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BragançaPaulista16 Jan 2018


Colunistas


A Arlesiana
Quarta-Feira,  25 FEV 2015
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 Contam que Vincent Willem Van Gogh, ou simplesmente Van Gogh, pintor holandês do Séc. XIX, cuja vida foi pontuada por fortes depressões, fracassos e mais fracassos que foram se acumulando ao longo de sua tumultuada existência, tinha muita dificuldade em se relacionar com mulheres.

Era por elas desprezado e mesmo repudiado. Nem mesmo com as prostitutas conseguia se entrosar. Talvez pelo fato de o fruto ficar sempre distante de seu domínio, tornara-o extremamente suscetível a paixões. Paixões que nunca eram correspondidas

Em Arles, cidade francesa, Vincent dividia uma casa com outro pintor célebre, Paul Gauguin. Gauguin era o oposto de Van Gogh. Afável, simpático, de boa figura, apreciado pelas mulheres, muito considerado e admirado por todos. Van Gogh, ao contrário, suscitava zombaria, deboche. Realmente era uma pessoa esquisita e de hábitos esquisitos. Gauguin, de espírito gozador, não se furtou e nem perdera oportunidade de “molestar” Van Gogh por causa de seu “jeitão”.



Havia uma senhora, casada com o dono do restaurante localizado na estação de trem de Arles, chamada Mme. Ginoux, amicíssima de Gauguin, a quem, segundo consta, Van Gogh nutria forte paixão. Certa vez, Gauguin pediu-lhe que posasse para ele, ao que ela cortesmente acedeu. Essa novidade chegou aos ouvidos de Van Gogh e o eletrizou totalmente. E, sem perda de tempo, rogou a Gauguin que o deixasse pintá-la também, e, muito embora a contragosto, Gauguin aquiesceu.

Van Gogh fizera diversos retratos das pessoas com as quais convivia, sem a pretensão de procurar fazer desses retratos uma cópia fotográfica. Médicos, carteiros, donos de lojas etc. além de pintar diversos lugares que costumeiramente frequentava. Um desses lugares era justamente o restaurante do marido da Mme. Ginoux, onde tinha uma mesa de snooker.

Por brincadeira, Gauguin, valendo-se da ocasião, não deixou barato, dando o troco à insistência inconveniente de Van Gogh. Fez um quadro a óleo ao estilo de Van Gogh, reproduzindo mais ou menos o ambiente dos quadros de seu amigo. No quadro, Gauguin reproduz o que Van Gogh fez quando pintou o restaurante da estação.

Ao fundo, vêem-se diversas pessoas tiradas dos outros retratos feitos por Van Gogh, como o carteiro Roulin, as pinturas imitativas da arte japonesa, prostitutas, Mme. Ginoux entre as prostitutas e, no primeiro plano, outra vez uma cópia da Mme. Ginoux feita por Van Gogh.

“En passant”, percebam que a arlesiana Mme. Ginoux estava com a mão esquerda tapando parte de seu rosto, por um único propósito: por não querer que Van Gogh a retratasse. Quando Mme. Ginoux posava para os dois, o lado direito de seu rosto ficava voltado para Gauguin e o esquerdo para Van Gogh. (colaboração de Isnard Câmara de Oliveira)

INDICAÇÃO DE LIVRO

“Eu fui Vermeer” (a lenda do falsário que enganou os nazistas), de Frank Wynne, narra a história do holandês Han Van Meegeren, um dos maiores falsários de todos os tempos, especialista em criar quadros que reproduzem em detalhes o estilo e a técnica do pintor Johannes Vermeer, vivendo no turbilhão da Segunda Guerra Mundial e da revolução da arte moderna. Van Meegeren faturou mais de 50 milhões de dólares com seus quadros falsos, vendidos aos maiores museus da Europa e amplamente aclamados pela mídia.

Mais que isso, teve a satisfação de fornecer quadros falsos aos nazistas, arrancando uma verdadeira fortuna do Terceiro Reich. Um livro muito interessante; uma trajetória desvirtuada de um artista que poderia ter uma carreira brilhante, pela competência, mas optou pelo lado errado da arte.

ASSOCIAÇÃO BRAGANTINA DE ARTES PLÁSTICAS – ABAP

A Associação Bragantina de Artes Plásticas tem novo presidente. Ele é Mathias Abreu Lima Filho. Professor de filosofia, história da arte e museologia na FESB. Tradutor de livros de artes e ainda escritor. Também um artista das telas muito competente e uma pessoa muito ativa; comigo organizando mostras e expondo suas obras. Sempre ao meu lado lutando pelas causas das artes visuais em nossa cidade.

Agora me substituindo na presidência, o ajudarei como seu vice. Estamos a algumas semanas mantendo conversações com a Secretaria de Cultura para viabilizar alguns projetos antigos que temos e boas novidades surgirão logo. Depois de concretizadas as tramitações, anunciaremos.

Djalma Fernandes é artista plástico, professor de desenho e pintura, Vice-presidente da Associação Bragantina de Artes Plásticas, comerciante de materiais artísticos e colunista do Bragança Jornal Diário.