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BragançaPaulista18 Jan 2018


Colunistas


Raul de Aguiar Leme e sua dedicação à nossa terra
Quarta-Feira,  15 MAR 2017
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 O dia havia amanhecido triste, sem sol. Uma garoa fina teimava em cair, molhando a rua por onde eu passava, a caminho do Grupo Escolar. Ao chegar à Praça José Bonifácio, notei uma aglomeração de pessoas ao lado de um prédio defronte o então existente Paço Municipal.

Ao chegar mais perto, ouvi comentários que havia acabado de falecer um dos mais ilustres bragantinos daquela época. Efetivamente, Raul de Aguiar Leme deixava de existir, para viver tão só na memória de seus conterrâneos e principalmente daqueles que faziam parte de sua família.

Naquele tempo ainda não tinha conhecimento de quem era aquela figura que havia desaparecido naquela fria manhã de sete de outubro de 1939. Com o decorrer dos anos, conhecendo um pouco a história de Bragança Paulista, soube dos benefícios que aquele ilustre cidadão trouxe à nossa cidade.

Descendente de tradicional família bragantina, pela projeção política que sempre desfrutou, Raul de Aguiar Leme, à frente dos problemas que diziam respeito à sua terra, jamais negou o seu concurso para que nossa cidade se alinhasse ao lado das demais cidades de seu porte, situadas no interior paulista.

De sua atuação como político, nunca é demais que se diga, não encontramos um de maior prestígio e nem administrador que orientasse a sua ação no sentido da mais absoluta honradez, a ponto de ser citada em seu tempo, como modelar.

Político sereno, quando as perseguições políticas eram o meio utilizado para o aniquilamento dos adversários, jamais Raul de Aguiar Leme se serviu dessa odiosa arma a fim de desembaraçar-se de seus adversários.

Homem que prezava os seus semelhantes, sentindo a miséria dos que os cercavam, servido por um coração boníssimo, nunca deixou de atender aqueles que necessitavam de seu auxílio em qualquer hipótese.

Várias foram as desilusões que passou e muitas as injustiças de que fora alvo, resultantes de paixões políticas mal orientadas, porém, sempre saía vitorioso das porfias nas quais tomava parte.
Em seus últimos anos de vida, com a saúde seriamente abalada, havia se afastado do cargo de Prefeito Municipal, mas, homem experimentado, era sempre consultado nos momentos mais graves para os interesses bragantinos.

Se fizéssemos um retrospecto dos benefícios que o referido político trouxe para sua terra, haveríamos de dedicar um espaço incomensurável para as citações. Entretanto, queremos apenas lembrar que o prédio onde se situava o “Colégio Diocesano São Luiz”, hoje relegado ao abandono, foi adquirido em sua gestão como Prefeito Municipal e doado à Diocese nos idos de 1928, tendo nessa mesma ocasião conseguido uma subvenção para a instalação de uma Escola Normal livre, a qual foi criada em anexo ao “Colégio Sagrado Coração de Jesus”.

Durante a sua gestão, muitos melhoramentos foram carreados à cidade, como, por exemplo, a reconstrução do prédio do Mercado Municipal, a reforma do Matadouro Municipal, hoje desativado, calçamento e abertura de novas ruas, entre as quais a atual Avenida Antônio Pires Pimentel, arborização de praças, reforma do Parque das Pedras, dentre outros serviços públicos de relevância na época.

Raul de Aguiar Leme fazia parte de várias Irmandades ligadas à Igreja, entre elas, a do Santíssimo Sacramento e de Nosso Senhor dos Passos da Santa Casa de Misericórdia, da qual foi Irmão benemérito.

Nestas linhas sintetizamos os benefícios prestados pelo ilustre cidadão bragantino à cidade que lhe serviu de berço, pois, muitos dos jovens que vêem o seu busto perpetuado em bronze sobre um pedestal localizado no centro da Praça que hoje leva o seu nome, desconhecem o seu valor à cidade.

Nós, que tivemos a oportunidade de vê-lo por diversas vezes em vida e sendo reverenciado por enorme multidão no dia de seu sepultamento, louvamos a sua importante figura por tudo aquilo que representou na vida social e política de sua terra natal, lembrando que as pessoas passam, porém os atos por elas praticados ficam para a posteridade.

JOSÉ CARLOS CHIARION é advogado, escritor e membro da Associação dos Escritores (ASES). Foi vereador; colunista do Bragança-Jornal Diário; participou da fundação e foi presidente da Associação Bragantina de Imprensa (ABI). É autor do livro “Um Pouco da Nossa História”.

EM TEMPO: Acompanhe toda sexta-feira, no “Altiora Jornal” exibido pela nossa TV Altiora, às 19:00 horas, a “Agenda Cultural”, onde cada semana um assunto dos aqui por nós abordado é comentado pelo jornalista Fabio Silverio, com a colaboração fotográfica de Luis Antonio Palombello.