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BragançaPaulista16 Jan 2018


Colunistas


A Doutrina Espírita - Ciência, Filosofia e Moral Cristã
Sábado,  26 NOV 2016
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 É com enorme satisfação que aceitamos o convite deste conceituado jornal no sentido de, após um período de ausência, voltarmos a publicar as nossas reflexões relacionadas à Doutrina Espírita. Sendo assim, mãos à obra.....

Como ocorre com muitas das descobertas científicas que confrontam ou confrontaram o “status quo” de um determinado momento da história humana ou que eventualmente atingem os interesses de certos grupos dominantes, o Espiritismo foi na sua origem e continua até os dias atuais, ainda, sendo criticado. Infelizmente essa Doutrina ainda é pouco estudada (e sejamos sinceros, mesmo por aqueles que se dizem seus praticantes...) e consequentemente pouco compreendida e praticada.

Estudando a história da humanidade identificamos que não são poucos os casos em que novas teorias, embora dotadas de bases científicas, de evidências e de provas conclusivas, foram desqualificadas, rejeitadas e até mesmo ridicularizadas. Senão vejamos alguns poucos, a título de exemplo....

Nicolau Copérnico durante quase 20 anos mediu e acompanhou a posição dos planetas. Em comparando suas descobertas com a teoria dos epicentros de Ptolomeu, notou que algo realmente não fazia sentido. Imaginou então como seria o movimento dos planetas quando vistos de outro planeta em movimento. Constatou que o Sol não variava de tamanho durante todo o ano, concluindo, portanto, que a distância entre a Terra e o Sol permanecia sempre a mesma. Se a Terra não estava no centro, então o Sol deveria estar!

Com receio da Igreja Católica da época, que acreditava num Universo onde a Terra fosse o centro, Copérnico não se aventurou a tornar sua descoberta pública, sendo então divulgada somente em 1543, após sua morte. Sessenta anos depois, período em que a teoria de Copérnico foi ainda ridicularizada pelas universidades e astrônomos, Johannes Kepler e Galileu Galilei provaram que Copérnico estava certo.

Andreas Vesalius, que em 1543 elaborou o primeiro guia científico e preciso sobre a anatomia humana; teve um ataque de fúria ao apresentar os seus estudos aos professores de medicina da época, professores esses que haviam ensinado a vida toda em conformidade com os princípios desenvolvidos por Galeno. Vesalius queimou as suas magníficas anotações e estudos, afirmando que nunca mais iria cortar tecido humano.

O que dizer de Franz A. Mesmer, que apesar de diversas curas devidamente documentadas, acompanhadas e comprovadas por médicos da época, alcançadas por meio do uso do fluido magnético animal, foi acusado de charlatão e teve as suas teorias recusadas pela Sociedade Real de Medicina de Paris, que emitiu um curioso julgamento afirmando que “O magnetismo não existe e se aplicado é prejudicial à saúde humana”.

Note-se que apesar de Allan Kardec, o codificador da Doutrina Espírita, ter afirmado que enquanto ciência o magnetismo e o espiritismo são “exatamente a mesma coisa”, até hoje nos deparamos com estudiosos da Doutrina que são contrários ao magnetismo, afirmando categoricamente não haver qualquer relação entre as duas ciências. Kardec disse exatamente o contrário, e por várias vezes.....

Certo é que não são incomuns as acusações e os comentários pouco fundamentados sobre a Doutrina Espírita ainda nos dias atuais. “Popularmente” também ouvimos muitas vezes comentários tais como:

. O espiritismo é “coisa do diabo”;

. A comunicação com os mortos é “pecado”;

. Espírita não ora, não lê a bíblia, não acredita em Deus e muito menos em Jesus Cristo;

. Espírita faz “macumba”, pratica rituais com sacrifícios de animais e pratica o mal;
. Os espíritas são lunáticos, loucos e desequilibrados; etc.


Sendo o Espiritismo uma doutrina baseada no tripé ciência, filosofia e moral cristã, onde encontrar fundamentação para tantas críticas?

Recorro novamente a Allan Kardec, Codificar da Doutrina dos Espíritos (ou Doutrina Espírita), que nos ensinou que: “Só se pode considerar como crítico sério aquele que houvesse tudo visto, tudo estudado, com a paciência e a perseverança de um observador consciencioso; que soubesse sobre esse assunto tanto quanto o mais esclarecido adepto; que não tivesse extraído seus conhecimentos dos romances das ciências; a quem não poderia opor nenhum fato do seu desconhecimento, nenhum argumento que ele não tivesse meditado; que refutasse, não por negações, mas por meio de outros argumentos mais peremptórios; que pudesse, enfim, atribuir uma causa mais lógica aos fatos averiguados.” (Revista Espírita, 1860, p. 271).