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BragançaPaulista18 Jan 2018


Colunistas


Exposição no Museu Municipal
Quarta-Feira,  20 MAI 2015
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 Continua a exposição de Mylene Prado “Debaixo das Cinzas do Fogão – Segredo que a História Contou” e a de Guido Ferezini com “Pinochio – A Historia Continua, Um conto Eterno”. Duas ótimas mostras, diferentes do exposto habitualmente naquele espaço cultural. Mylene criou uma família de imigrantes, com personagens em argila muito bem esculpidos e sua história individual.

Guido criou bonecos articulados, seus pinóquios muito bem confeccionados. Tem ainda um painél em que a criança pode tirar uma foto ao lado do personagem. As mostras seguem até dia 31 de maio.

MAIO CULTURAL

Semana com predominância literária. De 21 a 24: Workshop com Simone Pedersen; Sarau da Viverde; Feira Literária; Contação de Histórias com Lídia Engelberg; Palestra Literária Infantil com Marina Colasanti; Sarau Público com Tiago Rendelli, Tiago Cervan e Augusto Meneghin; Feira Literária; Oficina de Livros pop-up com Liana Yuri; Roda de Conversa - Literatura e Mercado Editorial; Palestra Canção, Música e Literatura, com Luiz Tatit; Prêmio Ases de Literatura; Roda de Conversa – Feminismo e Gênero na Literatura, com Amara Moira e Isabela Penov.

São diversas atrações; a que a Ases promove, logicamente com qualidade. No Prêmio Ases de Literatura, o Concurso de Contos da ASES – IV Prêmio Cidade Poesia – recebeu mais de 500 inscrições; todos os estados brasileiros estão representados, além de participantes de Portugal, Moçambique e Angola. O Prêmio Cidade Poesia é tido como um dos mais importantes no cenário cultural brasileiro.

Procurem os folhetos nos Museus do Telefone e Oswaldo Russomano e também na Secretaria de Cultura. Fique por dentro dos horários e locais. Vale a pena divulgar; vale a pena participar. Dentro do Maio Cultural, isso é cultura de fato.

Curiosidades sobre artistas e suas obras
Caravaggio e as telas de São Mateus


Ninguém sabe como são as verdadeiras feições de Cristo, muito menos as de Deus. Nossa tendência é aceitar como verdadeiros os semblantes bonitos, finos e delicados, como a maior parte das vezes são pintados. Cristo costumeiramente é retratado como um bonito homem branco, aparecendo, muitas vezes, com doces olhos azuis. É assim que os homens fazem a imagem de um homem puro, que está pronto a espargir amor.



Mas de qualquer forma se aceita hoje em dia que a origem dessas idealizações veio realmente desses pintores que deram início às ilustrações da história sagrada. Artistas, quem sabe, por possuírem elevado senso estético possivelmente associavam o bom e o santo ao belo, representando assim os santos como bonitos homens de feições europeias.

Foi de tal sorte arraigada esse sentimento, captado e aceito pelos crentes que, se depararem com pinturas sacras que coloquem santos fora desses padrões de beleza e santidade, chegam até, muito das vezes, as considerem uma verdadeira blasfêmia.

E quem sofreu com essa insanidade foi Caravaggio; Michelangelo Merisi, pintor italiano nascido no ano de 1571 e falecido em 1610. Caravaggio, nome artístico adotado porque esse era o nome da aldeia onde nasceu, na cidade de Milão. Um dos maiores artistas de todos os tempos, um gênio indomável das telas.

Caravaggio possuía inexcedível técnica, pertencente à Escola Clássica, vigente naquela época. Era conhecido pela perfeição com que dispunha a sombra, o “chiaroscuro”. Em referência a esse fato, lembramos que ele, em seu atelier, colocava velas em pontos estratégicos ao redor de seus modelos e as ia mudando de lugar, até obter os efeitos que uma boa sombra pudesse valorizar mais suas pinturas.



Dado à sua qualidade artística, em 1600 recebeu uma encomenda; os contratantes eram os párocos católicos da Capela Contarelli, da Igreja de San Luigi dei Francesi, em Roma. Era para que Caravaggio fizesse um quadro em que figurasse São Mateus escrevendo a História Sagrada. Seria colocado em um lugar de honra: no altar-mor da Capela.

Mateus, como era chamado antes da canonização, era um publicano simples, ou seja, um simples cobrador de impostos, profissão que, à época, não precisava ter, para os que a exerciam, instrução e, normalmente, só as pessoas simples se dispunham a trabalhar nesse ofício.

Como Mateus era pobre e simples, para pintar o quadro Caravaggio fez muitas pesquisas e pensou longamente sobre o assunto, quanto à composição, às cores, às sombras e sobre sua figura. Caravaggio quis chegar ao máximo da verdade e, como sabia tratar-se um homem pobre, como pobre o pintou, com as vestimentas que julgava que ele usasse no seu dia a dia. Roupas simples, pés descalços e sujos; sujos porque tinha de andar muito e descalço pelas ruas empoeiradas ou cheias de lama.

Diariamente Mateus caminhava muito para o cumprimento de sua profissão. Conta a Bíblia que Deus, por Seu desígnio, escolheu Mateus para escrever a História Sagrada, embora soubesse de suas limitações na arte da escrita, e, por isso, mandou que um anjo o ajudasse nesse mister. Caravaggio fez o quadro e o enriqueceu com alguns detalhes: além da vestimenta e dos pés descalços, dotou-o, também com uma translumbrante calvície, bem à mostra.

Ao lado de Mateus, o artista, fiel à história sagrada, colocou o anjo segurando-lhe a mão para ajudá-lo a escrever, como faz uma professora ao guiar seus pequenos alunos no aprendizado das primeiras letras. Caravaggio, ao pintar esse quadro, nada mais fez do que mostrar como o Santo cumpria com dificuldade sua missão de escrever o “Evangelho”, visível no seu semblante; mostrou ainda que o Evangelho era a palavra de Deus, daí não se esquecer de colocar o anjo ao lado, a inspirar-lhe a escrita; o anjo que auxiliava Mateus, ao tempo que sua presença ali, marcava a vontade de Deus.

Quando o quadro ficou pronto, colocaram-no no local a que estava predestinado. Os fiéis, contudo, quando o viram levaram um susto tremendo. Foi um escândalo. Gritavam: “Blasfêmia, blasfêmia! Um Santo nunca pode ser tão feio assim, e mal vestido! Deus do Céu, ainda com os pés imundos! Nunca que essa imundície pode ficar aí, ainda mais no altar-mor!”. A pressão para que se retirasse o quadro foi enorme. Os párocos não resistiram.

O imaginário não se pode impedir às mentes humanas, mesmo que induzidas. Imaginarem-se feições nunca vistas, como a de Jesus e a de Deus, é uma coisa. Mas reprodução de um humano, mesmo que canonizado depois, é outra.

Como não havia jeito em dissuadir o povo a mudar de opinião, a solução foi Caravaggio pintar outro quadro, com vestes de santo, com feições de santo, com os pés limpos de santo, mesmo que não fosse isso o espelho da verdade. Comparem as fotos dos dois quadros; o aceito e o rejeitado. COLABORAÇÃO DE ISNARD CAMARA DE OLIVEIRA