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BragançaPaulista16 Jan 2018


Colunistas


Alfredo Volpi
Quarta-Feira,  10 DEZ 2014
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 Continuando com a série de pintores Italianos que imigraram para o Brasil, falaremos sobre um dos mais emblemáticos: “o pintor das bandeirinhas”, Alfredo Volpi; vamos a ele:

Alfredo Volpi nasceu em Lucca, Itália, a 14 de abril de 1896. Em 1897, a família Volpi emigra para São Paulo e se estabelece na região do Ipiranga com um pequeno comércio. Era uma época em que muitos Italianos vieram ao Brasil pela oportunidade que era oferecida de obter melhorias de vida em um país recentemente integrado ao sistema Republicano.

Volpi inicia-se em trabalhos artesanais e, em 1911, torna-se pintor decorador. Talvez daí decorra o gosto pelo trabalho contínuo e gradual da sua linguagem estética, próprio da valorização de um “saber fazer”.

Até os anos 30, Volpi elabora sua técnica e, principalmente, a partir da década de 1930, emerge um trabalho mais consciente, utilizando-se das cores para a construção de um equilíbrio muito próprio. Por esses tempos, Volpi aproxima-se de artistas como Fúlvio Pennachi e Francisco Rebolo Gonsales, integrando o Grupo Santa Helena, um dos grupos mais importantes da arte paulistana.

A denominação do grupo e a inserção de Volpi nele é oriunda mais de uma proximidade física dos pintores (que pintavam em uma sala do Edifício Santa Helena) e da sua origem comum do que de uma identificação estética. Volpi destoava do grupo especialmente por não ser um pintor conservador.

Em 1938, Volpi conhece o pintor italiano Ernesto de Fiori que influencia definitivamente sua carreira. Volpi, que enveredava para um caminho de maior liberdade estética, encontra seu “colega ideal” para dividir experiências.

Um acontecimento fundamental para a evolução de Volpi foi a sua “estada” em Itanhaém, entre 1939 e 1941. Sua esposa teve problemas de saúde e mudou-se para o litoral, a fim de se tratar. O artista a acompanhou, retornando a São Paulo apenas nos finais de semana, em que procurava vender suas obras. A gravidade da doença de Judite Volpi envolveu o artista em questionamentos que o fizeram rever sua obra e suas concepções, liberando um potencial criativo latente, ao qual Volpi finalmente conseguiria dar vazão.

A tensão própria de situações-limite possibilitou para Volpi uma liberdade gestual que imprimiria uma nova dinâmica à sua obra. A série de marinhas que Volpi pinta a partir dessa época evidencia uma obra muito própria que se desenvolveria gradualmente até atingir um ápice abstrato em que as composições eram compreendidas em termos de cores, linhas e formas.

Cabe ressaltar que Volpi recusava teorizações estéreis, mas estava sempre muito bem informado das correntes artísticas do seu tempo, embora não se filiasse explicitamente a nenhuma delas, já que sua trajetória era extremamente pessoal. Esse é um dos pontos que fazem dele um grande pintor: Volpi é moderno e atual, sem se importar com rótulos artificiais. A diferença é que ele não precisava ser moderno ou popular; simplesmente era.

Volpi faleceu em 1988, aos 92 anos de idade, de insuficiência cardíaca.

Curiosidades sobre nossa cidade

• Dia 15 de Dezembro comemoramos 251 anos da fundação de nossa cidade. Foi determinada como essa a data de fundação, pois em 15 de Dezembro de 1763, Antônio Pires Pimentel e sua esposa, D. Ignácia, doaram à Igreja Católica, lavrando em escritura nesse dia, o terreno no topo da colina, à margem direita do Ribeirão Canivete (Lavapés), para construção de uma capela, local onde hoje está nossa Catedral.



• Na Praça José Bonifácio tem uma relíquia exposta, encravada a um monumento de concreto: Uma cruz esculpida em granito, de cerca de 1,5 metro de altura. Esta cruz um dia esteve no frontispício da Igreja Matriz, acredita-se que por volta de 1858, quando foi erguida a primeira torre, época propícia e provável de sua afixação.

Esteve também no limite alto da parte de trás da Igreja, que por volta de 1915, ocorreu a última reforma; Ficou lá até a demolição por volta de Janeiro de 1965, depois “desapareceu”. Mas quem a esculpiu? Quem a “financiou”? Onde esteve essa Cruz após a demolição?

A revista “Echos da Parochia”, de número 11, datada de 09.09.1917 trouxe um texto que esclarece mais ou menos a época em que foi entalhada e quem a fez e doou: “Na actual fachada há uma cruz monolitha muito artística, trabalho do negro escravo do finado Cel. Luiz Manoel da Silva Leme. Essa cruz será colocada em uma nova fachada do templo, como preciosa relíquia do passado.

Como o Cel. Luiz Manoel viveu entre os anos 1804 e 1884, provavelmente ela foi entalhada e afixada na Igreja entre os anos de 1837 e 1881.

1837, ano da provável primeira obra de um templo mais espaçoso e 1881, três anos antes do falecimento do Coronel; ano de outra reforma. Dados extraídos do Livro “Em Busca dos Marcos Perdidos” de Luiz Gonzaga Pires Mathias.”

Após a demolição da Igreja, muitos bens foram destinados a fiéis, que se tornaram também fiéis depositários, com ata lavrada em poder da Cúria, para posterior devolução.

A Cruz de granito, pelo peso e tamanho, provavelmente não foi entregue a ninguém, desaparecendo posteriormente; descobriu-se depois, que foi parar em Uberaba-MG, sabe-se lá como, num Museu daquela cidade. Após a descoberta, foi feito o pedido e “repatriada” para cá, de onde nunca deveria ter saído, como uma relíquia de nossa história.

Djalma Fernandes é artista plástico; presidente da Associação Bragantina de Artes Plásticas; professor de desenho e pintura; comerciante de materiais artísticos e colunista do Bragança Jornal Diário.