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BragançaPaulista22 Jan 2018


Colunistas


Jean Baptiste Debret
Quarta-Feira,  28 JAN 2015
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 Dom João VI chegou ao Brasil em 18 de janeiro de 1808, trazendo com ele toda a corte. Em 1816, Dom João VI convocou artistas franceses para virem ao Brasil com objetivo de registrar toda diversidade de plantas, animais, aves e habitantes, não só em desenhos mas também em relatos. Jean Baptiste Debret, então com 48 anos, chegou aqui e iniciou sua missão.

Foi um dos primeiros artistas a trabalhar em terras brasileiras. Uma de suas obras, uma aquarela, “As primeiras ocupações da manhã” (foto), mostram um dos trabalhos desse pintor-cronista. Seu relato é detalhado sobre essa aquarela:



“A cena se passa na Rua da Ajuda no Rio de Janeiro e representa algumas ocupações das seis horas da manhã. O canto esquerdo do desenho mostra parte da única porta de entrada de um humilde pavimento térreo, ilustre fábrica de balas. O lampião localizado ao lado da fábrica de balas recebe também há essa hora os cuidados diários de limpeza e manutenção de subalternos, cujo odor infetante assinala aos transeuntes a presença dos negros a serviço do empreiteiro geral da iluminação da cidade.

É muito útil evitar igualmente, ao longo do dia, as proximidades dos armazéns da administração, que depois de abertos formam um foco de emanação de miasmas perniciosos de óleo de baleia. O grupo do centro é composto por uma velha negra dando religiosamente seu vintém, a fim de ter privilégio de beijar o vidro de um pequeno relicário, a imagem de cera da Virgem da Conceição que lhe é apresentada por um velho”.

Jean Baptiste Debret nasceu em Paris em 18 de abril de 1768 e faleceu também em Paris, em 28 de junho de 1848. Deixou um legado imenso de obras. Publicou em Paris um livro, em três tomos, de todo seu trabalho no Brasil.

(Agradeço ao amigo Isnard Câmara de Oliveira pela colaboração e pelo interessante tema proposto)

Benedito Calixto

Um dos maiores pintores brasileiros também trabalhou em nossa região. Por volta de 1911 ele esteve em Atibaia, por motivo de saúde. Estava com problemas pulmonares e lhe foi recomendado vir para cá, em nossa região para respirar melhores ares. Produziu em Atibaia uma belíssima tela com cena da cidade, vista de longe.

Vi essa tela pessoalmente, no Clube Recreativo, e é magnifica. Também esteve em Amparo onde elaborou varias obras, decorando residências, aos então barões do café. Impressionante são os desenhos de estudos de figuras humanas, que fez em estúdio, ao vivo, em Paris.

Estes desenhos estão expostos, bem como algumas de suas telas, na Fundação Pinacoteca Benedito Calixto, em Santos. Estive por lá também visitando. A Pinacoteca do Estado, em São Paulo, também tem várias obras do artista.

Nascido em 14 de outubro de 1853 na cidade de Itanhaém, litoral sul de São Paulo, Benedito Calixto realizou uma extensa obra. Sua primeira exposição aconteceu em São Paulo, em 1881, no Salão Nobre do Correio Paulistano, com boa aceitação da crítica.

Neste mesmo ano fixou residência em Santos, onde ganhou notoriedade ao executar as pinturas do teto do Teatro Guarani. Foi à França realizar estudos em janeiro de 1883, ficando em Paris praticamente um ano. Voltou ao Brasil, para Santos e depois foi para São Paulo realizando várias exposições. Em 1894 foi morar em São Vicente, de onde não mais se afastaria até sua morte, em 31 de maio de 1927.

SIB – Utilidade Pública Estadual


A Sociedade Ítalo-Brasileira conseguiu a Certificação de Utilidade Pública Estadual (Lei 15.638, de 23 de dezembro de 2014). O deputado estadual Beto Trícoli, que propôs e acompanhou, foi fundamental para essa conquista. Com esse reconhecimento, a SIB poderá avançar bem mais na fomentação da cultura em nossa cidade.

Uma importante conquista feita pelo empenho de seu presidente, Edilberto Daólio, e do citado deputado. Agora, com certeza, o planejamento da SIB terá grandes chances de ser realizado e teremos grandes novidades no futuro, como me antecipou o presidente. Aguardemos as novidades; na época oportuna divulgaremos.

Secretaria de Cultura e Turismo e a cláusula pétrea: verba de carnaval

Por enquanto só carnaval. Não se respira outra coisa senão isso pelos lados de lá. O carnaval ocupa a equipe em 100%. Quique Brown e Dani Verde estão até ‘corcundas’ com o peso do fardo. Esse trabalho deveria ser compartilhado com outras secretarias, cada qual com uma tarefa bem específica, dividindo o trabalho árduo. Entendo que o investimento no carnaval é grande e se o recurso gasto fosse aplicado em outras atividades seria mais útil. Pelos anos anteriores foi em torno de 1,5 milhão cada evento de carnaval.

Divida isso por doze meses e aplique em oficinas de teatro, dança, artes plásticas, musicas clássica e popular, artesanatos, instrumentais e outras atividades culturais: não seria uma avalanche de cultura na cidade? Nada contra carnaval, mas com menos investimento de recursos públicos seria melhor. As escolas conseguiriam recursos o ano todo com eventos, contando com uma ajuda, não tão substancial, da Prefeitura. Nos últimos anos, em torno de 40% da dotação anual da Secretaria sempre foi nesse evento.

Não acredito em retorno como lotação de hotéis, bares e restaurantes. Acredito em uso excessivo de álcool, drogas, excessos comportamentais, como se tudo pudesse nesses dias. Quarta-feira de Cinzas, operação rescaldo. Depois o que sobra da verba à Secretaria é pouco para outras atividades. Dificilmente isso vai mudar; é cláusula pétrea.

Djalma Fernandes é artista plástico, professor de desenho e pintura, presidente da Associação Bragantina de Artes Plásticas, comerciante de materiais artísticos e colunista do Bragança-Jornal Diário.