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BragançaPaulista21 Jan 2018


Colunistas


Antônio Ferrigno
Quarta-Feira,  24 DEZ 2014
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 Antonio Ferrigno é um dos gigantes da arte brasileira, autor de uma das belas telas do acervo da Pinacoteca do Estado: Mulata Quitandeira (foto), de tamanho grande, 1,79 x 1,25 m.

Nascido em Maiori, província de Salerno, estudou pintura com Giacomo de Chirico, em Nápoles. Aos 19 anos recebeu bolsa de estudo e matriculou-se na Accademia di Belle Arti di Napoli (Academia de Belas Artes de Nápoles), e frequentou, de 1883 a 1885, o curso de escultura com Stanislao Lista e de pintura ao natural com Teofilo Patini. Entre 1884 e 1886, frequentou o curso de Domenico Morelli. Começa a se interessar pela pintura paisagística e realiza vistas de Nápoles. Abre, com Luigi Paolillo, um pequeno ateliê de pintura.



Parte para o Brasil em 1893 e fixa residência em São Paulo, onde desde 1887 se encontra o amigo e pintor Rosalbino Santoro. Convive com Pedro Alexandrino e Almeida Júnior e torna-se amigo do mecenas Freitas Valle. Rapidamente alcança notoriedade como pintor e passa a receber encomendas de fazendeiros, entre as quais se destacam a série de 12 telas sobre o cultivo do café, que reproduzem a vida e os costumes do interior paulista, feita para o Conde de Serra Negra em 1900, e as seis grandes telas sobre diversos momentos da lavoura do café, pintadas na Fazenda Santa Gertrudes, localizada no atual município de Santa Gertrudes, São Paulo, em 1903. Em 1905, antes de retornar à Itália, realiza uma exposição individual com 64 obras, a maioria de paisagens e marinhas. A mostra obtém grande sucesso, pois quase todas as obras são vendidas.

De volta a Salerno, mantém uma vida artística ativa, participando das principais mostras na Itália. Obtém a cátedra de professor de desenho da Escola Técnica de Salerno, em 1913. E no ano seguinte participa do Salondes lndépendents, em Paris. Em 1927 participa da Mostra Salernitana, realiza exposição individual em Salerno e expõe em Nápoles diversas marinhas, paisagens da costa e jardins. Em comemoração a seus 50 anos de atividade artística em 1933, foi realizada uma exposição especial em Salerno. Antonio Ferrigno morreu em Salerno, no dia 12 de dezembro de 1940.

A ÁRVORE DA DISCÓRDIA

Entendo que foi um erro a decisão de entregar a um artista que segue na linha Underground, arte conceitual, a decoração de natal. Esse tipo de arte é polemico, pois provoca reações pró e contra dos observadores. Mas o que é Underground? O Wikipédia, no Google, define assim:

Underground (“subterrâneo”, em inglês) é uma expressão usada para designar um ambiente cultural que foge dos padrões comerciais, dos modismos e que está fora da mídia. Também conhecido como Cultura Underground ou Movimento Underground, para designar toda produção cultural com estas características, ou Cena Underground, usado para nomear a produção de cultura underground em um determinado período e local. A Cultura Underground pode estar relacionada à produção musical, artes plásticas, literatura ou qualquer forma de expressão artística da cultura urbana contemporânea.

Decoração é decoração, arte é arte. As duas coisas são distintas e bem compreendidas cada qual na sua definição.

O que a população esperava? Uma decoração suntuosa de natal, com árvores, bolas, Papai Noel passeando pela cidade, muitas luzes, os locais de sempre decorados, enfim, uma alegria contagiante. Isto inspira as pessoas a virem ao centro e motiva as compras. Tantas reclamações e comentários nas redes sociais despertou o interesse da grande mídia: Folha de São Paulo, Estado de São Paulo, Rede Globo (TV Vanguarda) e do Portal Uol.

Para nossa cidade, uma exposição nacional negativa, mostrando uma infeliz decisão de montar um tema “simples”: Decoração de Natal, em que pese a atitude acertada do Prefeito em mandar retirar imediatamente assim que soube das reclamações, mas já era tarde, o estrago já estava feito.

O artista, pasmem, está maravilhado com o que aconteceu! Ficou em evidência na mídia nacional, só que de forma negativa. Ainda, nas redes sociais, lemos que a população é ignorante e que não entende de arte. Que o povo é ignorante e que não mereceu a “obra”. Esperar que a população entendesse é que foi pretensioso.

Entendo que uma arte produzida nesses moldes, conceitual, deve ser feita em salão ou espaço reservado e quem gosta que visite. O tema natal deve ser tratado de forma simples, como sempre foi. O Prefeito deveria se reunir com seus comandados e perguntar: o que você pretende fazer?

Essa simples pergunta “talvez” evitasse tudo isso. Aliás, essa montagem não deveria estar a cargo da Secretaria de Cultura e sim da Secretaria de Serviços. A Cultura tem que cuidar de outros assuntos, produzindo eventos culturais e não decoração de natal. Não confundam catraca de canhão com conhaque de alcatrão!

Djalma Fernandes é artista plástico, professor de desenho e pintura, presidente da Associação Bragantina de Artes Plásticas, comerciante de materiais artísticos e colunista do Bragança Jornal Diário.