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BragançaPaulista21 Jan 2018


Colunistas


Eliseu Visconti
Quarta-Feira,  17 DEZ 2014
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 Na série de pintores italianos que imigraram para o Brasil e aqui fizeram fama, destacamos hoje Eliseu d´Angelo Visconti, ou simplesmente Eliseu Visconti. Tantas vezes fui à Pinacoteca do Estado, perto do Vale do Anhangabaú, em São Paulo, e parei diante de suas telas, estudando sua técnica. Sua obra é magnifica. Uma das telas do acervo da Pinacoteca é a “Maternidade” (foto).

Eliseu Visconti nasceu em 30 de julho de 1866, na Vila de Santa Catarina, Comuna de Giffoni, Valle Piana, Província de Salerno, na Itália. Com 7 anos de idade veio para o Brasil. Por interferência da Baronesa de Capanema, que era aluna de pintura de Vitor Meireles e em viagem à Itália, convenceu sua família a deixa-lo vir ao Brasil. Sua “protetora” o encaminha para estudos de desenho e pintura no Liceu de Artes e Ofícios.

Tendo excelente desempenho, chamou a atenção inclusive de Vitor Meireles. Em 1885 ingressa na Imperial Academia de Belas Artes, no Rio de Janeiro, incentivado que foi pelo próprio Imperador D.Pedro II, deslumbrado com uma de suas esculturas. Em 1890 conquista sua medalha de ouro, denotando seu amadurecimento artístico.

Em 1892 ganhou um concurso da Academia, sendo o primeiro artista da República a ter como prêmio uma viagem ao exterior para estudos. Volta ao Brasil em 1899, casado com uma francesa, Louise. Em 1901 faz sua primeira exposição com todas as obras feitas na Europa. Produz as pinturas dos panos de boca do Teatro Municipal do Rio de Janeiro.

Em 1906,Eliseu Visconti foi eleito para ser professor na primeira cadeira de pintura da Escola Nacional de Belas Artes, substituindo ninguém menos que Henrique Bernardelli, um “gigante” da pintura nacional. Praticamente não enfrentou nenhuma fase de decadência, sendo sua produção sempre de altíssimo nível e muito disputada pelo publico. Executou importantes decorações na Biblioteca Municipal, Palácio Tiradentes e Palácio Pedro Ernesto.

Em agosto de 1944 ocorreu um roubo em seu atelier e foi violentamente agredido com um golpe em sua cabeça; dois meses depois de estar considerado praticamente morto, reergue-se cheio de vida, de ideias, de vontade de pintar, mas, logo em seguida, tem uma recaída e em um mês, em 15 de outubro de 1944, aos 78 anos de idade, falece na cidade do Rio de Janeiro. Dados extraídos do site oficial do artista.

EVENTOS DE FINAL DE NATAL

Muito elogiado o Concerto de Natal executado pela Orquestra de Metais Lyra de Bragança, no último sábado, dia 14, na Praça Raul Leme. Espetacular.

Muito criticado: iluminação de natal nas ruas centrais; uma árvore “vermelha” na rotatória da Avenida Pires Pimentel (que já tiraram); “instalação” feita no Lago do Taboão de um carro velho, uma Brasília, com muita vegetação plantada nele. As rádios, redes sociais, conversas boca-boca, todos se manifestam com muita ironia nestes casos; realmente deixou muito a desejar.

DEGRADAÇÃO CULTURAL

O que está acontecendo com nossa cultura? Não só a local, mas em nível nacional. Estamos “emburrecendo”? Com todo respeito ao animal, apesar de que o burro de burro não tem nada, mas a expressão é a mais usada. Uma onda que varre todas as manifestações artísticas e culturais está degradando a qualidade ha bastante tempo.

Ouvi um produtor cultural fazer um comentário interessante: Tínhamos Beethoven, Mozart e outros grandes compositores; músicas de altíssimo nível em instrumentos e voz. Hoje temos Rap, Funck e Hip Hop. Músicas de acordes simples e letras degradantes, se é que podemos chamar isso de música, são de fácil compreensão e elaboração. Não exigem muito da intelectualidade.

Nas artes plásticas, telas de Velásquez, Rembrandt, Rubens, Caravaggio, Monet, Renoir, Pissarro, Picasso; grandes gênios. Hoje em bienais, vemos instalações em que põem urubus para observação, interferência e interação com os visitantes. Enfim, a qualidade da arte visual piorou e muito ao longo dos anos. A arquitetura também se enveredou por esse caminho. De construções suntuosas com arabescos, vemos hoje caixotes concretados sem nenhuma beleza.

Essa degradação cultural, artística, moral e comportamental está diretamente ligada à qualidade do ensino, que dos anos oitenta para cá, percebe-se a maior queda. Somente um investimento maciço em educação é que iremos melhorar. Tivemos um candidato oferecendo esse programa de governo, prioridade número um na educação, há algumas eleições passadas para presidente, e o ignoramos por completo. Por enquanto, é o que temos para o hoje, sem perspectivas para o futuro.

Djalma Fernandes é artista plástico, presidente da ABAP (Associação Bragantina de Artes Plásticas), professor de desenho e pintura, comerciante de materiais artísticos e colunista do BJD.