BJD
33 máx 20 min
BragançaPaulista18 Jan 2018


Colunistas


Guido Ducci
Quarta-Feira,  07 JAN 2015
Tamanho dos caracteres

 Sobre os artistas italianos que imigraram para o Brasil e deixaram um legado de obras de primeiríssima qualidade, destacamos nesta semana Guido Ducci, que em nossa cidade viveu e trabalhou, executando belíssimas pinturas.

Vi algumas obras dele na cidade de Amparo e aqui conheci a tela que está em poder da Cúria. Uma obra prima, magnifica.

Guido Ducci nasceu em 1865, na Itália, filho de Ettore Ducci e de Annunciatta Bencini. Moço ainda, casou-se com Bianca, uma signorina de 21 anos, filha de Guido Mesuri e Henriquetta Fagnani.

As críticas condições na Itália ao fim do século 19 não ofereciam boas perspectivas para as famílias italianas. Ao mesmo tempo, muitos italianos se encantavam com as propagandas levadas a efeito pelo governo brasileiro na Itália e que convenceram muitos a virem para nosso país. Nessa leva da imigração gratuita, lá pelos idos de 1890, Guido, na companhia da esposa, imigrou para o Brasil, atraído pelas notícias do progresso do Estado de São Paulo.

Residiram por algum tempo na Capital paulista. Sabe-se que em razão do estado de saúde da esposa, fora aconselhado a sair da poluição da espessa fumaça negra produzida pelas fábricas paulistanas, e irem morar em região montanhosa e de ar salubre.

Assim, por volta de 1891, o casal veio para Bragança e aqui tiveram 5 filhos: Cezar (nascido em 1894), Adolfo (1897), Virginia (1899), Laura Silvia (1900) e Elide Ducci (190l); as duas últimas faleceram em tenra idade. Guido, conhecendo e se relacionando com pintores brasileiros, era por eles admirado e elogiado.

Por ocasião da construção do Theatro Carlos Gomes (1892-1898), foi convidado pelos empreendedores Isidro Gomes Teixeira e Felipe Rodrigues de Siqueira para fazer algumas decorações naquele prédio.

Quando estava na fase final de construção, Guido Ducci foi incumbido de executar toda a decoração interna daquela casa de espetáculos. No “plafond” - teto da sala de espetáculos do teatro - ele pintou o retrato de Carlos Gomes, compositor campineiro de fama internacional.

A cortina “pano de boca” foi por ele toda decorada e, segundo noticiário da época, era um trabalho admirável. Esses trabalhos, elogiados pela crítica e admirados pelo povo, destacavam-se pela naturalidade dos temas aplicados. No “foyer” - salão de espera do teatro - ele executou várias pinturas murais alusivas às casas do comércio local.

Guido Ducci foi sem dúvida um grande mestre na arte da pintura. Naquela época, como moda, a pintura decorava as mansões urbanas. Predominavam os retratos e as idealizações de “estilos nobres de vida”. Retratou “a crayon” a figura de Domingos Ninni (1901) e de Antenor Villaça, destacados comerciantes de nossa cidade. Decorou internamente diversas residências: a de João Hermenegildo de Oliveira, Vitório Suppioni, Vamese Barbini, Sinhazinha Félix, Antônio Sanchez e os prédios da família Stefani.

Na Loja Paraíso, que existiu na Rua Direita (hoje Cândido Rodrigues), ele pintou em afresco um quadro que denominou “Paraíso Celeste”. Na Igreja Matriz, decorou toda a parte interna da Capela do Santíssimo e do Batistério. Trabalhou em diversas telas de temas religiosos, como “O Batismo de Cristo”, que ele doou à Igreja Matriz.

Em abril de 1897 ocorreu a visita pastoral do bispo de São Paulo, Dom Joaquim Arcoverde de Albuquerque Cavalcanti, quando se fez a benção da primorosa Capela do Santíssimo da Igreja Matriz. Impressionado com a pintura de Guido Ducci, convidou-o para ir a São Paulo executar alguns trabalhos em igrejas da Capital.

