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BragançaPaulista18 Jan 2018


Colunistas


Curiosidades sobre artistas e suas obras: Toulouse Lautrec
Quarta-Feira,  04 MAR 2015
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 Henri de Toulouse-Lautrec - Pintor e cartazista do fim do século XIX, pertenceu ao que hoje se chama de pós-impressionismo, como são enquadradas certas obras de Van Gogh, Gauguin e outros. Era artista meticuloso, sempre à procura da perfeição, como Honoré de Balzac nas letras, que era exigente em seus trabalhos.

Balzac foi quem escreveu “A Comédia Humana” e romances famosos em que figuram “A Mulher dos Trinta Anos”, “Eugênie Grandet”, “Pai Goriot”, “Primo Pons” e muitos outros. A procura da perfeição no escritor era tanta que antes de serem publicados seus romances ele ia à tipografia para acompanhar a impressão, verificava página por página. Qualquer imperfeição, a menor que fosse, ele não deixava passar, exigia que se a refizesse.

Toulouse Lautrec também, quando na feitura de seus cartazes, era cuidadoso e mais ainda, era ele quem combinava os pigmentos das tintas até alcançar a cor que deveria ser impresso seu trabalho. Fazia diversas provas até que ficasse satisfeito com o produto final. Lautrec inovou nessa arte de cartazes.
Era boêmio e tornou-se amigo de todas as bailarinas que encantavam as noites parisienses na famosa casa de espetáculo chamada Moulin Rouge.


Toulouse Lautrec ao lado de
colaborador do Moulin Rouge


Não só amigo, era, ao mesmo tempo, irmão, pai e amante de muitas delas. E era correspondido, apesar de sua feiura e ostentar apenas 1,52 m de altura. Nos cartazes que fez de propaganda para o Moulin Rouge, lançou ao estrelato diversas bailarinas, entre elas a mais aclamada de todas, Jane Avril. Sensibilizou tanto seus cartazes que carreou respeito e consideração à bailarina, não obstante ter sido uma conhecida prostituta de profissão.

Descoberta por Lautrec em uma apresentação no Moulin Rouge, Jane Avril foi lançada ao estrelato com seus retratos e tornou-se uma de suas musas preferidas. O artista causou impacto ao retratar sensualidade dos momentos da dançarina (fotos acima).

Uma curiosidade sobre esse brilhante artista francês é que era de pequena estatura, sofria de uma doença desconhecida, possivelmente uma deficiência hipofisária. Na juventude sofreu dois acidentes fraturando os dois fêmures. Os ossos mal soldados pararam de crescer e fizeram que ele não ultrapassasse 1,52 m, tornando se um adulto, com pernas curtas de menino.

Apesar de sua baixa estatura, sua genialidade não tinha limites de grandeza. Produziu, além dos cartazes, telas magníficas de extrema habilidade em desenhos, que coloria com maestria e originalidade como nenhum outro artista tinha feito antes, o colocando no nível dos grandes mestres do impressionismo e pós-impressionismo.

A vida boêmia e desregrada que tinha em Montmartre e o excesso de álcool o condenariam, pois o corpo cobra as extravagâncias feitas durante a vida. Sofreu crises e foi internado em uma clinica psiquiátrica que, mesmo saindo vigiado, burlava essa vigilância e bebia extravagantemente. Sua saúde foi deteriorando gradativamente até que em 1901, ao contar com apenas 35 anos de idade sofre paralisias e não consegue mais pintar; depois teve derrame (AVC) e faleceu nos braços de sua mãe, em 9 de setembro de 1901.

Um de meus artistas preferidos pela leveza e soltura dos traços em seus desenhos; cores com riscos longos, absolutamente combinadas e justapostas, formando uma mistura ótica que, naquela época, Georges Seurat também testava com seu pontilhismo. Enfim, belíssimas obras que deixou em tão pouco tempo de genialidade. Aliás, por que muitos gênios morrem tão precocemente?

(Agradeço a colaboração na elaboração do texto de Isnard Câmara de Oliveira.)