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BragançaPaulista17 Jan 2018


Colunistas


Carmelo Gentil: Um grande mestre expondo em Bragança
Quarta-Feira,  25 MAR 2015
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 Está expondo no Museu Municipal o artista Carmelo Gentil Filho. Sua exposição entitulada “Um pintor brasileiro” iniciou em 24 de março e se estende até 12 de abril.

Nascido em São Caetano do Sul, radicado em Santo André e trabalhando também na Associação Paulista de Belas Artes, em São Paulo, onde ministra aulas. Por intermédio de Aldo Barreto, seu aluno e membro da Associação Bragantina de Artes Plásticas, está trazendo suas telas para expor aqui.

É um brilhante artista, bastante respeitado e renomado em São Paulo e muito conhecido e admirado como um grande mestre na classe artística em todo o estado. Possui inumeros premios ganhos em salões oficiais. Suas paisagens, casarios e naturezas-mortas e marinhas são primorosas. Um jogo de luz e sombra muito bem aplicados, conduzindo os olhares dos apreciadores para os pontos áureos das telas.

Pintor experiente, tem em sua técnica o impressionismo de manchas bem feitas, “a !a prima”, tão dificil de atingir para qualquer pintor acadêmico. A coloração é rebaixada, dando uma interpretação plástica bem diferente das cores reais que se vêm em tantas telas de outros artistas. Com essa técnica, valoriza a pintura artistica, na sua essência, fugindo da interpretação que pende para fotografia.

Estive presente no vernissage, conversando com o artista (foto), na última segunda-feira, dia 23, apreciando as telas e constatei, como todos que lá estavam, o alto nível dessa exposição.

José Carlos Acerbi | Presidente da APBA (Associação Paulista de Belas Artes) fez a seguinte crítica sobre Carmelo Gentil: “Carmelo Gentil, artista, pintor, preocupado com a verdade artística e toques poéticos em suas telas. Equilíbrio de valores, expressividade de tons, variedade de nuances, perspectiva aérea, detalhes tais, que produzem uma agradável atmosfera e representam para vários artistas um degrau muito alto a ser atingido, são expressos nas obras de Carmelo de forma simples e natural.

O ponto de ouro e a forma agradável da distribuição das massas, são sempre conscientes, direcionando o apreciador em direção à luz, elemento essencial que deve predominar em uma obra de arte. O trabalho de Carmelo Gentil é um misto de beleza, luz resplandecente e sublimação poética, traduzidos em um afeto interior que dificilmente será esquecido”.

Convido e recomendo a todos os leitores que apreciam artes plásticas que visitem a exposição. É, com certeza, uma das melhores que se apresentaram em Bragança até hoje.

Curiosidades sobre artistas e suas obras
Única tela vendida por Van Gogh


Este quadro (foto) lhe rendeu 400 francos, algo em torno de mil dólares, hoje. O único quadro de Van Gogh que foi vendido quando o artista ainda vivia. Composição triangular, com acentuada linha marcando, em diagonal, os dois triângulos que preenchem o quadro todo.



As cores crescentes em luminosidade, de baixo para cima, combinadamente vivas, como só em Van Gogh, partem no mesmo sentido até ao se abrir na imensa luminosidade que pontifica no amarelo vivo na parte superior, e o sol como uma forte fonte de luz responsável por essa claridade. Um lindo quadro, de alta sensibilidade artística.

Esta obra foi feita em 1888, dois anos antes de sua morte, quando contava com pouco mais de 36 anos. Este fato, seu falecimento logo após a venda do quadro, é relevante para se realçar que Van Gogh já tinha se desenvolvido na plenitude de sua inigualável arte e quando ele foi vendido, já tinha produzido outros maravilhosos quadros, que hoje valem uma fortuna.

O reconhecimento de seu valor pela crítica universal, que infelizmente não alcançara em sua época, foi-lhe dado em torno de 30 anos após a sua morte e, no presente, comprovando-se ser extraordinária sua qualidade artística.

Quem comprou a obra produzida em 1888, foi Mme. Anna Boch, numa exposição realizada em Bruxelas, em 1890, ano da morte do artista. Mme. Anna era irmã de outro artista plástico, Eugene Boch.

Isso quer dizer que não era uma neófita em artes. Isso foi bom, pois quebrou o desprezo que quase todos os outros artistas tinham pelas obras de Van Gogh. Mme. Boch e seu irmão Theo pareciam ter sido os únicos que acreditaram em Van Gogh, mas não foram.

Dois outros, famosos no jornalismo de artes já haviam se empolgado com Van Gogh: um que assinava com o pseudônimo ”Luc Le Flâneur” (lê-se: lîque Le flanêr), Luc, o Vadio, ou Luc o homem que adora gozar a vida, e outro chamado Jozef Isaäcson que fizeram a maior propaganda de Van Gogh, convidando a todos que fossem à loja de Tanguy onde encontrariam “quadros fantasticamente vivos, intensos, repletos de sol”. Luc Le flâneur na realidade chamava-se Albert Aurier (Albért’ ôrriêr), era um jovem crítico de arte.

Empolgara-se tanto com Van Gogh que chegou a registrar em um de seus artigos: “um artista empolgante e poderoso, profundo e complexo – um colorista intenso e fantástico, moedor de ouro e pedras preciosas – vigoroso, exaltado, brutal, intenso, mestre e conquistador, incrivelmente deslumbrante”.

O fim do século XIX marcou o aparecimento de novas tendências nas artes plásticas, em contraposição ao classicismo reinante: o expressionismo e o impressionismo, principalmente. Van Gogh perpassou pelas duas, e, indo além, chegou ao pós-impressionismo. Aquele mesmo quadro que fora vendido a Mme. Boch por 400 francos, hoje vale milhões de dólares. Agora ele se encontra no Museu Estatal Pushkin de Belas Artes, em Moscou. (Colaboração de Isnard Camara de Oliveira)

Djalma Fernandes é artista plástico, vice-presidente da Associação Bragantina de Artes Plásticas, professor de desenho e pintura, comerciante de materiais artísticos e colunista do Bragança-Jornal Diário.