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BragançaPaulista18 Jan 2018


Colunistas


Bragança e suas bandas de música
Quarta-Feira,  15 ABR 2015
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Dedicado ao leitor Djahy Tucci Junior

 Bragança Paulista, além de ter sido um centro de atividades culturais, também se destacou no cenário musical com excelentes Bandas de Música, que alcançaram seu apogeu no período que medeia as ultimas décadas do século 19 ao ano de 1980.

Ao que se sabe, a primeira banda musical que nossa cidade possuiu foi a Banda “XV de Outubro”, fundada no dia 15 de outubro de 1886 pelo bragantino Hermógenes Horácio de Paiva, juntamente com outros ilustres conterrâneos, sendo que o escolhido para exercer a sua presidência foi Hermógenes Horácio de Paiva, exímio pistonista e que com o decorrer do tempo demonstrou ser um excelente maestro, tendo sido agraciado pelo Imperador Dom Pedro II, em reconhecimento aos seus dotes musicais. Na mesma época surgiu a Banda “7 de Setembro”, regida pelo maestro Luigi Batista e que teve entre seus componentes músicos de renome da época.

Em 2 de julho de 1900 surgiu o Círculo Musical “Carlos Gomes”, que abrilhantava as festividades que se realizavam no Theatro Carlos Gomes, além de se apresentar em desfiles e festas que eram realizadas na cidade. Seu primeiro presidente foi Francisco Grillo, pertencente a tradicional família de relojoeiros desta cidade. Tinha sua sede social no Largo das Pedras e a banda de música era regida pelo maestro Luiz Baptista. Sua duração foi de alguns anos e com o decorrer do tempo, os seus músicos decidiram por sua dissolução. Assim, alguns foram para a “Banda XV de Outubro” e outros para a agremiação musical que abaixo segue.

A Banda “Ítalo-Brasileira”, fundada logo depois da extinção da Banda “Carlos Gomes”, possuía um vistoso fardamento e era composta por imigrantes italianos, seus descendentes e outros admiradores da arte musical, entre eles, vários que tocavam na Banda “Carlos Gomes”.

Na Banda “Italo-Brasileira” pontificaram grandes músicos, como por exemplo Ernesto e José Mascaretti, Carlos Chiarion (avô deste colunista), Vitorio Suppioni, José Pelegrino e outros tantos músicos de escol.

Posteriormente nasceu a Banda “Santa Therezinha”, que era dirigida pelo maestro Dario Giovanini e onde pontuavam músicos como Dino Paolinetti, Oswaldo Suppioni, Valentim Antônio Chiarion (pai deste colunista), Vitorio Migliorini, Aristoteles Archangelo, etc., cuja corporação musical alegrava as nossas quermesses, festivais, procissões religiosas e carnavais de nossa terra na década de 1930.

A Corporação Musical “Lyra Bragantina” foi fundada em 27 de agosto de 1933 pelo maestro José Umberto Aricó, com o concurso de musicistas dedicados, muitos dos quais, mais tarde, continuariam tocando sob a batuta do mesmo maestro em outra corporação musical desta cidade. A referida Banda de Música estava presente em todas as solenidades sociais, cívicas e religiosas às quais era convidada a comparecer.

Esta Corporação Musical representava, aos olhos de todos aqueles que acompanhavam o movimento musical desta cidade, uma iniciativa vitoriosa. Seu grande incentivador e que ocupou o cargo de orador da entidade foi o advogado Zeferino Vasconcellos, que faleceu em 15 de março de 1935 e, por ocasião de seu enterro, a diretoria da Corporação Musical “Lyra Bragantina”, incorporada aos seus músicos, acompanhou o féretro e executou as composições musicais preferidas em vida pelo referido causídico.

Em 20 de setembro de 1936, por ocasião do 3º aniversário da Corporação Musical “Lyra Bragantina”, o maestro José Umberto Aricó apresentou ao público de nossa terra, pela primeira vez, uma exibição da “Lyra Infantil”, formada por meninos com pendores musicais de 10 a 13 anos de idade, aos quais o referido maestro durante alguns meses deu aulas de música gratuitamente e que, findo o aprendizado, passaram a fazer parte dessa que era a complementação da Corporação Musical “Lyra Bragantina”.

