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BragançaPaulista21 Jan 2018


Colunistas


Venda de obra com valor recorde
Quarta-Feira,  11 FEV 2015
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 Esta semana, uma tela do artista francês Paul Gauguin foi vendida pela maior quantia já paga por uma obra de arte em todos os tempos: U$ 300 milhões, o equivalente a R$ 835 milhões. Ela estava exposta no Museu Kuntsmuseum Basel, na cidade suíça de Basileia. A pintura pertencia a um colecionador suíço, Rudolf Staechelin. A obra é “Nafea FaaIpoipo” (foto abaixo) (Quando você vai se casar?).



A tela foi pintada em 1892 no Taiti, onde o artista viveu por algum tempo. Não foi divulgada a identidade do comprador, mas cogita-se que foi comprada por colecionadores do Catar, um país do golfo pérsico. Anteriormente a essa venda, tínhamos as seguintes obras como as mais bem vendidas:

Paul Cézanne % Os jogadores de cartas: Antes da venda do quadro de Gauguin, a obra de Cézanne era considerada a mais cara do mundo. Também adquirida por colecionadores do Catar, teria sido arrematada por cerca de R$ 670 milhões em 2011.

Francis Bacon % Três estudos de Lucian Freud % O tríptico é considerado uma das maiores obras-primas de Bacon. Foi vendido em novembro de 2013 por cerca de R$ 380 milhões após seis minutos de intensa disputa na casa de leilões Christie’s.

Edvard Munch % O Grito % Provavelmente uma das obras de arte mais famosas do mundo, O Grito foi vendido em maio de 2012, ao fim de uma guerra de lances que durou 12 minutos. O quadro, uma das quatro séries do pintor norueguês, pertencia a um colecionador privado e acabou vendido por R$ 314 milhões.

Gustav Klimt % Retrato de Adele Bloch-Bauer % Segundo o jornal americano The New York Times, a Neue Galerie pagou o equivalente a R$ 309 milhões pela pintura a óleo em uma venda particular em 2006. O quadro havia sido roubado pelos nazistas durante a 2ª Guerra Mundial, e foi devolvido aos herdeiros, a família judia Bloch-Bauer, em 2006.

Jackson Pollock - No. 5 % O famoso quadro do pintor expressionista americano foi arrematado pelo então valor recorde de R$ 309 milhões, segundo o New York Times. A obra foi vendida pelo magnata americano David Geffen, que fez fortuna na área musical, para o megainvestidor mexicano David Martínez.

Pablo Picasso % Nu, folhas e busto % Considerada uma das maiores pinturas feitas por Pablo Picasso no Pós-Guerra, foi vendida em Nova York em 2010 pelo equivalente a R$ 278 milhões.

DE ONDE VIEMOS? QUEM SOMOS? PARA ONDE VAMOS?

Esta tela concebida por Gauguim, considerada sua obra prima, foi pintada no Taiti, para registrar, provavelmente, suas dúvidas existenciais. Revela, talvez, sua incredulidade quanto à existência de Deus. Sentia-se perdido perante o viver de sua própria existência. O que somos nós? Para onde vamos? Porque existimos? Impossível existirmos e, no entanto, existimos. Dirigimo-nos para algum lugar?

Talvez sim, talvez não. Existimos mas não fomos criados por ninguém. E porque existimos? Qual a lógica nisso? Essas dúvidas que o perturbavam, ele fez questão de registrar nessa famosa tela. Gauguin jurou que após terminar essa tela, terminaria também com seus dias. Ele tinha tendência suicida, tanto que tentou pelo menos por uma vez.

Explicou o artista que a leitura de sua obra deveria se iniciar da direita para a esquerda. Na direita, há três mulheres com uma criança representando o início da vida; o segundo, grupo do meio, simbolizando o cotidiano da vida dos jovens adultos e o último grupo, representando a velhice; a morte se aproxima de uma mulher idosa que parece estar conformada com o próprio fim; à seus pés, um pássaro branco estranho (...) representando a inutilidade das palavras. O Ídolo azul ao fundo, aparentemente, representa o que Gauguin descreve como “O além”. O improvável além.

Paul Gauguin, em 1891, trocou a França pelo Taiti, em busca de uma sociedade mais fundamental e simplista. Além de várias outras pinturas de sua criação que expressam uma mitologia altamente individualista, ele começou esta pintura em 1897 e terminou em 1898, considerando-a como sua obra prima e o grande clímax de seu pensamento. Ela representa o que ele pensava sobre o ciclo e o sentido da vida.

As dimensões desta tela são de 139,1 cm x 374,6 cm. Está exposta no Museum of fine Arts, em Boston, Estados Unidos. É Um óleo sobre tela pertencente ao movimento artístico “Pós-Impressionista”.

Há um filme feito sobre essa aventura do pintor, saindo de Paris e indo ao Taiti. Chama-se “Rumo ao Paraíso”, estrelado por Kiefer Sutherland (ator da série 24 horas). Um belíssimo filme que, logicamente, faz parte do meu acervo.

Eugéne Henri Paul Gauguin ou Paul Gauguin, como ficou conhecido, nasceu em Paris em 7 de junho de 1848 e faleceu nas Ilhas Marquesas em de maio de 1903. (colaboração de Isnard Camara de Oliveira)

Djalma Fernandes é artista plástico, professor de desenho e pintura, presidente da Associação Bragantina de Artes Plásticas, comerciante de materiais artísticos e colunista do Bragança Jornal Diário.