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BragançaPaulista16 Jan 2018


Colunistas


Michelangelo e a Bíblia
Quarta-Feira,  04 FEV 2015
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 Michelangelo, um dos maiores artistas da história da humanidade, senão o maior, o que esculpiu David. De tão perfeito, diz a lenda que após terminar a estátua, ele bateu com cinzel na mesma e exclamou: - Fala! Michelangelo baseava-se na Bíblia para ter a descrição dos personagens que pintava ou esculpia. Ah! A Bíblia! Quem ao menos nunca folheou uma Bíblia? A Bíblia, que muitos tomam como base de conduta moral e religiosa.

Que alicerça religiões adotadas em mais da metade do mundo, livro sagrado que conta a história de Deus e seus ensinamentos e a história de seu filho especial, Jesus. Conteria a Bíblia realmente fatos verídicos ou só fatos verídicos? Há quem pense que não. Há quem pense que a Bíblia nada mais é do que a compilação de diversas lendas que percorreram a história antiga da humanidade.

Há quem siga seus ensinamentos ao pé da letra, sem descaminho algum. Mas tudo fica em suspenso, sendo ou não verdadeira. Mas, deixemos para os entendidos em história falarem. Porém, um fato é verdadeiro: é aquele que explica porque Michelangelo fez a estátua de Moisés com dois cornos a ornar sua cabeça.

A Bíblia foi escrita originariamente em hebraico. Não era a língua dos detentores do poder do mundo, naquela ocasião, os romanos. Estes falavam latim.

O Imperador Constantino converteu-se ao cristianismo. Em consequência o eixo do cristianismo deslocou-se do Oriente Médio para Roma. Para completar a fé cristã só faltava um passo, traduzir a palavra de Deus para o Latim, ou seja, traduzir a Bíblia escrita em hebraico para o latim.

A missão então coube a Eusebius Hyeronimus, mais tarde canonizado como São Jerônimo, tarefa determinada pelo Papa de então, D. Damaso I. Eusebius viajou a Jerusalém para aprender hebraico e adquirir condições para traduzir a Bíblia e, foi dessa Bíblia traduzida em Latim que deu origem a todas as outras traduções no mundo. Mas Eusebius não estava tão familiarizado assim com o hebraico.

Ao traduzir uma passagem do Êxodo, que descreve o semblante do profeta Moisés, São Jerônimo escreveu em latim: cornuta esse fácies sua, ou seja, “sua face tinha chifres”. Este detalhe foi levado a sério por diversos artistas, entre os quais Michelangelo que, ao esculpir Moisés, colocou na cabeça do profeta dois cornos.

Tudo isso porque São Jerônimo claudicou na palavra hebraica karan, que tanto significa, em hebraico “chifre” como “raio de luz”. Portanto, São Jerônimo induziu Michelangelo a erro. Ele tinha raios de luz e não chifres, que mesmo sendo inconcebível, levou a cabo em sua obra. O interessante seria imaginar Michelangelo ter entendido corretamente e saber como ele resolveria plasticamente na estátua os raios de luz!



Nesta estátua de Moisés (foto) feita pelo genial Michelangelo vê-se nitidamente os dois chifres ornando a cabeça do profeta. E por falar desse monumento, percebe-se também a genialidade de Michelangelo. Observa-se que o artista quis ressaltar o quanto era atento a Moisés. Nota-se que Michelangelo sugere que Moisés estivesse cofiando sua barba, e, de repente, algo lhe chama a atenção quando ele vira rapidamente a cabeça para a esquerda, como se verifica pela barba torcida, que, depois do movimento com a cabeça, ainda continua presa entre os dedos da mão direita. (Colaboração: Isnard Câmara de Oliveira)

UMA IDEIA UTÓPICA

Num desses dias atrás, passando em frente à Câmara Municipal fiquei pensando sobre aquele prédio. Um dia ele abrigou a Prefeitura Municipal; hoje abriga a Câmara Municipal, seus departamentos e ainda a Biblioteca Municipal. Como já frequentei diversas vezes as sessões da Câmara, sei que o plenário é pequeno, acanhado e já é hora de se projetar um prédio mais amplo, pois Bragança cresce e aquele já não está mais comportando a casa do Legislativo bragantino, a meu ver, logicamente. Poderia então ser construído outro prédio maior.

Muito bem, continuando o raciocínio e encaixando no assunto dessa coluna que é artes e cultura, uma vez desocupado, me passou pela ideia a possibilidade desse prédio vir um dia abrigar o Museu Municipal Osvaldo Russomano, que hoje está estrangulado no prédio atual e que seria mais bem acomodado, possibilitando ampliar o acervo e expô-lo por completo; a biblioteca continuaria lá e ampliada também; abrigar uma Pinacoteca Municipal contendo o acervo de telas, esculturas e outras manifestações artísticas; salas para oficinas artísticas entre outras coisas atinentes. Por que não? O local seria apropriadíssimo, perfeito! Um centro cultural maravilhoso! Sonhar não custa nada.

Aí alguém vai perguntar-: E o Colégio São Luís? Então né, o Colégio São Luís! Há contestação de projeto e essa bendita reforma não sai. O que há hoje é só obra absolutamente necessária para “não ruir”. Do projeto original da reforma, uma revisão da ocupação somente poderia ser feita; entendo que poderia concentrar salas de teatro, música clássica e dança, voltando às origens de sua construção, no final do século 19. Fica a dica!

INSTITUTO EDUCACIONAL CORAÇÃO DE JESUS – 100 ANOS

No dia dois de fevereiro de 1915, o Instituto Educacional Coração de Jesus (Colégio das Madres, como é carinhosamente conhecido) iniciava suas atividades pedagógicas, fazendo, portanto cem anos. Uma Entidade importantíssima na história de nossa cidade.

Djalma Fernandes é artista plástico, professor de desenho e pintura, presidente da Associação Bragantina de Artes Plásticas, comerciante de materiais artísticos e colunista do Bragança Jornal Diário.