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BragançaPaulista16 Jan 2018


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Vamos Chape!!! - Mortes Coletivas e Doutrina Espírita
Sábado,  10 DEZ 2016
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 Segunda feira, 28/11/2016. O voo CP2933 da companhia LaMia, que transportava a delegação da Chapecoense decolou de Santa Cruz de La Sierra, na Bolívia, rumo a Rionegro, na Colômbia. Por volta das 22h (horário local), quando estava a cerca de 30 quilômetros do aeroporto internacional José María Córdova, a aeronave teve uma pane, sendo que o restante dessa triste história todos conhecem.

Manifestações comoventes de apoio aos familiares das vítimas desse acidente ocorreram em todo o Brasil, na Colômbia e também em vários pontos do mundo. No entanto, como e principalmente onde identificar argumentos que possam amenizar a dor e o enorme sofrimento dos familiares, amigos e todas as demais pessoas ligadas às vítimas? Como também explicar os fatos que motivaram que algumas pessoas que em princípio deveriam estar nesse vôo, na última hora ou por algum motivo específico, não embarcaram?

Argumentos como sorte, azar, coincidência, providência divina, o popular “não era a hora”, etc., são os mais ouvidos e comentados nessas situações. Não é incomum em tragédias dessa magnitude o questionamento da mídia junto aos genericamente denominados espíritas, Médiuns, Videntes, Pais e Mães de Santo, Cartomantes e afins, momento em que os mesmos são consultados sobre os fatos ocorridos e requeridos a se manifestarem sobre o tema.

Na qualidade de divulgador da Doutrina dos Espíritos, conosco também não foi diferente e, portanto, por sugestão de alguns dos leitores desta coluna, acabamos cedendo ao pedido de “escrevermos algo sobre” a tragédia ocorrida frente à Doutrina Espírita. Enorme desafio, dadas às limitações de um pequeno artigo, porém não impossível de ser realizado na extensão aqui permitida. Vamos então a algumas reflexões não exaustivas......

No primeiro capítulo de O Livro dos Espíritos, mais especificamente na questão número 13, encontramos a definição dos atributos da divindade, quais sejam: Deus é ETERNO. Se ele tivesse tido um começo, teria saído do nada, ou. então, teria sido criado por um ser anterior. É IMUTÁVEL. Se ele estivesse sujeito a mudanças, as leis que regem o Universo não teriam nenhuma estabilidade. É IMATERIAL. Quer dizer, sua natureza difere de tudo o que chamamos matéria, pois de outra forma ele não seria imutável, estando sujeito às transformações da matéria. É ÚNICO. Se houvesse muitos Deuses, não haveria unidade de vistas nem de poder na organização do Universo.

É TODO-PODEROSO. Porque é único. Se não tivesse o poder soberano, haveria alguma coisa mais poderosa ou tão poderosa quanto ele, que assim não teria feito todas as coisas. E aquelas que ele não tivesse feito seriam obras de um outro Deus. É SOBERANAMENTE JUSTO E BOM. A sabedoria providencial das leis divinas se revela nas menores como nas maiores coisas, e esta sabedoria não nos permite duvidar da sua justiça, nem da sua bondade. Já na questão número 1 de O Livro dos Espíritos, encontramos a questão: 1 - O que é Deus? - Deus é a inteligência suprema, causa primária de todas as coisas.

Frente a essas definições, impossível acreditar que Deus não esteja no comando, que uma folha não caia, sem que Deus assim não o queira, e que, portanto, TUDO tem uma CAUSA INTELIGENTE. Contrapor-se a essa afirmação significaria reconhecer quão limitada é a nossa capacidade de compreensão dos fatos que envolvem a nossa existência e que nos levam a tirar conclusões com base em nossos parcos conhecimentos e em nossa dimensão terrena.

Superado esse primeiro obstáculo, qual seja, o de admitirmos com convicção a existência de Deus, o Seu comando, o motivo inteligente em tudo que Ele faz e a nossa limitação na compreensão da divindade, talvez pudéssemos tentar nos aventurar ao segundo estágio da nossa limitada análise, qual seja, o de supor alguns aspectos que explicariam a possibilidade da ocorrência de tamanha tragédia sem a interferência divina no sentido de evitá-la.

Talvez a pergunta que nos caberia seria: Mas se Deus é soberanamente justo e bom e só quer o bem dos seus filhos, o que explicaria então o fato da existência de ocorrências dessa magnitude? A ideia de um Deus vingativo, diante dos conceitos expostos acima é inadmissível, porém o princípio da causa e efeito e da Lei da Reparação são totalmente admissíveis, desde que aceitos alguns conceitos.

O nosso livre arbítrio nos leva invariavelmente à conclusão de que somos responsáveis pelos nossos atos, sendo, portanto, o princípio da causa e efeito e a Lei da Reparação aplicados a todos nós, indistintamente. O Espiritismo acentua a seguinte frase “Nascer, crescer, morrer, renascer ainda e progredir sempre, tal é a lei”. Conceito difícil de ser assimilado pelos adeptos às religiões dogmáticas que questionam o princípio da reencarnação.

No entanto, se aceito o princípio da reencarnação não será a partir daí difícil concluir que na qualidade de espíritos infinitos, seremos sim, requeridos a reparar o nosso passado, muito provavelmente por meio de experiências de natureza similar àquelas por nós já praticadas ou pelas quais fomos os responsáveis. Recorrendo também à citação bíblica... “Em verdade vos digo que de maneira nenhuma sairás dali enquanto não pagares o último ceitil.”

O Evangelho Segundo o Espiritismo em seu capítulo IV traz uma lição denominada “Perda de Pessoas Amadas e Mortes Prematuras”, cuja leitura é bastante recomendável e reconfortante frente ao tema aqui tratado. Não é por demais lembrar, apesar da impossibilidade de explorar o tema nesse pequeno espaço dos aspectos relacionados ao “Planejamento Reencarnatório” e ao doloroso aprendizado de cada um dos nossos irmãos envolvidos nessa tragédia.

Por fim, lembro da frase que nos ensina que “A dor e o sofrimento são métodos didáticos utilizados por Deus, quando nos recusamos a aprender pelo amor”. Por maior que seja o sofrimento, qual de nós pode afirmar, sem medo de errar que já “aprendemos a aprender pelo caminho do amor?”

O amor, a maior força do universo....Rogo a Deus e aos seus Espíritos superiores mensageiros do Pai, que os nossos irmãos encarnados e desencarnados que passaram por essa dolorosa experiência possam receber todo o auxílio, amparo, reconforto e o amor do Pai Maior, que não desampara a nenhum dos seus filhos, mas que por vezes, tal como o hábil médico, nos oferece o remédio amargo que representará a cura de nossas doenças morais. E quem pode em sã consciência afirmar não necessitar de tal aprendizado?

Então, Vamos Chape!!!! Pois, na qualidade de espíritos infinitos, a felicidade futura nos espera e certamente não tardará! Novas partidas, novos desafios e novas vitórias nos aguardam! Envie suas dúvidas, comentários, críticas e sugestões para o Autor: Silney de Souza, pelo email: silney.souza@yahoo.com.br