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BragançaPaulista21 Jan 2018


Colunistas


Exposição “Um Pintor Brasileiro” - Carmelo Gentil Filho
Quarta-Feira,  08 ABR 2015
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 O Museu Oswaldo Russomano está apresentando a exposição de Carmelo Gentil Filho. Um pintor impressionista genial.

Pinceldas precisas e bem colocadas, quase em manchas, revelam uma técnica apurada. Essa exposição é uma das melhores que já vi em nossa cidade, realmente imperdivel aos amantes das artes plásticas. Ainda dá tempo de ver, pois se encerra no próximo domingo, dia 12 de abril. Telas à venda; ótima oportunidade de fazer um bom investimento.

Praça da República, São Paulo

Um celeiro de grandes artistas no passado recente, hoje a Praça da República vive uma carência deles no que tange à qualidade. Os bons, contando, não cabem nos dedos das mãos. Havia ao redor, principalmente na Rua Marques de Itu, um grande comércio de materiais artisticos. O então prefeito Gilberto Kassab, numa infeliz e desatrosa ação, acabou com todo esse comércio.

A exposição feita pelos artistas na Praça sobreviveu, porém, com a retirada do comércio de materiais nas adjacências, o movimento caiu muito e vários artistas abandonaram esse trabalho aos domingos. Por dez anos seguidos frequentei quase todos os finais de semana a Praça da República.

Ia lá para expor minhas telas, ver as obras e ainda trocar experiências em conversas com os artistas que admirava. Tive o privilégio de conhecer Carmelo Gentil e outros grandes artistas, como Djalma Urban, Antonio Arena, Osvaldo e Evaristo, estes quatro ultimos já falecidos. Evaristo, segundo Carmelo Gentil, foi o maior artista que ele conheceu.

Estudei com Nilo Siqueira na cidade de Amparo, que sempre ia à Praça só para apreciar e trocar experiências; um artista fantástico. Também tive estudos com Luiz Pinto, no Morumbi, que faleceu há dois anos, e era considerado o melhor paisagista brasileiro naquela ocasião.

Temos também hoje em São Paulo, aquele que é considerado o melhor artista brasileiro da atualidade: Alexandre Reider. Mauricio Takiguthi, também é um artista talentosíssimo, de destaque e estudioso profundo do grande mestre americano David Leffel (ainda em atividade). Nilo, Luiz Pinto, Reider e Takiguhti não frequentaram a Praça para expor.

Aqui em Bragança, com alguns amigos artistas, tentamos implantar aos sábados pela manhã, exposições na Praça Raul Leme. Conseguimos reunir em torno de 30 artistas, em algumas edições, porém o desestímulo provocado pela falta de apoio da Secretaria de Cultura e trapalhadas com outras Secretarias, na ocasião, acabaram com nossas pretensões.

Só para ilustrar, um sábado chegamos para expor e encontramos a praça ocupada com um evento da área da saúde, ignorando a nossa já confirmada e autorizada exposição semanal. Tínhamos o sonho de tornar a Praça Raul Leme um polo cultural de nossa região, tendo a frequência de pessoas das cidades circunvizinhas. Quem sabe um dia retomaremos esse objetivo.

Curiosidades sobre artistas e suas obras
Tela “Maçãs e Laranjas” de Cézanne


Vamos analisar uma composição de Paul Cézanne, salientando as formas pré-cubistas que orientaram suas preferências artísticas como se veem expostas aqui, nesta tela (foto) e, dentro dessa linha, vamos ver também o modo como o artista dava resolução às composições, mais como arquiteto do que propriamente como um “combinador” de cor, embora que não a desconsiderasse, naturalmente.



É o que vamos ver neste quadro, em que se nota perfeitamente esse seu enquadramento, “Maçãs e Laranjas”. Obra executada entre 1895 e 1900. Essa é uma natureza morta, ou “bodegón” como muitos críticos gostam de chamar.

A preocupação de Cézanne foca-se na espacialidade, aproveitando a liberdade da distribuição de formas esféricas de acordo com que ele sentisse ou visse que ressaltaria a otimização da composição. Predomina o vermelho das maçãs e os raros amarelos com contorno vermelho das laranjas. Para equilibrar o tom carregadamente vermelho das pequenas esferas, Cézanne sugeriu o verde escondido entre as dobras da toalha.

A toalha, por sua vez, é um conjunto de formas geométricas (a sugerir o cubismo) harmoniosamente destribuído, quase ocupando totalmente a parte inferior da composição. As cores, infelizmente, a impressão do jornal, que é em preto e branco, não vai permitir que o leitor as perceba, mas, usando sua imaginação, poderá fazer uma ideia. (Pode ser apreciada, colorida, na versão web do jornal).
Ao fundo a cortina com motivo que Cézanne fez questão de “tecer” com desenhos cuidadosamente elaborados, compoem-se, num contraste mais escuro, com a claridade impetuosa da toalha.

O reconhecimento do valor da obra de Cézanne não se deu plenamente em sua época. Tanto Cézanne como Van Gogh não foram aceitos com facilidade pelo público aficcionado em arte do tempo deles. Cézanne foi menos rejeitado ou incompreendido, pois muitos de seus quadros ainda foram vendidos quando ainda ele era vivo.

Já com Van Gogh, o sucesso só veio 5 anos após a sua morte , em 1906. Haja vista que apenas um quadro de Van Gogh foi vendido quando o artista ainda estava vivo: o “Vinhedo Vermelho”. Em um outro artigo falaremos mais sobre Cézanne e sua influência sobre Picasso.(Colaboração de Isnard Câmara de Oliveira)

Djalma Fernandes é artista plástico, professor de desenho e pintura, vice-presidente da ABAP Associação Bragantina de Artes Plásticas, comerciante de materiais artísticos e colunista do Bragança Jornal Diário.