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BragançaPaulista18 Jan 2018


Colunistas


O respeito e a hipocrisia
Sábado,  11 FEV 2017
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 A palavra respeito vem do latim respectus, particípio passado de respicere, “olhar outra vez”, de re-, “de novo”, mais specere, “olhar”. A ideia é de algo que merece um segundo olhar e tem qualidades que levam a uma atitude de consideração e reverência.

O respeito demonstra um sentimento positivo por uma pessoa ou para uma entidade. Respeito também pode ser um sentimento específico de consideração pelas qualidades reais do respeitado.

Ações que honram a alguém ou a alguma coisa são consideradas respeito. Isso evoca, portanto, a ideia de reconhecer alguma coisa como valorosa em relação ao que foi feito, quando é valoroso ser reconhecido.....

Não respeitar uma ação de alguém ou uma situação por esta pessoa vivenciada, partindo-se da definição acima, não me parece, definitivamente, posicionar-se de uma forma ofensiva contra essa pessoa. “Apenas” não estamos reconhecendo como valoroso algo que frente à nossa maneira de pensar, não o seja.

A hipocrisia, por sua vez, poderia ser definida como o ato de fingir ter crenças, virtudes, ideias e sentimentos que a pessoa, na verdade, não as possui. A palavra deriva do latim hypocrisis e do grego hupokrisis ambos significando a representação de um ator, atuação, fingimento (no sentido artístico). Essa palavra passou mais tarde a designar moralmente pessoas que representam, que fingem comportamentos.

Comportar-se em desacordo com as nossas crenças morais, fingindo aceitar algo que consideramos errado e que esteja em desacordo com os nossos valores, apenas para estar bem (ou não ficar mal) frente à sociedade e às pessoas, me parece, portanto, que se chama “hipocrisia”.

Falhos que somos, dou o crédito a nós mesmos, visto que, muitas das vezes, simplesmente não paramos para refletir sobre os fatos, deixando-nos levar pela emoção em nossos atos e posicionamentos.

É preciso firmeza moral e coerência nas forma de pensar e agir para sustentarmos certos posicionamentos e, por vezes, é mais cômodo ceder. Afinal, quem está querendo, nos dias atuais, “perder tempo” suportando valores morais em um momento tão conturbado como o que vivemos? Cedemos ao “deixa prá lá”....

Não me parece, no entanto, que foi o comportamento exemplificado pelo Cristo. O Mestre, ao contrário do que muitas vezes pensamos, não era tão “bonzinho” assim. Com a sua atitude bondosa (e não boazinha) no intuito de nos ensinar e nos chamar a atenção à nossa forma de pensar e de agir, cansou de puxar nossas orelhas e nos dar bons exemplos.

Não é raro encontrarmos no próprio Evangelho expressões tais como: “hipócritas”, “homens de pouca fé”, “se tivésseis fé”, “quem me nomeou juiz de vós outros?”, etc etc etc (o espaço que dispomos nesse artigo não seria suficiente para enumerarmos todos os exemplos....)

Jesus, nosso Mestre e modelo a ser seguido, foi para a cruz fiel aos seus princípios. Nos ensinou que devemos amar aos nossos inimigos, mas que o nosso coração não pulsa com a mesma intensidade na presença de um inimigo, como na presença de quem amamos.

Que devemos sim oferecer a outra face como exemplo de humildade, mas que temos não só o direito como a responsabilidade e o dever da nossa defesa visando a preservação do bem, caso contrário o mal a tudo dominaria.

O Evangelho Segundo o Espiritismo traz uma lição muito interessante e correlata ao tema, quando trata da revelação do mal. Senão vejamos:

Há casos em que seja útil descobrir o mal alheio?

Esta questão é muito delicada, e precisamos recorrer à caridade bem compreendida. Se as imperfeições de uma pessoa só prejudicam a ela mesma, não há jamais utilidade em divulgá-las. Mas se elas podem prejudicar a outros, é necessário preferir o interesse do maior número ao de um só.

Conforme as circunstâncias, desmascarar a hipocrisia e a mentira pode ser um dever, pois é melhor que um homem caia, do que muitos serem enganados e se tornarem suas vítimas. Em semelhante caso, é necessário balancear as vantagens e os inconvenientes.

Para finalizar, reproduzo dois trechos da lição denominada “O homem de bem” de O Evangelho Segundo o Espiritismo:

“O verdadeiro homem de bem é aquele que pratica a lei de justiça, de amor e caridade, na sua maior pureza. Se interroga a sua consciência sobre os próprios atos, pergunta se não violou essa lei.....”

“Considera que aquele que prejudica os outros com palavras maldosas, que fere a suscetibilidade alheia com o seu orgulho e o seu desdém, que não recua à ideia de causar um sofrimento, uma contrariedade, ainda que ligeira, quando a pode evitar, falta ao dever do amor ao próximo e não merece a clemência do Senhor.”

Envie suas dúvidas, comentários, críticas e sugestões para o Autor: Silney de Souza, pelo email: silney.souza@yahoo.com.br