Naquele mesmo ano, Guido pintou a óleo para a Matriz de Bragança, o quadro “Aparição do Coração de Jesus à Bem-aventurada Margarida Maria de Alaquoque”, quadro esse que foi muito elogiado pelo grande pintor brasileiro, Benedito Calixto, quando de sua visita à nossa cidade, em 1908. Esta belíssima obra se encontra em poder da Mitra Diocesana.

Quando da reconstrução da velha Igreja Matriz - 1912 a 1918 - o vigário da paróquia, Cônego José Carlos de Aguirre, protegeu e manteve as decorações do Batistério e da Capela do Santíssimo pintadas por Guido Ducci. Estas desapareceram do cenário bragantino em 1965, na demolição da antiga Catedral.

Utilizando a técnica ‘bico-de-pena’, Guido Ducci desenhou as capas do livro “Chronologia Paulista”, obra de José Jacinto Ribeiro escrita em três volumes e publicada em 1899, com aprovação da Lei Estadual nº 594, de 5/9/1898. Guido vivia normalmente sua vida em Bragança, na companhia da família, porém o ano de 1902 lhe foi desastroso. Em janeiro falecia a filha caçula Elide e um mês após, 27 de fevereiro, sua esposa Bianca.

O artista não resistiu aos fatos e, em 17 de junho de 1902, suicidou-se, deixando três filhos bragantinos. Tinha apenas 37 anos de idade. A colônia italiana, radicada em Bragança, se uniu em benefício dos filhos do pintor.

A Società Italiana Fratellanza, sediada na Rua da Estação, através do seu Grupo Filodramático apresentou-se no Theatro Carlos Gomes e no Teatro Bragantino, em beneficio dos filhos do pintor, com o intuito de angariar fundos de auxílio aos menores, para poderem encaminhar os pequenos órfãos à Itália, onde seriam criados e educados por familiares.

Nos espetáculos, foi apresentada a peça de nome “Margarida”, escrita por Adolfo Bertolloti, amigo do artista. Guido Ducci deixou entre seus discípulos, três que se destacaram: Herculano de Campos, Eugênio Scapin, autor de grandes obras no Rio de Janeiro e em Poços de Caldas, e Leopoldino de Oliveira, que pintou o pano–de-boca do Central Teatro de nossa cidade, incendiado em agosto de 1912. (Informações obtidas com José Roberto Vasconcelos, historiador bragantino)

EVENTOS CULTURAIS EM JANEIRO


A Secretaria Municipal de Cultura e Turismo está empenhada somente na preparação para o carnaval; praticamente mais nada será feito neste mês. Único evento que continua é o aberto em dezembro: a exposição das telas de Osmar Augustinho, Giselda Dias Roa e Márcio Robert no Museu Oswaldo Russomano.

Uma boa exposição que vale a pena dar uma conferida. Telas de boa qualidade expostas. Osmar tem uma boa técnica, oriunda de estudos com a excelente artista Paula Soares.

É o de praxe, passou o carnaval e então entra a preparação do Maio Cultural. Os meses de março e abril também deverão ficar à deriva na cultura. Depois vem o Festival de Inverno e a vez da vacância fica para junho. Fazer o que?

Nesse dia 6 de janeiro aconteceu a desmontagem dos famigerados “enfeites” de Natal. Que sirva de lição. Nunca mais impor uma arte extremamente discutível à população. É tentar passar um elefante pelo buraco de uma agulha. O resultado só tinha que ser aquele mesmo. Plantou vento, colheu vendaval! Fomos expostos ao ridículo na mídia nacional.

Djalma Fernandes é artista plástico, professor de desenho e pintura, presidente da Associação Bragantina de Artes Plásticas, comerciante de materiais artísticos e colunista do Bragança-Jornal Diário.