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BragançaPaulista16 Jan 2018


Colunistas


A família Siriani nos cenários comercial, social e musical de Bragança
Quarta-Feira,  29 ABR 2015
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 No meu tempo de criança, sentia enorme prazer em acompanhar meu pai quando ele ia fazer compras em lojas de ferragens locais. Um local que eu gostava muito de freqüentar era o estabelecimento do Antonio Siriani, situado na antiga Rua do Mercado, ao lado da atual Casa Teixeira e uma loja de venda e reformas de calçados que pertencia ao João Del Nero. Eu era recebido com carinho e tornei-me, assim como meu pai o era, muito chegado à família Siriani.

O Antonio Siriani era padrinho de meu pai, o estimava muito e essa afeição era recíproca. Em anexo à sua loja, havia uma oficina de folheiro, hoje mais conhecida por oficina de funileiro. Ali eram consertadas panelas e outros objetos, bem como fabricados regadores de plantas, canecas e demais pertences feitos de folha de flandres, hoje praticamente em desuso. Além disso, vendiam-se pregos, parafusos e grande variedade de ferragens.

Com o proprietário Antonio, trabalhavam seus dois filhos, o Roque e o João Siriani. Entretanto, quem mais permanecia no estabelecimento era o João, pois o Roque prestava serviços de guarda-livros para várias firmas comerciais situadas ali perto e, embora viesse diariamente para fazer a escrita e lidar com alguns assuntos mais urgentes, pouco ficava no local.

Recordo-me bem que o Roque Siriani estudou no Colégio Técnico “Rio Branco”, onde veio a formar-se numa de suas primeiras turmas de Contador, tendo prestado inestimáveis serviços nessa qualidade profissional a todas as firmas a que assistia, principalmente à industria dos Irmãos Ghilardi. Roque foi por também muitos anos Delegado do Conselho de Contabilidade (CRC) e era ele quem resolvia intrincados problemas ligados ao setor Contábil da nossa região.

Durante muitos anos, embora tendo se formado advogado na Faculdade de Direito local, hoje, Universidade São Francisco, continuou dando assistência contábil a firmas comerciais, às quais já prestava serviços há muitos anos. Roque era também musicista e durante sua mocidade fazia parte da Orquestra do Clube Literário e Recreativo, sob a regência do maestro Ernesto Mascaretti. Com seu temperamento alegre e bonachão, Roque apreciava os festejos carnavalescos e anualmente frequentava os salões de baile, divertindo-se valer.

Quanto ao João Siriani, este também, a exemplo de seu irmão, estudou no Colégio Técnico “Rio Branco”, onde formou-se Contador. Até a morte de Antonio Siriani, João era o gerente da loja, uma vez que seu pai ali permanecia apenas para passar o tempo e rever os seus amigos e antigos fregueses e receber a visita de conterrâneos que o visitavam com frequência, pois gostava de relembrar fatos passados, a maioria relacionados com a terra em que nasceu, e com a freguesia que não era pouca, mercê a variedade de ferragens que eram vendidas naquela loja. Depois do falecimento de Antonio Siriani, os irmãos Roque e João assumiram a gerência do estabelecimento comercial e dividiram a responsabilidade de sua direção.

João também era apaixonado por música, pendor que passou a seus filhos, Profa. Maria Siriani Del Nero e Dr. Fernando Amos Siriani, que, desde a infância estudaram música com Mário Suppioni, e depois passaram juntos com o seu professor a fazer parte da Orquestra da Sinfônica Amadores da Arte Musical. O genro de João, Dr. Ronald Del Nero também era apreciador da arte musical e estudava violino.

João Siriani pode dedicar-se a outras ocupações fora do seu comércio quando seu filho Fernando Amos Siriani era o regente da Orquestra da “Sociedade Sinfônica da Arte Musical”. Este solicitou a ajuda do seu pai para dar continuidade às obras do prédio da “Casa de Cultura”, que estavam paralisadas. João assumiu a presidência da entidade cultural, e com o apoio dos diretores, entre eles este colunista, que ocupou o cargo de tesoureiro da “Sinfônica” durante aquela gestão, lançou a “Campanha do Saco de Cimento”.

Tendo obtido êxito, com as contribuições recebidas foi dado enorme passo no sentido de construir a sede própria. Foi terminada a parte do sub-solo e construído um barracão na parte de superior, onde instalou-se um estacionamento de carros. Foi assim, reiniciada a obra do local onde hoje se realizam Concertos Sinfônicos, bem como festivais, conferências e outros tipos de reuniões sociais e educativas.

Ainda em dias desta semana, ao passar pela Rua do Mercado, observei o local onde existiu a loja de propriedade de Antonio Siriani e relembrei, com saudades, do seu antigo proprietário e de seus filhos Roque e João, com os quais mantive sólida amizade desde tenra idade, cujo sentimento perpetuou-se até o final da vida de cada um deles, dos quais trago gratas recordações que fazem parte da nossa história.

José Carlos Chiarion é advogado, escritor e membro da Associação dos Escritores (ASES). Foi vereador; colunista do Bragança-Jornal Diário; participou da fundação e foi presidente da Associação Bragantina de Imprensa (ABI). É autor do livro “Um Pouco da Nossa História”.