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BragançaPaulista22 Jan 2018


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Existem milagres?
Sábado,  21 JAN 2017
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 Sim; milagres existem!!! Mas apenas se tomarmos a palavra milagre em sua acepção etimológica (de mirari : admirar), pois aí sim poderemos afirmar que existem coisas admiráveis e surpreendentes que aconteceram, acontecem e acontecerão ainda neste mundo.

Porém, em se tomando a palavra em sua acepção moderna ou teológica, por assim dizer, como algo que contraria as leis naturais, aí dizemos que milagres definitivamente não existem.

Como nos ensina a Doutrina Espírita, aquilo que chamamos de sobrenatural decorre da nossa falta de conhecimento dos fenômenos naturais. Peguemos um exemplo bem prático. Vamos supor que no início da década de 90 (isso mesmo, pouco mais de 20 anos atrás) alguém nos apresentasse um telefone celular semelhante ao que carregamos em nosso bolso hoje em dia. Imagine que essa pessoa lhe mostrasse tudo que esse pequeno aparelho faz. Acesso à rede mundial de computadores, e-mail, WhatsApp, fotografias, filmagens, etc. etc. etc. ... .

Com base na tecnologia disponível na época, esse “aparelhinho” ganharia conotações sobrenaturais, extraterrestres ou até miraculosas. E por quê? Porque à época desconhecíamos a tecnologia que nos permitia realizar todos esses feitos que realizamos atualmente. Simples assim! A falta de conhecimento tecnológico da época não nos permitiria supor que fossemos “naturalmente” capazes de realizar tais feitos.

Guardadas as proporções devidas, no campo religioso não é diferente. Nos acostumamos a denominar de sobrenaturais e de milagres uma série de coisas que, tivéssemos nós a elevação moral necessária e os conhecimentos requeridos, também estaríamos em plenas condições de realizá-los. E não sou eu quem diz isso. Nosso Mestre Jesus assim nos ensinou quando disse que poderíamos fazer tudo que Ele fez e muito mais.

Hoje, por exemplo, sabemos, graças aos estudos e curas realizadas por Mesmer nos idos de 1700, que Jesus curava por meio do uso do magnetismo. “Tua fé de curou”! Mas que fé é essa? A fé cega? Não. A fé raciocinada, que é aquela que enfrenta a razão face a face em todas as épocas da humanidade.

Jesus transformou água em vinho, multiplicou pães e peixes e andou sobre as águas. Me perdoem as religiões dogmáticas, às quais respeito muito, mas Jesus só fez tudo isso por uma razão.... Ele sabia como fazer! E obviamente foi o exemplo da caridade posta em ação.

Na questão 33 de “O Livro dos Espíritos”, Allan Kardec pergunta: “A mesma matéria elementar é suscetível de receber todas as modificações e de adquirir todas as propriedades?”

Resposta: “Sim, e isso é o que se deve entender quando dizemos que tudo está em tudo”.
Este princípio explica o fenômeno conhecido de todos os magnetizadores e que consiste em dar-se, pela ação da vontade, a uma substância qualquer, à água, por exemplo, propriedades muito diversas: um gosto determinado e até as qualidades ativas de outras substâncias.

Desde que não há mais de um elemento primitivo e que as propriedades dos diferentes corpos são apenas modificações desse elemento, o que se segue é que a mais inofensiva substância tem o mesmo princípio que a mais deletéria.

Assim, a água, que se compõe de uma parte de oxigênio e de duas de hidrogênio, se torna corrosiva, duplicando-se a proporção do oxigênio.

Transformação análoga se pode produzir por meio da ação magnética dirigida pela vontade. Se podemos mudar as características intrínsecas da água, por que não poderíamos transformar as do corpo, que é composto de cerca de 80% de água?

Faço referência ainda ao “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, que nos ensina que: “Há quem conteste a eficácia da prece, com fundamento no princípio de que, conhecendo Deus as nossas necessidades, inútil se torna pedir. Sem dúvida alguma, há leis naturais e imutáveis que não podem ser ab-rogadas ao capricho de cada um; mas, daí a crer-se que todas as circunstâncias da vida estão submetidas à fatalidade, vai grande distância.

Se assim fosse, nada mais seria o homem do que instrumento passivo, sem livre-arbítrio e sem iniciativa […]. Deus não lhe outorgou a razão e a inteligência, para que ele as deixasse sem serventia; a vontade, para não querer, a atividade, para ficar inativo.

Sendo livre o homem de agir num sentido ou noutro, seus atos lhe acarretam, e aos demais, consequências subordinadas ao que ele faz ou não. Há, pois, devido à sua iniciativa, sucessos que forçosamente escapam à fatalidade e que não quebram a harmonia das leis universais […].

Possível é, portanto, que Deus aceda a certos pedidos, sem perturbar a imutabilidade das leis que regem o conjunto, subordinada sempre essa anuência à sua vontade”.
Por fim, supor que o Criador derrogue suas leis, naturais e imutáveis, seria admitir que o universo não tivesse qualquer estabilidade.

Repito o que nos ensina a Doutrina dos Espíritos: “aquilo que chamamos de sobrenatural decorre da nossa falta de conhecimento dos fenômenos naturais”. Consequentemente, milagres no sentido de alteração das leis naturais definitivamente não existem!

Envie suas dúvidas, comentários, críticas e sugestões para o Autor: Silney de Souza, pelo email: silney.souza@yahoo.com.br