores e direção, que viveram essa “epopeia” , dizemos que os primeiros estão mais experientes, os segundos já encaminhados, os terceiros já aposentados, todos são as nossas testemunhas vivas desse pedaço da nossa história profissional.
Para não perder o costume:

A C O R D A B R A G A N Ç A ! ! !