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BragançaPaulista16 Jan 2018


Colunistas


Hassib Abraão e a exposição “O Pantanal nas Telas”
Quarta-Feira,  15 ABR 2015
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 O artista plástico Hassib Abraão estará expondo um conjunto de telas com a temática “Pantanal”, numa produção específica para essa mostra. Hassib é um artista experiente que pinta na técnica acadêmica clássica. A mostra está no Museu Oswaldo Russomano até 3 de maio.

Exposição “Picasso e a Modernidade Espanhola”


Tela de Picasso, inspirada nela: “As damas de Avignon”
(Les Demoiselles D’Avignon). (Colaboração de Isnard Câmara de Oliveira)


As obras da Coleção do “Museo Nacional Centro de Arte Reina Sofía”, estão sendo expostas no Centro Cultural Banco do Brasil, em São Paulo. Com cerca de 90 obras, a exposição evidencia a influência de Picasso na arte moderna espanhola e os traços mais importantes e originais da sensibilidade artística que o pintor e seus contemporâneos espanhóis imprimiram ao cenário internacional das artes.

A exposição faz referência ao percurso de Picasso como artista e como mito, até chegar à realização de Guernica; à sua relação com mestres da arte moderna espanhola, como Gris, Miró, Dalí, Domínguez e Tàpies, entre outros presentes na mostra; e as suas contribuições para uma noção de modernidade voltada para o tempo presente. A mostra iniciou em 25 de março último e segue até 8 de junho.

Curiosidades sobre artistas e suas obras
Ainda falando de Cézanne

(continuando assunto da semana passada)


Tela de Cézanne “Grandes banhistas” (Les grandes Baigneuses) 

Parece um fadário a sorte de alguns pintores do Séc. XIX, no tocante à incompreensão dos pais, como aconteceu com Van Gogh, por exemplo. Van Gogh era de uma família da classe média. Seu pai, um pastor calvinista, tradicional, de princípios morais rígidos, sempre respeitado e ouvido por muitos. Essa liderança do pai levava Van Gogh a admirá-lo alucinadamente, como homem e como referência. Por tê-lo como espelho, queria ser um dia um ótimo pastor tal como era seu genitor. Seguir-lhe os passos, iria dar muita alegria a seu pai, embora não tivesse a menor inclinação ou vocação para pastor. Não se deu bem nesse seu primeiro objetivo, mas descobriu-se pintor.

Quem não gostou dessa descoberta foi seu pai, que, por causa disso, lhe adveio imensa preocupação e quiçá por desgosto em ver, nessa inclinação, uma confissão inconsciente de fracasso. Mal sabia o pai que não percebera o gênio que estava diante de si: seu filho, seu próprio filho... Um gênio que na verdade só fora reconhecido muito após a sua morte.

Com Paul Cézanne a inquietação paterna era a mesma. O pai de Cézanne era um rico banqueiro, vitorioso em sua profissão. Embora amasse seu filho, era enérgico e prepotente, exercendo forte pressão sobre ele. Quando descobriu que a vontade do filho era a de se aperfeiçoar em artes plásticas, relutou muito em admitir e não queria permitir que viesse a ter essa vida de pintor. Por não querer, impôs ao filho a obrigatoriedade de cursar uma faculdade, com a intenção de colocá-lo no trilho que ele, o pai, achava o certo.

Lá foi então Cézanne parar na Faculdade de Direito, que não a completara, obviamente. Essa desistência trouxe um grande desgosto para o pai. Então Cézanne, para agradá-lo, foi trabalhar em uma de suas agências bancárias. Como não era isso que queria, e sim ser pintor, desistiu então dessas lides e jogou-se inteiramente na arte. Vendo o pai que não iria conseguir mais demovê-lo dessa obsessão, foi obrigado a concordar e finalmente, e apesar de contrariado, ampará-lo financeiramente para sua subsistência e para lhe custear os estudos em uma academia de arte.

Na pintura, Cézanne amadureceu dentro da corrente impressionista, levado pelas mãos de Camille Pissarro, um dos pais do impressionismo. Pintou alguns quadros dentro do espírito dessa escola. Mas viu que ela não expressava bem seus sentimentos, sua sensibilidade. Afirmou-se com o estilo pré-cubista, tornando-se a grande inspiração de Picasso.

Os temas escolhidos para seus quadros não eram nada sociais: paisagens, casarios, banhistas, jogadores de carta, retratos. Poderia até ser um pintor que pintasse o social e as injustiças, como eram alguns temas de Van Gogh, porque ele, Cézanne, era amigo íntimo de Emile Zola, romancista muito prestigiado e autor de um dos melhores livros de cunho eminentemente social, intitulado “Germinal”, que conta a vida de mineiros de carvão e a exploração dos patrões sobre eles. Mas Cézanne fez diversos quadros, todos de alta sensibilidade, de temática diversificada, mas os que mais o marcaram foram os que o caracterizaram como o “iniciador da corrente cubista”.

Djalma Fernandes é Artista Plástico, professor de pintura e desenho, Vice-Presidente da Associação Bragantina de Artes Plásticas (ABAP), comerciante de materiais artísticos e colunista do Bragança Jornal Diário.