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BragançaPaulista21 Jan 2018


Colunistas


Maio Cultural Alternativo
Quarta-Feira,  06 MAI 2015
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 Pela agenda anunciada, disponíveis nos Museus e na Secretaria de Cultura, nota-se que o Maio Cultural continua se enveredando pelo caminho da arte alternativa em suas atrações, como é o estilo da equipe toda da Secretaria de Cultura.

Pelo meu gosto pessoal, não agrada, mas tem é que agradar a maioria, isto sim. Vejo algumas exceções, claro, entre elas a Literatura, que é conduzida pela Ases, e o Festival do Japão, produzido pela Nipo e incorporado na programação. A maioria das atrações culturais são desconhecidas do público, no que tange à sua denominação: “Residência Artistica Coletivo Base V”-: não consegui entender pelo folheto o que será feito.

Ainda como exemplo: Oficina de Fanzine; Oficina de Livros Pop-Up; Oficina de Vídeo de Skate; Imagens Vivas – Vivências de Cocriação em Audiovisual. Ainda teremos uma oficina de xilogravura, a “Xilomóvel nas Escolas”; até aí tudo bem, mas ter como “suporte” para os trabalhos a “lata” de uma velha Veraneio customizada é um tanto irreverente. Eu que vivencio diariamente arte, tenho dificuldades de interpretar que tipo de manifestação artística está sendo anunciada, que dirão os mais leigos?

Não liguei na Secretaria para pedir mais esclarecimentos, pois acho que o folheto é que deve transmitir e esclarecer. Mas, inegavelmente positivo, que de fato quero comentar é a preocupação da equipe de Quique Brown, secretário de Cultura, em diferenciar o Maio Cultural do Festival de Inverno, feito em julho. Isso é bom e interessante.

O Maio Cultural, caracterizará pela “formação” cultural das pessoas; e o Festival de Inverno, pela “exibição” das manifestações culturais. Boa sorte à equipe e que tenhamos um maravilhoso “Maio Cultural”; é que que desejo e espero. Procurem os folhetos com a programação e participem.

Museu Oswaldo Russomano com duas Mostras

Iniciou dia 5 de maio a Exposição “Debaixo das Cinzas do Fogão” e “Segredos que a História Contou”. Mylene Prado expõe esculturas e textos em homenagem à Imigração Italiana. Guido Ferezini expõe bonecos de madeira articulados.

Homenageia Carlo Collodi, que em 1883 publicou em Florença a “Storia di um Burattino”, que, com inumeras adaptações e traduzido para quase todos os idiomas, se transformou no personagem infantil mais conhecido no mundo: Pinochio, construido pelo marceneiro Geppeto.

Curiosidades sobre artistas e suas obras

O Século XVI surpreende o mundo até hoje pela excelência da arte que produziu. Foi um marco nas artes de todos os tempos. Repercutiu tanto quanto a Revolução Francesa de 1789 na política. Excederam-se nas artes plásticas, quer na escultura, quer na pintura.

Atingiram a perfeição? Uns dizem que sim, outros, que não. Até renomados artistas da época achavam que não. Mesmo aqueles que se delimitaram dentro dos padrões do Classicismo. Sabe-se que muitos dos que achavam que o classicismo era o máximo em arte e que nada mais poderia haver de melhor, perceberam haver outro caminho e mudaram de opinião, dando, com isso, um passo à frente ao criarem uma nova corrente. Diversos desses artistas que tiveram essa nova percepção, eram discípulos de artistas já consagrados.

Mas essa nova leva queria mais, julgava que a arte não se cingia apenas ao que seus mestres mostravam e ensinavam. Essa nova concepção parece estar contida em um alerta de Leonardo da Vinci, parecendo até estar vaticinando esse despertar: “É um mísero discípulo aquele que não for capaz de suplantar seu mestre”. Mas não bastava suplantar, o desejo reinante era mais o de inovar. Um exemplo disso está em um dos que aprenderam arte com Corregio (pintor da plêiade renascentista): Parmigianino (1503-1540).

A arte do aluno seguiu os passos do mestre, mas só quanto à textura das resoluções do classicismo, mas não propriamente na forma e menos ainda na composição. No quadro que lhe deu fama, a “Madona do Colo Longo” (foto abaixo), Parmigianino desprezou o equilíbrio até então adotado por seu mestre.



Desprezou a simetria que caracterizava o classicismo. Como se pode notar nessa obra, fez questão de juntar um grupo de anjos acotovelando-se à direita da Madonna e deixou o outro lado apenas com uma exótica coluna e uma figura de um profeta em que dá para se notar tratar-se de um homem bem alto, mas que aparecia ali em tamanho reduzido, por estar longe da virgem, em que se percebe que a cabeça do profeta fica em uma altura que mal chega ao joelho da Madona. Parmigianino, ao pintar a Madona, mostra uma figura feminina de grande beleza, esbelta, de pescoço longo e esguio, como a imitar a elegância de um cisne e, com isso, marca nesse detalhe seu distanciamento da arte de seu mestre Corregio.

Além do colo longo, dotou a Madona com pernas alongadas e mãos e dedos finos, delicados e compridos, tudo elaborado com muita graça, muita técnica e grande impacto. Essa foi a marca de uma nova escola, denominada “Maneirismo”.

Outro artista “maneirista” que teve seu nome projetado naquele período foi Jean de Bologne (1529-1608), ou, Giovanni da Bologna, ou simplesmente Giombologna, que perfilava nessa mesma escola. Escultor de rara sensibilidade e técnica inexcedível. Tal como todos os “maneiristas”, suas esculturas procuravam o impacto, poses ousadas, corpos se entrelaçando e retorcidos. A exemplificar, vemos uma de suas esculturas: “O rapto de Sabina” (foto abaixo).



Se compararmos com o fenômeno artístico que foi Michelangelo Buonarroti, podemos inferir que as esculturas se diferenciam exatamente pelo impacto provocado pelas poses exacerbadas que esses novos artistas usavam em suas obras.

É certo que Michelangelo também usou e abusou de nus em poses não comumente encontradiças em outros pintores, como no afresco da Capela Sistina, que se vê nas figuras de Deus e de Adão, cujos dedos indicadores de cada um aparecem quase se tocando.

Mas só na pintura, pois na escultura conservava-se dentro do ortodoxíssimo. Finalmente chegamos a um dos maiores pintores dessa Escola Maneirista, chamado Doménickos Theotokópoulos, mais conhecido como El Greco. Mas trataremos desse assunto na próxima quarta-feira. (Colaboração de Isnard Camara de Oliveira)

Djalma Fernandes é artista plástico, professor de desenho e pintura, Vice-Presidente da ABAP (Associação Bragantina de Artes Plásticas), comerciante de materiais artísticos e colunista do Bragança Jornal Diário.