BJD
32 máx 18 min
BragançaPaulista16 Jan 2018


Colunistas


Castagneto
Quarta-Feira,  03 DEZ 2014
Tamanho dos caracteres

 Iniciando uma série sobre pintores Italianos que imigraram para o Brasil e que aqui conseguiram fama, escrevo sobre “O Pintor do Mar”, ou seja, Giovanni Battista Felice Castagneto, ou Giambattista Castagnetto, João Batista Castagneto (abrasileirando), ou simplesmente Castagnetto. Nasceu em Gênova, Itália, em 27 de Novembro de 1851 e aos quase 23 de anos de idade, em outubro de 1874, vem para o Brasil com seu pai, fixando moradia no Rio de Janeiro.

Para que pudesse ingressar na Academia Imperial de Belas Artes, em 1877, seu pai “mentiu” sua idade dizendo que ele tinha 17 anos, que era a idade máxima para ser admitido, e que já morava no Brasil desde 1862; na verdade ele tinha 26 anos. Justificou seu pai ser uma mentira necessária pela necessidade, pela ausência de outras oportunidades e pelo talento do filho.

Como sua instrução era precária, beirando ao analfabetismo, foi aceito como aluno ouvinte e frequentou a Academia de 1878 a 1884. Teve como mestres grandes artistas, os excepcionais João Zeferino da Costa e Victor Meirelles, e o alemão Johann Georg Grimn.

Outra fase foi quando Grimn, posteriormente, deixou a Academia e montou um grupo de “pleinair”, ou seja, pintura ao ar livre, no local. Castagneto fez parte desse grupo e continuou a ser orientado por esse artista. Como ele e seu pai tinham sido marinheiros antes de vir ao Brasil, teve a marinha como tema principal de suas telas.

Castagneto ficou muito famoso também por pintar em “tampas de caixas de charutos”, isso porque tinha amizade como os donos da então “Casa Vieitas”, uma casa comercial importante do Rio de Janeiro naquela época, onde expunha suas telas, e ganhava as tampas das referidas caixas para poder trabalhar. Sua fama como artista atinge o ápice em 1887, quando expõe com ninguém menos que Antônio Parreiras e Henrique Bernardelli.

Entre 1890 e 1893 estudou em Toulon, na França, e produziu belíssimas telas, entre elas uma muito conhecida, que sempre é exposta na Pinacoteca do Estado: Manhã em Toulon (foto).

Castagneto faleceu em 29 de dezembro de 1900, aos 49 anos de idade, na Rua São Clemente, numa Casa de Saúde, em Botafogo, no Rio de Janeiro.

Foi, com certeza, um dos maiores pintores de marinhas que tivemos no Brasil. Em 1982, o crítico de arte Carlos Roberto Maciel Levy publica um livro completo sobre sua vida e obra, “Giovanni Battista Castagneto (1851-1900) O Pintor do Mar”, dissecando tudo a respeito, pigmentos, técnica, suportes utilizados, pinceladas que usava e até estudo de suas assinaturas ao longo do tempo. Obra esta que logicamente faz parte do meu acervo e da qual me fundamentei para este breve relato sobre ele, um de meus pintores prediletos.

Nos Bastidores da TV Brasileira
(Demerval Gonçalves)


Recomendo a leitura do livro acima, interessantíssimo, escrito pela radialista Luci Miranda, que conta a trajetória de um dos homens mais importantes da TV brasileira. O livro “Demerval Gonçalves – Nos Bastidores da TV Brasileira” é uma biografia com 128 páginas e várias fotos.

Bragantino de nascença, para nosso orgulho, comandou os destinos do SBT, sendo um dos homens fortes de Silvio Santos. Silvio fez questão de contribuir, atendeu diretamente a escritora e acrescentou detalhes de sua convivência com o Dr. Demerval, e demonstrou todo seu carinho e afeição ao biografado.

Hoje ele comanda os destinos da TV Record e segue sua brilhante carreira nos bastidores de TV; também comanda os destinos da Rádio 105,9 “O Caminho FM”, uma rádio comunitária de nossa cidade. Um bom livro, uma boa iniciativa, nos leva a conhecer um conterrâneo ilustre, tendo em vista que muitos bragantinos se tornam personalidades importantes em nível nacional e simplesmente são ignorados na cidade, quer pela falta de divulgação, quer pelo simples desconhecimento ou desinteresse. Santo da terra faz milagres sim.

Djalma Fernandes é artista plástico; presidente da Associação Bragantina de Artes Plásticas; professor de desenho e pintura; comerciante de materiais artísticos e colunista do Bragança Jornal Diário.