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BragançaPaulista18 Jan 2018


Colunistas


Ribeirão do Lavapés = Canivete
Quarta-Feira,  29 ABR 2015
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 Outro dia, ouvindo a Rádio “O Caminho FM”, um ouvinte fez uma pergunta à radialista, muito incomum e interessante: qual era o nome anterior do ribeirão do Lavapés? Para responder a duvida, contatei a rádio e esclareci sobre essa curiosidade.

Eu sabia o nome, mas, desejando mais detalhes, consultei um amigo, com quem tenho longas conversas sobre a história de Bragança, assunto esse que me fascina. Pois é, o ribeirão era chamado de “Canivete”. Ele vem serpenteando pela região da montanha do “Leite Sol” onde, acredita-se, era chamado de “Tapuchinga”; entra pela Av. Alberto Diniz (saída para Itatiba), segue pela lateral da Av.José Gomes da Rocha Leal e passa pelo Bairro do Lavapés.

Em 8 de novembro de 1888, o Jornal “O Guaripocaba”, na edição de nº 801, fez uma descrição da cidade, que já menciona o ribeirão como Lavapés-:”o ribeirão Lava-pés, que começa com o nome de “Taboão”, perto da estação da linha férrea, limitando depois a cidade ao oeste”...

Por que Lavapés?

Outra questão abordada pela pela própria radialista, posta como curiosidade, foi sobre o nome do bairro e do ribeirão, o porque de “Lavapés”. Apesar de lógica, muitas pessoas não se dão conta ou nunca pararam para questionar o porquê.

Conta-se que as pessoas que vinham ao centro da cidade, e que passavam por aquela região, após longa caminhada ou cavalgada, chegavam com os pés sujos. Paravam então ali e lavavam os pés, se calçavam para depois, mais alinhados e limpos, seguirem aos seus destinos nas ruas do Centro.

Curiosidades sobre artistas e suas obras - Goya






Em 18 de brumário, calendário adotado na França em 1789, ou 9 de novembro de 1799, 10 anos após a eclosão da Revolução Francesa, Napoleão Bonaparte assumiu as rédeas da nação. Napoleão, de forte espírito imperialista, pretendia dominar o mundo. Começou pelos países vizinhos: Portugal, Espanha. Para Portugal mandou um coronel invadir o país; D. João e sua mãe D. Maria I, a louca, antes que tal acontecesse, fugiram para o Brasil, enquanto que a Espanha fora invadida por diversas forças que ocuparam diversas regiões espanholas. Mas os espanhóis reagiram, e, heroicamente, empreenderam diversas escaramuças contra o invasor, culminando em dois de maio de 1808, dia em que travaram violenta batalha urbana contra as forças de Napoleão. O revide francês foi tremendo e imediato.

Em 3 de maio, logo no dia seguinte, José I Bonaparte, que fora nomeado rei de Espanha por seu irmão Napoleão Bonaparte, imperador de Franca, mandou fuzilar uma quantidade enorme de espanhóis. Francisco Goya, pintor espanhol que viveu todos esses dramas, registrou em duas telas esses dois momentos. O 2 e o 3 de maio de 1808, este último perpetuou-se. Na foto se vê o 3 de maio, ou “Os fuzilamentos de La Moncloa”:

Goya havia se empolgado com a Revolução Francesa de 1789. Empolgara-se pelo que ela trouxe: a esperança, o espírito libertário e todo os apelos expressos no lema da Revolução: “liberté, egalité, fraternité” – liberdade, igualdade, fraternidade.

Vislumbrou para o mundo, com a vitoriosa revolução, dias melhores, em que todos iriam se abeberar do novo espírito liberal que acabava de chegar pelas mãos do povo francês. Só não contava que seu próprio povo, seu querido povo espanhol, viesse a ser invadido pelas mesmas pessoas que prodigalizavam liberdade. Liberdade para os franceses, opressão para os espanhóis. Mais que opressão, massacre e assassinatos.

Goya chegou a servir José I Bonaparte, na suposição de que os ideais libertários seriam espargidos por sobre toda a Espanha e por isso jurou fidelidade ao novo governo. Mas, ao contrário, José Bonaparte governou com mão de ferro, implacavelmente, o que levou o povo espanhol a se insurgir como o fez em 2 de maio de 1808, embora viesse a sofrer as consequências no dia seguinte, 3 de maio. Por causa desses fatos, Goya quebrou seu juramento de fidelidade, não era e não queria passar nem por colaboracionista, nem por traidor. Ainda mais que andavam falando que ele já estava ficando “afrancesado”.

Então, começou a contribuir com os heróis espanhóis e se transformar em um deles com o que de melhor sabia fazer: a pintura. Ameaçado, temeu por sua vida. Mas não o suficiente para demovê-lo de continuar com sua contribuição patriótica. Só lhe voltou a tranquilidade quando Fernado VII recuperou o trono da Espanha, em 1814, quando os franceses foram definitivamente expulsos e junto “la liberté, l’egalité et la fraternité”, exclusividades que só os franceses podiam usufruir.

Os quadros 2 e 3 de maio de 1808, fazem parte na verdade de um quarteto que Goya fez sobre o mesmo tema. No quadro, “Os Fuzilamentos de la Moncloa”, ou simplesmente “Três de Maio”, Goya optou em realçar dois setores principais: um à esquerda onde aparecem os homens que estão sendo executados e, o outro à direita, onde está o pelotão de fuzilamento.

E, entre eles, um grupo que espera sua vez de morrer. Registra Goya o horror e a impotência dos condenados. As cores sombrias estão a revelar o macabrismo da cena, e as camisa e calças claras do condenado que está no centro, escancaram o grito de horror contra seus algozes e, ao mesmo tempo, a dor da desesperança e da impotência de patriotas à espera da hora da morte.

Um outro detalhe exposto no quadro é que os soldados não tem rosto definido, como a expressar que é priscindível, Goya dá assim força ao conjunto que vai matar, que representa o sistema invasor, e que continuadamente vai cometendo atos de barbárie, ao passo que em todos os condenados marcam-se claramente, em suas faces, o horror, a impotência e a súplica sem a esperança de a conseguir.

Francisco de Goya, Diego Velasquez e Pablo Picasso representam o que há de melhor na pintura espanhola. Francisco Jose de Goya Y Lucientes nasceu em 30 de março de 1746, de classe média baixa. (Colaboração de Isnard Câmara de Oliveira)

Djalma Fernandes e artista plástico, professor de desenho e pintura, comerciante de materiais artísticos, Vice Presidente da ABAP- Associação Bragantina de Artes Plásticas e colunista do Bragança Jornal Diário.