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BragançaPaulista18 Jan 2018


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Com as últimas chuvas, moradores de nossa Bragança sofrem com os problemas das enchentes
Sábado,  11 MAR 2017
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 As águas de março são generosas. Tem por finalidade encharcar o solo, abastecer ao máximo as minas, os olhos d’água, os ribeirões, os rios; é quase um rito do fim da temporada da estação das águas e um preparo para a entrada da estação da seca.

As chuvas volumosas que não conseguem ser absorvidas pelo solo, formam corredeiras e descem morro abaixo na procura das várzeas para inundá-las, fertilizá-las e manter a sua fauna e a sua flora. Pois é, a natureza é sábia, mas o homem é o seu destruidor.

COM AS ÚLTIMAS CHUVAS, MORADORES DE NOSSA BRAGANÇA SOFREM COM OS PROBLEMAS DAS ENCHENTES. RESPONSÁVEL: O SER CHAMADO DE “HOMO SAPIENS”

Essa nossa situação nos remete ao grande pensador Bertold Brecht, que escreveu: “Do rio que tudo arrasta se diz violento, mas não se dizem violentas as margens que o oprimem”. Transportemos essa verdade para as nossas enchentes. Bem lá atrás, as enchentes aconteciam no Lavapés, a parte baixa da cidade. O ribeirão Lavapés já vinha sendo espremido nas suas margens e no seu leito. Esse fato parece contínuo, atingem outros ribeirões.

A cidade está impermeabilizada nas ruas e nas casas, a sua área central se localiza num “monte”, o que facilita a formação de enxurradas que inundam rapidamente as partes baixas. E o que acontece? A água explode nas ruas, nas residências, nas casas comerciais. Prejuízo para todos nós.

Cada servidor público deslocado para “cuidar” da enchente; cada material, cada equipamento utilizado, nós pagamos. E quem são os culpados-mor? Os ex-prefeitos, os ex-vereadores, a população que não fez e não faz a sua parte. Uns já morreram. Os vivos assistem de camarote.

A maioria, nem o básico fez. Cabe um parêntese: O atual prefeito Jesus Chedid numa das suas administrações canalizou uma boa extensão do ribeirão Anhumas, o que minimizou o problema da enchente local. Fez, não ignorou o problema. E novamente, ele está com os problemas nas mãos: as inundações se ampliaram. É urgente combater as causas e saná-las.

A INCOMPETÊNCIA DE ADMINISTRADORES PÚBLICOS DEIXAM HERANÇAS DESASTROSAS. AFIRMAÇÃO VERDADEIRA, SEM DÚVIDA

Pois é, os prefeitos desde os “detrás” não tiveram olho para enxergar a dimensão do problema que se vislumbrava com a enchente do Lavapés. Não foram capazes de estudar a topografia da cidade e os arredores, o avanço da impermeabilização, de descobrir as áreas vulneráveis, de fazer um Plano Diretor e de elaborar planejamentos calcados na realidade, e se os fizeram, não exigiram o seu cumprimento. Ainda ocorre a ocupação desordenada do solo e aqui cabe uma observação: como os loteamentos cuidam da captação das águas pluviais? Ou melhor: Como se aprovam os loteamentos?

O que se imaginar? É preciso impedir a invasão de áreas de preservação permanente - as APPs, das margens dos ribeirões, dos córregos e até do nosso rio Jaguari que beira a zona norte.A enchente do Lavapés “subiu”, está na Avenida José Gomes da Rocha Leal, na 19 de Abril, na Jerônimo Carretero, na Vila Malva. A rodoviária velha e o cruzamento da Travessa Itália com a Av. Pires Pimentel também sofrem com alagamentos.

Pois é, o problema das enchentes rompeu os limites da área central, hoje já corre no Jardim Santa Helena, na Av. Alberto Diniz, no Jardim da Fraternidade. As causas precisam ser investigadas e as soluções encontradas. Não dá para acreditar que temos construções recentes nas margens de ribeirões, em aterros que causam assoreamentos, na impermeabilização total dos quintais das casas, nos desmatamentos, nas praças sem jardins, na eliminação do restante das várzeas. Ah! Se tivéssemos tido bons administradores municipais, poderíamos ter um cinturão verde com espaço para vazão das águas, margeando o “monte” onde se instalou o marco inicial de nossa Bragança. Tentem desenhar este quadro!

Agora o “problemaço” das enchentes na Av. José Gomes da Rocha Leal e nas ruas contíguas, parece irreversível. A Lei da Gravidade é imutável. Cada nuvem negra no céu dispara o alerta dos moradores, dos comerciantes dos locais alagadiços, juntamente com o pessoal da segurança, da defesa civil e do corpo de bombeiros.

E o que fazer? Preservar as vidas e rezar para que a chuva passe. É impossível restituir as margens tomadas dos ribeirões. É impossível recuperar as nossas várzeas, mas é possível prevenir, estancar, eliminar os focos de enchentes que estão se alastrando nos bairros do entorno, para que não se repita a história do Lavapés. Será que ainda dá tempo?

Por certo, o prefeito já acionou os secretários municipais do meio ambiente, de planejamento, de obras, em relação às ações que serão tomadas para resolver esse angustiante problema. Não se pode deixar do jeito que está.

Os conselheiros municipais dessas pastas estão se mobilizando? E os nobres vereadores, o que têm a apresentar? Na secura do inverno não se pode esquecer que os verões são sempre chuvosos.

A C O R D A B R A G A N Ç A ! ! !