Sob intensos aplausos da multidão, os garbosos infantes desfilaram nesse dia e em outras ocasiões pelas ruas da nossa urbe, e o sucesso alcançado em suas apresentações jamais será contestado, uma vez que seus componentes primavam por apresentar belíssimas demonstrações de seu talento musical.

Após o encerramento das atividades da Corporação Musical “Lyra Bragantina”, na Companhia Têxtil Santa Basilissa foi fundada uma banda musical que tomou o nome de Banda “Santa Basilissa”, e teve como maestro José Umberto Aricó e da qual faziam parte, dentre outros, Vicente Manoel Aricó, Augusto Ferreira da Silva, seus filhos Demerval e Argemiro Ferreira da Silva, Ailton da Rocha Dantas, Lourival Zamana e outros excelentes musicistas, que, assim como os integrantes da Banda “XV de Outubro”, com os quais se revezavam, executavam quinzenalmente, nas noites de domingo, no coreto da Praça Raul Leme, lindos dobrados, maxixes, cateretês e outras músicas, a maioria delas de autoria do maestro José Umberto Aricó, além de participar das festas que eram realizadas naquela renomada indústria de nossa cidade.

Com o encerramento das atividades da Companhia Têxtil Santa Basilissa, a Banda extinguiu-se e nessa ocasião o Padre Aldo Bolini, operoso vigário da Paróquia de Santa Terezinha, situada no Bairro do Matadouro, juntou um punhado de músicos oriundos da Banda recém-extinta com alguns membros da comunidade e fundou uma corporação musical que tocava nas procissões religiosas, nas quermesses organizadas pelos paroquianos e nas festividades cívicas, nas quais tomavam parte os alunos da Escola Coronel Assis Gonçalves, que funciona ao lado da Igreja. Porém, a vida dessa Corporação Musical foi efêmera, já que, com o perecimento de alguns componentes, poucos se interessaram em aprender música para tocar naquele agrupamento musical e preencher a lacuna deixada pelos músicos faltantes e dessa forma, as atividades da banda desapareceram.

Na década de 1.950, foi fundada pelo pistonista Antonio dos Santos, a Banda Musical “Nossa Senhora Aparecida” e sua principal finalidade era a de abrilhantar as festividades religiosas da paróquia do mesmo nome, na Vila Aparecida. Seu maestro era o próprio Antonio dos Santos e entre os seus músicos notávamos a presença de Luiz Apezzato (clarinetista), Raul e Amaury Venancio da Cunha (trombonetistas), Jaú (notável contrabaixista), Celso Fagundes (pistonista) e outros abnegados músicos.

Durante muitos anos, mais precisamente até o ano de 1980, existiu a referida Banda Musical. Porém, com a morte de seu dedicado fundador e falecimento de alguns músicos, além de outros contratempos, deixou de existir a Banda Musical que muitas alegrias trouxe àqueles que tiveram a felicidade de se deliciar com as peças musicais executadas com carinho pelos seus integrantes.

Todas as bandas musicais fundadas em nossa cidade, a despeito das grandes lutas que mantiveram para sobreviver, não tiveram o incentivo suficiente para continuar a jornada, deixando de brindar a nossa gente com os dobrados, marchas militares e outras músicas, executadas pelos seus componentes com vigor e maestria, advindas dos maviosos sons de seus instrumentos.

Entretanto, de todas as Bandas acima citadas a única que vinha sobrevivendo e veio a paralisar suas atividades em data não muito recente, em virtude da morte da maioria dos seus componentes e por falta de substitutos à altura, foi a Banda “XV de Outubro”, corporação musical bragantina que mais resistiu à marcha inexorável do tempo.

José Carlos Chiarion é advogado, escritor e membro da Associação dos Escritores (ASES). Foi vereador; colunista do Bragança-Jornal Diário; participou da fundação e foi presidente da Associação Bragantina de Imprensa (ABI). É autor do livro “Um Pouco da Nossa História”.