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BragançaPaulista21 Jan 2018


Colunistas


Curiosidades sobre artistas e suas obras: Evard Munch e ‘O grito’
Quarta-Feira,  01 ABR 2015
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 As pinturas rupestres nas artes pré-históricas registravam eventos, como por exemplo: uma caça, um homem, um caçador, embora fossem registros sem detalhes, quase em silhuetas. Com o desenvolvimento da humanidade, pessoas com novas mentalidades iam tomando o lugar dos mais antigos e caminhavam se desenvolvendo e sendo ajudados pelos aperfeiçoamentos tecnológicos e artísticos que iam brotando.

Os registros na pintura ou nas artes plásticas de modo geral, em consequência dessa evolução, foram se tornando cada vez mais complexos, mais sofisticados. Conforme o sentimento que em cada época se tornava mais forte, as escolhas e as escolas de artes foram se sucedendo.



No Século XVI, já com o alto grau de sofisticação, a visão artística era focada mais em artes fotográficas, isto é, quanto mais se assemelhasse ao que era visto, mais crescia seu valor; como se pode observar nas pinturas de Rafael Sanzio, Boticelli, Correggio, Da Vinci, Rubens, Caravaggio, e tantos outros.

Essa visão, marcantemente daquela época, denominada Escola Clássica, ou classicismo simplesmente, foi perdendo lugar para os artistas que iam surgindo. Questionou-se então se arte teria de ser cingida à cópia fidedigna da natureza ou, ao invés disso, ater-se ao registro do que a natureza pudesse causar em cada um, ou seja, não copiá-la, mas senti-la.

Esta nova visão veio se contrapor ao classicismo, com o aparecimento do movimento que se convencionou chamar de Impressionismo. Seria uma escola de arte completamente distante daquele registro fotográfico da escola anterior.

O batismo dessa nova manifestação artística foi causado por um quadro feito por Claude Monet que ele chamara de “Impressão, nascer do Sol”. Os conservadores classicistas chamaram a nova escola de arte com essa denominação mais como forma de deboche, de zombaria, mas os adeptos gostaram tanto dessa nomenclatura que a adotaram.

Uma vertente do impressionismo foi o expressionismo, onde a pintura adquiriu total liberdade, com uso de cores fortes e brilhantes, procurando essencialmente o registro da expressão. Pintar um retrato não tinha a menor preocupação com a aparência física, pintá-lo é como se procurasse estampar a personalidade do retratado, ou melhor, de sua “alma”.

Certa vez Van Gogh, explicando um de seus retratos, assim se expressou: “Exagerei a cor clara do cabelo, usei laranja, cromo e amarelo de limão, e por trás da cabeça não pintei a parede trivial do quarto, mas o Infinito. Fiz um fundo simples com o azul mais rico e intenso que a paleta era capaz de reproduzir. A luminosa cabeça loura sobressai desse fundo azul forte misteriosamente, como uma estrela no firmamento. Infelizmente, meu caro amigo, o público apenas verá nesse exagero uma caricatura – mas que nos importa isso?”.

Um norueguês, Evard Munch, contemporâneo de Van Gogh, lançou uma obra que teve repercussão universal, denominada “O Grito” (foto), uma obra considerada como um dos valores máximos do expressionismo, talvez o epítome dessa escola. A própria síntese do que se quer dizer no expressionismo.

O Grito provocou inúmeros protestos entre os aficionados pela arte. Achavam esses que a arte tem por “obrigação” registrar o belo, e, “O Grito”, estava bem longe disso. Diziam que era composta por uma figura horrenda e desproporcionada. Munch poderia ter replicado que um grito de angústia não é belo, que seria uma falta de sinceridade olhar apenas o lado agradável da vida. Pois os expressionistas sentiam tão fortemente o respeito do sofrimento humano, pobreza, violência e paixão, que estavam inclinados a pensar que a insistência na harmonia e beleza em arte somente nascera de uma recusa em ser sincero.

A arte dos mestres clássicos, como Rafael ou Correggio, parecia-lhes insincera e hipócrita. Eles queriam enfrentar os fatos nus e crus da nossa existência e expressar sua compaixão pelos deserdados e os feios. Tornou-se quase um ponto de honra dos expressionistas evitar qualquer coisa que cheirasse a “boniteza” e “polimento” e chocar o “burguês” em sua complacência real ou imaginada.” – como escreveu E.H. Gombrich, em sua “História da Arte”. Munch fez “O Grito” em quatro versões. Uma originalem tela e as outras em diferentes expressões, como litografia. (COLABORAÇÃO DE ISNARD CÂMARA DE OLIVEIRA)

EXPOSIÇÃO “UM PINTOR BRASILEIRO”

O Museu Oswaldo Russomano está apresentando uma exposição fantástica e imperdível. O artista Gentil Carmelo Filho, da Associação Paulista de Belas Artes, de São Paulo, trouxe telas magnificas, pintadas no estilo impressionista, quase em manchas, com cores rebaixadas tanto em luz como em sombra, dando a essência da verdadeira interpretação artística e não fotográfica de uma imagem. Pode se ver casarios, marinhas, paisagens, flores. Pinturas à lá prima, com pinceladas largas e únicas, dadas com maestria e precisão. Não percam! Uma das melhores exposições que já se apresentaram em nossa cidade.

ACADEMIA BRAGANTINA DE LETRAS (ABL) TEM NOVO PRESIDENTE

Sábado último, no Centro Cultural da FESB, o Dr. Fernando de Assis Valle Neto assumiu a presidência da Academia Bragantina de Letras, com mandato pelos próximos dois anos. Foram comemorados também os 10 anos de fundação da Academia.

Após a cerimônia de transmissão do cargo e posse dos eleitos, teve a premiação do concurso de crônicas. Foram lidas as três primeiras crônicas premiadas e em seguida foram entregues os certificados aos ganhadores, inclusive aos que receberam menções honrosas. Vários autores de diferentes estados participaram, dando magnitude ao concurso. Parabéns ao Dr. Fernando e sucesso em sua nova empreitada, nessa difícil missão de trazer cultura à nossa cidade.

Djalma Fernandes é artista plástico, professor de desenho e pintura, vice -presidente da Associação Bragantina de Artes Plásticas (ABAP), comerciante de materiais artísticos e colunista do Bragança Jornal Diário.