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BragançaPaulista16 Jan 2018


Colunistas


Arquitetura sustentável e ecológica
Terça-Feira,  14 MAR 2017
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 Quando pensamos num novo modelo de morar, logo vem à mente as ecovilas. Novas comunidades, um modelo de vida diferente, com novos conceitos, mudanças de hábitos e atitudes. Estamos preparados para isto? Muito bonito pra quem vai visitar, passar férias, mas será que acostumamos com este novo estilo e jeito de viver?

Podemos refletir mais sobre o presente, onde moramos ou num modelo de casa preocupada em causar menor impacto à natureza e que utilize técnicas sustentáveis como iluminação e ventilação natural, reaproveitamento da água das chuvas, jardins verticais, utilização de telhados verdes, quintais permeáveis com hortas e pomares, materiais locais e naturais (terra, tijolos ecológicos, adobe, tintas não tóxicas, bambu, madeiras certificadas, etc). Este modelo é mais fácil de aderir, pois só depende do querer, da atitude ou da própria vontade.

Vale pensar também na funcionalidade, na pouca manutenção, no conforto, na integração, no convívio, na beleza natural, na forma, na textura, na cor, tudo se compõe numa criação espontânea inspirada na natureza. Nem só de paredes, de telhados, de portas e de janelas se faz uma casa, já que uma moradia significa o seu jeito e estilo de viver, no contexto de um bairro, de uma cidade, na preservação da natureza e dos valores culturais. Mas afinal, qual a diferença entre arquitetura sustentável e arquitetura ecológica?

A arquitetura ecológica é aquela que tem cuidado especial com a integração do edifício com o meio ambiente, procurando causar o menor impacto possível à natureza. Já a arquitetura sustentável é aquela que busca minimizar os impactos ao meio ambiente, sendo ecologicamente correta, mas também deve promover o desenvolvimento social e cultural, além de ser viável economicamente. Busca também a eficiência energética e hídrica, com o uso de novas tecnologias que otimizam a construção, como por exemplo o uso de painéis solares fotovoltaicos e sistemas de automação, entre outros.

Está claro que os conceitos são semelhantes. Uma construção ecológica pode ser sustentável e uma construção sustentável pode ser ecológica, mas não necessariamente. Uma construção ecológica pode não ser sustentável, quando, por exemplo, apesar de não agredir o meio ambiente o edifício tiver um ciclo de vida curto ou a necessidade constante de manutenção que torne o uso financeiramente inviável, ou até quando não forem cumpridos os direitos dos trabalhadores.

O importante ao fazer um projeto é ter em mente os conceitos acima, independente do nome, pois isto já define uma boa e correta arquitetura. Por mais cuidado que se tenha ao pensar numa construção ecológica e sustentável, sempre vai existir algum tipo de impacto, seja ele ambiental, social ou econômico.

O ideal é que seja o menor impacto possível. O planejamento sustentável aproveita e compra os materiais produzidos na região, pois assim não há altos custos com o transporte do material e reduz-se a emissão de gás carbônico. Preocupa-se também com a redução dos resíduos gerados na execução, na obra, procurando reaproveitar o máximo no sentido de diminuir perdas.

O Conselho Internacional da Construção – CIB aponta a indústria da construção como o setor de atividades humanas que mais consome recursos naturais e utiliza energia de forma intensiva, gerando consideráveis impactos ambientais. Outro aspecto importante é utilizar o terreno na topografia natural, sem movimentação de terra com a preservação da natureza existente.

Os governos municipais podem induzir boas práticas e novos conceitos, por meio da legislação urbanística e código de edificações, com incentivos tributários e convênios com as concessionárias dos serviços públicos (água, esgotos, energia) e prestadoras de serviços (construtoras e incorporadoras), no sentindo da implantação de edificações sustentáveis e ecológicas.

Quem sabe na revisão do nosso Plano Diretor e do Código de Urbanismo alguém tenha a boa vontade de contemplar este novo modelo. Vamos refletir um pouco sobre a nossa casa. Podemos adaptá-la de forma a sermos parcialmente ecológicos? Podemos ter soluções que impactem menos a natureza? Como iniciar estas mudanças de hábitos? Não pense muito, comece agora! COLABORAÇÃO DAS AGENTES SOCIOAMBIENTAIS BIA MAIA E CARLA DOMINGUES