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BragançaPaulista17 Jan 2018


Colunistas


O Mercado Municipal de nossa cidade: Dedicado à Prof. Nicéia Dorsa Figueiredo
Quarta-Feira,  08 MAR 2017
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 Dia destes, passando pela Rua Coronel Teófilo Leme, parei defronte o prédio do Mercado Municipal. Revolvendo as cinzas do passado, pensei rememorar a história desse patrimônio do município.

Voltemos ao ano de 1887, época da inauguração daquele prédio pelo então presidente da Câmara Municipal de nossa terra, Emydio da Silveira Vasconcellos. Já de início, o “vai e vem” de negociantes e da população naquele local veio demonstrar que a iniciativa seria coroada de êxito.

Com o decorrer do tempo, tendo em vista o grande movimento daquele edifício municipal que recebia grande número de sitiantes e de chacareiros que ali vinham vender seus produtos, foi necessário que se introduzissem melhoramentos não só para os que faziam seu comércio no local, como também para o público que ali afluía para fazer compras.

Na gestão de Raul de Aguiar Leme como Prefeito Municipal, foi efetuada a primeira reforma do local, sendo o administrador de obras responsável pelo serviço o meu avô Carlos Chiarion.

A modificação foi iniciada em 1927 com o calçamento do pátio interno e a colocação de um bebedouro de água para o público. N

o ano seguinte fizeram-se a cobertura da parte interna sobre colunas de cimento armado, a reforma das divisões, modificação dos corredores, substituição dos quiosques, remodelação da fachada e partes laterais, além de pintura, instalação de aparelhos sanitários na parte inferior e aumento dos portões laterais. Em 1929, concluíram-se as obras, ficando o Mercado Municipal em condições de melhor receber não só os que faziam ali o seu comércio como a população que o frequentava.

Na parte dos fundos do Mercado Municipal, havia um extenso pátio onde os sitiantes, chacareiros e outros cidadãos deixavam ali suas conduções, tais como carrocinhas, aranhas e carroças maiores que transportavam cereais para serem vendidos no local ou nos armazéns das redondezas.

Naquele pátio havia também um enorme bebedouro para os cavalos e um lugar próprio para os animais se alimentarem.

Até o início da década de 1950, foram feitos pequenos reparos naquele prédio, porém, na primeira gestão do Dr. Lourenço Quilicci como prefeito municipal, que medeia os anos de 1952 e 1955, foi efetuada uma outra grande reforma naquele imóvel, tendo o engenheiro Regolo Anacleto Checchettini como responsável pelos serviços.

Foram muitas as obras realizadas, a começar pela fachada e entradas laterais. Além de ser completamente reestruturada a parte térrea, construiu-se um andar acima, que abrigou por longos anos diversos departamentos da Prefeitura Municipal de Bragança Paulista.

Na parte posterior do Mercado, o pátio então existente foi demolido e o prédio aumentado até a Avenida Antônio Pires Pimentel, ficando a parte interna mais espaçosa.

Todos os Prefeitos Municipais que precederam o Dr. Lourenço Quilicci quando pela primeira vez ocupou o referido cargo, fizeram modificações tanto na parte térrea, como no andar superior ou no inferior do prédio.

Nós, que tivemos a ventura de conhecer o Mercado Municipal desde nossa meninice, lembramos não só dos comerciantes estabelecidos naquele local, como o José Benedito de Oliveira, o João de Freitas, o Miguel Ninni e outros, assim como também recordamos dos chacareiros e dos vendedores de queijo.

Lembramos dos quiosques onde se vendia café, dos vendedores de garapa e de rapadura, dos negociantes de quinquilharias e dos açougueiros Francisco, Eugenio e Emilio Zamper, o Quita, o Nhônhô, do Waldemar de Toledo Funck (cujo nome ficou ali perpetuado, quando escolhido pela Câmara Municipal, da qual foi Presidente), do seu irmão Mário Funck, do Chico de Oliveira, do João Pires de Arruda, mais conhecido por João Mesquita, que eram negociantes de gado bovino e suíno e possuíam açougues no local.

Recordo-me também da sorveteria do Hazoff, com frente para a rua do Mercado, um senhor de nacionalidade russa, sempre com um gorro branco na cabeça. Lá no Mercado Municipal tomei muitas vezes a água fresca que corria nos bebedouros muito asseados situados na praça interna daquele logradouro.

É com uma boa pitada de saudades que recordamos aqueles bons tempos de criança quando, até meados da década de 1940, na frente do prédio do Mercado havia uma parada do ônibus que fazia a linha para São Paulo, e a molecada ficava esperando o coletivo para levar as malas dos viajantes que ali aportavam para ganhar algum dinheiro e comprar um picolé na sorveteria ou então um pastel ou um doce no bar do João De Bellis, que ficava em frente ao Mercado.

Ainda guardo com carinho a lembrança das vezes que ia com minha mãe fazer compras no local, das ocasiões que lá comprava o delicioso queijo cavalo, precursor da mussarela. Este queijo era encomendado para a esposa do Francisco De Bellis, que os fabricava em sua chácara, situada onde hoje é a sede da A.A. Banco do Brasil, nos altos da Vila Aparecida, e os trazia para vender no Mercado.

A roda do tempo continua a girar e esta é a oportunidade que temos para contar um pouco da vida do nosso Mercado Municipal e das lembranças deixadas pelo vetusto prédio.

Esperamos que esse local volte a ser palco de muitos fatos notáveis para esta geração que não conheceu o Mercado Municipal Waldemar de Toledo Funck nos tempos passados e que faz parte da nossa história.

JOSÉ CARLOS CHIARION é advogado, escritor e membro da Associação dos Escritores (ASES). Foi vereador; colunista do Bragança-Jornal Diário; participou da fundação e foi presidente da Associação Bragantina de Imprensa (ABI). É autor do livro “Um Pouco da Nossa História”.

EM TEMPO: Acompanhe toda sexta-feira, no “Altiora Jornal” exibido pela TV Altiora, às 19 horas, a “Agenda Cultural”, onde cada semana um assunto dos aqui por nós abordado é comentado pelo jornalista Fabio Silverio, com a colaboração fotográfica de Luis Antonio Palombello.