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BragançaPaulista21 Jan 2018


Colunistas


Os antecedentes da codificação da doutrina espírita
Sábado,  17 DEZ 2016
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 Os fenômenos espíritas datam da mais remota Antiguidade. Ao longo da história, constatamos a presença desses fenômenos tanto entre os povos mais selvagens, quanto entre os homens chamados civilizados. No entanto, a época que se costuma fixar como marco inicial da História do Espiritismo é o fenômeno das “mesas girantes”, na França.

Tais fenômenos aconteceram simultaneamente àqueles produzidos a partir de 31 de março de 1848, no vilarejo de Hydesville, em Rochester, nos Estados Unidos, por intermédio das irmãs Fox. Essa época foi caracterizada por uma verdadeira “invasão espiritual organizada”, com um determinado objetivo: preparar ambiente para o advento da Terceira Revelação, anteriormente a esses fatos, há alguns registros históricos que merecem destaque:

Emmanuel Swedenborg (1688 – 1772) era dotado da chamada “vidência à distância”, aquela na qual a alma emancipa-se do corpo e vai buscar informações à distância, voltando com notícias do que se passou nesses lugares. Swedenborg afirmou a pluralidade dos mundos habitados e foi considerado um dos pioneiros a anteceder a invasão dos Espíritos no mundo físico, não só por ter sido um médium vidente, mas também pela verdadeira antevisão dos princípios básicos da Doutrina Espírita em que se constituiu sua teologia.

Edward Irving (1792 - 1834) pastor protestante e grande estudioso bíblico, desenvolveu estudos voltados às manifestações espirituais. Há relatos de experiências psíquicas realizadas por Irving com membros de sua Igreja Escocesa, onde houve um surto mediúnico no qual os adeptos falaram diversas línguas, semelhante ao episódio do pentecostes.

Os Shakers - Os fenômenos ocorridos na Comunidade de Shakers (EUA) iniciaram-se com alguns “sinais de aviso”, seguidos por indícios de obsessão de quase toda a comunidade. Conta-se que entre os principais “visitantes” estavam Espíritos de índios Peles Vermelhas.

Os Shakers contavam com um homem de notável inteligência, chamado F. W. Evans que juntamente com seus companheiros, depois da primeira perturbação física e mental causada pela irrupção daqueles Espíritos, puseram-se a estudar o que aquilo realmente significava. Concluíram então que os índios não tinham vindo ensinar, mas sim aprender.

Andrew Jackson Davis (1826 – 1910) era portador de clarividência e também ouvia vozes. Antes dos 20 anos já tinha escrito um dos livros mais profundos e originais de filosofia produzidos até então, denotando a possibilidade de que tais conhecimentos não tinham vindo dele mesmo e de que não passava de um canal, através do qual fluía o conhecimento daquele vasto reservatório espiritual.

Há relatos que afirmam que sua alma podia emancipar-se pela ação magnética. Davis afirmava que não se recordava do que via em transe, mas que tudo ficava registrado em seu subconsciente e mais tarde recuperava com clareza. Em seu livro “Princípios da Natureza”, previu o aparecimento do Espiritismo como doutrina e prática mediúnica.

Franz Anton Mesmer (1734-1815) revelou ao mundo a ciência do Magnetismo Animal. Esta ciência ainda é praticamente desconhecida no meio acadêmico da medicina. Infelizmente, o estudo do magnetismo ainda é pouco comum também no meio espírita, sendo os benefícios inerentes à sua aplicação ainda restritos a uma quantidade bastante reduzida de Casas Espíritas.

Kardec estudou o Magnetismo por mais de 35 anos e afirmou que as duas ciências (espiritismo e magnetismo) formam um só corpo. Um fato curioso a destacar foi que Kardec quase ficou cego, vítima de uma “Amaurose”. Desacreditado pelos médicos, Kardec foi curado por um magnetizador.

Na Introdução de O Livro dos Espíritos, Kardec faz menção à série progressiva de fenômenos que despertaram interesse nele e que acabaram por dar origem a esta doutrina, dizendo:

“O primeiro fato observado foi o movimento de objetos; designaram-no vulgarmente com o nome de mesas girantes ou dança das mesas. Esse fenômeno, que parece ter sido observado primeiramente na América, ou melhor, que se teria repetido nesse país, porque a História prova que ele remonta à mais alta Antiguidade, se produziu acompanhado de circunstâncias estranhas, como ruídos insólitos e golpes desferidos sem uma causa ostensiva, conhecida.

Dali, propagou-se rapidamente pela Europa e por outras partes do mundo; a princípio provocou muita incredulidade, mas a multiplicidade das experiências em breve não mais permitiu que se duvidasse da sua realidade.”

Quanto às características dos movimentos produzidos, nos conta ainda Kardec que:

“Frequentemente era brusco, desordenado, o objeto violentamente sacudido, derrubado, conduzido numa direção qualquer e, contrariamente a todas as leis da estática, suspenso e mantido no espaço. Observou-se, no entanto, que o fenômeno nem sempre correspondeu às expectativas de seus observadores, não sendo produzido constantemente, à sua vontade e segundo a sua maneira de experimentação”.

Havia uma causa inteligente nos movimentos, observa Kardec:

“Se os fenômenos de que nos ocupamos se restringissem ao movimento dos objetos, teriam permanecido no domínio das ciências físicas; mas não aconteceu assim: estavam destinados a nos colocarem na pista dos fatos de uma ordem estranha.

Acreditou-se haver descoberto, não sabemos por iniciativa de quem, que o impulso dado aos objetos não era somente o produto de uma força mecânica cega, mas que havia nesse movimento a intervenção de uma causa inteligente. Esta via, uma vez aberta, oferecia um campo inteiramente novo de observações; era o véu que se levantava sobre muitos mistérios.”

Foi o próprio fenômeno que revelou a palavra.....

“....Se essa potência existe, o que é ela, qual a sua natureza, a sua origem? E ela superior à Humanidade? Tais são as outras questões que decorrem da primeira. As primeiras manifestações inteligentes verificaram-se por meio de mesas que se moviam e davam determinados golpes, batendo um pé, e assim respondiam, segundo o que se havia convencionado, por “sim” ou por “não” à questão proposta. Até aqui, nada de seguramente convincente para os céticos, porque podia crer-se num efeito do acaso.

Em seguida, obtiveram-se respostas mais desenvolvidas por meio das letras do alfabeto: dando o móvel um número de ordem de cada letra, chegava-se a se formarem palavras e frases que respondiam às questões propostas. A justeza das respostas e sua correspondência com a pergunta provocaram a admiração.

O ser misterioso que assim respondia, interpelado sobre a sua natureza, declarou que era um Espírito ou Gênio, deu o seu nome e forneceu diversas informações a seu respeito. Esta é uma circunstância muito importante a notar.

Ninguém havia então pensado nos Espíritos como um meio de explicar o fenômeno; foi o próprio fenômeno que revelou a palavra. Fazem-se hipóteses frequentemente nas ciências exatas para se conseguir uma base ao raciocínio; mas neste caso não foi o que se deu. Esse meio de correspondência era demorado e incômodo O Espírito e esta é também uma circunstância digna de nota, indicou outro.”

Envie suas dúvidas, comentários, críticas e sugestões para o Autor: Silney de Souza, pelo email: silney.souza@yahoo.com.br