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BragançaPaulista22 Jan 2018


Colunistas


Exposição no Museu Oswaldo Russomano
Quarta-Feira,  13 MAI 2015
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 Bem bacanas e diferentes, duas exposições estão em cartaz no Museu Oswaldo Russomano, intituladas: “Debaixo das Cinzas Do Fogão- Segredos Que A História Contou” e “Pinóquio A história Continua Em Um Conto Eterno”.

Mylene Prado, criou uma família de imigrantes italianos. Cada componente da família tem uma escultura em argila, nome e história resgistrada ao lado. Textos lúdicos e singelos descrevem personagens tradicionais. As belas esculturas em argila mostram a habilidade da artista.

O conjunto nos transporta no tempo. Ela homenageia a colonia italiana com esse trabalho rico, criativo, interessante e incomum. Já seu esposo, Guido Ferezini, expõe “Pinóquios” feitos de madeira e articulados, em homenagem a seu criador, o escritor italiano Carlo Collodi.

Também há um painél caracterizado com um Pinóquio, em que as crianças podem tirar fotos. O casal de artistas tem um atelier e oficina onde criam brinquedos de madeira e esculturas de argila, em Amparo, na zona rural, onde residem. Recomendo a visita.

Curiosidades sobre artistas e suas obras
El Greco


Muitos no Séc. XVI estavam convencidos de que a arte pictórica, por excelência, esgotara-se quanto à possibilidade de se desenvolver mais, depois do Classicismo. Nada mais a acrescentar ou a melhorar, diziam. Falavam ainda que a arte atingira seu auge, seu clímax. Outros, contudo, não esposavam a mesma ideia.

Esses, mesmo contextualizados nos parâmetros classicistas, o que quer dizer, elaborando seus quadros dentro da técnica da Escola Clássica, de Rubens, Rafael, Corregio, Da Vinci, e outros, procuraram formas diferentes, outras configurações. Formas assim que adotadas, moldavam as características marcantes dessa escola nascente. Como, por exemplo, o alongamento dos corpos, a delicadeza, a falta de simetria na composição e, principalmente, o impacto. Nasceu assim a Escola denominada “Maneirismo”.

Na coluna de quarta-feira passada, este tema foi abordado, com foco em Parmigianino e Giombologna. Hoje vamos apresentar talvez o mais representativo do maneirismo: El Greco.



Doménikos Theotokópoulos (foto acima) mais conhecido como El Greco, nasceu em 1541, na Grécia, e faleceu em 1614, na Espanha. Da Grécia foi parar em Veneza, pertencente à “Sereníssima República de Veneza”, onde trabalhou no atelier do pintor Ticiano; depois foi morar em Toledo, na Espanha.

Embora suas obras tivessem sido muito requisitadas na época, o reconhecimento da excelência de sua arte só se deu no Séc. XX, quando os estudiosos, além de o reconhecerem como ótimo pintor, ainda o consideraram como sendo o precursor do expressionismo e do cubismo.

El Greco definia seus quadros com cores em tons dramáticos e impactantes, e, como os artistas pertencentes ao “Maneirismo”, os corpos das figuras eram sempre alongados e delicados, usando, como poucos, o jogo da luminosidade. Preferentemente era retratista, e dos melhores, mas produzia muitas obras de cunho religioso.

Na foto da cena do “Desnudamento de Cristo”, também conhecido como “O Espólio”, há um fato interessante sobre este quadro. “O Espólio” foi feito na Catedral de Toledo, na sacristia onde foi pintado. A sacristia é o aposento, na igreja, em que os padres guardam e trocam vestimentas religiosas e, ocasionalmente, podem ficar nus por um instante. Por isso falou-se que o tema era apropriado.


‘Desnudamento de Cristo’, El Greco

Seguindo a lógica desse raciocínio, se os padres se despem para trocar de roupa e, eventualmente podem ficar nus por um instante que seja, o tema, tratando da mesma coisa, torna-se concernente, assim, nada parece mais apropriado do que o quadro de um Cristo prestes a ser despido figure também na sacristia. Acredita-se que essa história seja baseada em fatos verdadeiros, portanto que esses motivos existiram. (COLABORAÇÃO DE ISNARD CAMARA DE OLIVEIRA)

Djalma Fernandes é artista plástico, professor de desenho e pintura, comerciante de materiais artisticos, Vice-presidente da Associação Bragantina de Artes Plásticas e colunista do Bragança Jornal Diário.