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BragançaPaulista18 Jan 2018


Colunistas


Francisca Hedwiges Gonzaga (1847-1935)
Sábado,  25 FEV 2017
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 Chiquinha Gonzaga e sua música têm importância fundamental para o carnaval brasileiro, conforme pode ser constatado no relato feito por Mariza Lira, sua primeira biógrafa: “Aproxima-se o carnaval de 1899”.

Defronte a casa de Chiquinha Gonzaga, no Andaraí (RJ), um cordão desesperava a vizinhança com ensaios dos cânticos e danças, numa barulheira infernal. Certa vez, Chiquinha pode apreciar as evoluções dos figurantes, vendo os negros caminharem aos arrancos, em negaças, requebros e contorções incríveis, em ritmo estranho. Era o cordão “Rosas de Ouro”.



Uma tarde de domingo, Chiquinha foi procurada por uma comissão. Três ou quatro homens negros fortes, de largas calças bombachas, fraques pretos, colarinhos muito altos e chapéus de coco, esperavam-na de pé.

Vinham pedir um obséquio: Que fizesse a música para o cordão “Rosas de Ouro”. A compositora não sabia negar e a comissão saiu certa de que teria a música. Inspirada no ritmo estranho dos negros, nos seus passos coreográficos originais, na alegria ruidosa, ela pode compor o seu famoso “Abre Alas”:

Ó abre alas
Que eu quero passar (bis)
Eu sou da lira
Não posso negar
Ó abre alas,
Que eu quero passar
Rosas de Ouro
É quem vai ganhar.


E o “Rosas de Ouro” ganhou mesmo. O “Abre Alas” foi o grande sucesso naquele carnaval e em muitos outros.

Aos 87 anos de idade, falecia Chiquinha Gonzaga, deixando um legado de 77 partituras de peças teatrais, entre operetas, burletas e revistas, e cerca de duas mil composições, entre polcas, choros, tangos, valsas, canções, modinhas, entre outras.

Além de querida por todos, Chiquinha continua sendo uma insuperável figura feminina no universo musical brasileiro.