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BragançaPaulista18 Jan 2018


Colunistas


“Consciência Negra” - O passivo da escravidão
Quarta-Feira,  19 NOV 2014
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 Dia 20 de novembro, um dia de reflexão sobre um passado triste que manchou nossa história. Homens que, por causa de sua cor, foram descriminados, humilhados, subjugados e escravizados.

Para refletir melhor sobre o assunto, precisamos conhecer o que se passou nessas páginas macabras. Somente conhecendo a historia é que olharemos para o futuro com a consciência desejada de oportunidades, igualdade, fraternidade. Vamos a ela:

O passivo da humanidade para com os homens negros é imenso, a começar pelos próprios países africanos para com seus conterrâneos. Nas brigas tribais, principalmente no Congo, Angola e Moçambique, os vencedores desses embates capturavam os vencidos e os levavam ao litoral onde os portugueses esperavam para “comprá-los”.

Nesse trânsito entre as zonas de capturas e o litoral, cerca de 40% morriam antes de chegarem aos portugueses, nas praias. Outros 15% pereciam nas viagens de travessia do Atlântico, devido às péssimas condições sanitárias nos porões dos navios negreiros.

Nas cargas que vinham de Moçambique, os percentuais eram maiores, pois as viagens duravam quase o dobro das outras regiões: 76 dias. Em resumo, de cada cem negros capturados na África, somente 45 chegavam ao seu destino final. Significa que, de dez milhões de escravos vendidos nas Américas, quase outro tanto teria morrido no percurso, num dos maiores genocídios da história da humanidade.

Entre o século XVI e XIX estima-se que vieram para o Brasil, entre 3,6 a 4 milhões de escravos. O tráfico de escravos era um negócio gigantesco que movimentava centenas de navios e milhares de pessoas dos dois lados do Atlântico; incluía agentes na costa da África, exportadores, armadores, transportadores, seguradores, importadores e atacadistas.

Um escravo era comprado por em torno de 70.000 réis e era revendido por até 240.000 réis; em valores atuais estima-se, um homem adulto, de boa compleição física, era comprado por aproximadamente R$ 10.000,00 no dinheiro atual. No Rio de Janeiro, toda pessoa com alguma projeção social, tinha negros cativos.

Depois que chegava aqui, a maioria desembarcava no Rio de Janeiro e ia para o Valongo para quarentena de recuperação. Depois eram vendidos como animais, onde o comprador apalpava, via os dentes e os mandava correr e pular para ver seu desempenho físico.

Quem tinha escravos em excesso, alugava seus cativos para outras famílias e lucrava com essa atividade em 100% do valor pago; nada ia para o escravo. Havia até corretores para intermediar esses negócios.

Os museus coloniais estão repletos de instrumentos pavorosos de punição e suplício dos escravos. Havia três categorias de castigos no Brasil, a primeira era os instrumentos de capturas: Correntes, colares de ferro, algemas, machos e peias (para pés e mãos), além do tronco (um pedaço de madeira, dividido em duas metades, com buracos para imobilizar a cabeça e pés e mãos) e o viramundo, espécie de tronco menor, de ferro.

A máscara de folha de flandes era usada para impedir o escravo de comer cana, rapadura ou engolir pepitas de pedras preciosas. Os anjinhos – anéis de ferro que comprimiam os polegares – eram usados para obter confissões.

Nas surras usava-se a palmatória ou o bacalhau, chicote de cabo curto, de couro ou madeira com cinco pontas de couro retorcido. Ferros quentes com as iniciais dos proprietários ou “F” de fugitivo, também eram utilizados, além do libambo, argola de ferro, voltada para cima, até o topo da cabeça do escravo, com ou sem chocalhos nas pontas.

As chibatadas eram recomendadas não mais que 40 por dia para não mutilar, porém há relatos de duzentas ou trezentas chibatadas. Uma coisa tão absurda que deixava as costas ou nádegas em carne viva. Como não tinha antibióticos, a infecção generalizada era grande, bem como as mortes. Por isso, recomendava-se banhar o escravo com uma mistura de sal, vinagre ou pimenta malagueta, o que às vezes era pior que as chibatadas.

Veio a liberdade em 1888 através da Lei Aurea, da Princesa Isabel, porém sem nenhuma benesse programada ou prevista. Foi sim um mergulho num oceano de pobreza, entregues à própria sorte, marginalizados por completo de qualquer sistema de proteção legal ou social, à margem de todas as oportunidades, incluindo educação, saúde, moradia e segurança.

Um problema que, depois de quase 126 anos, o Brasil ainda não conseguiu resolver. Não só aqui, mas nos Estados Unidos também os problemas são quase os mesmos, apesar da libertação ter ocorrido em dezembro de 1865, através da 13ª emenda à Constituição, apresentada pelo presidente Abraham Lincoln. (Dados extraídos do Livro “1808” de Laurentino Gomes)

OBRAS-PRIMAS DA PINTURA UNIVERSAL NA SIB - SOCIEDADE ÍTALO-BRASILEIRA

A Sociedade Ítalo-Brasileira de Bragança Paulista, com apoio do Grupo JMC, promove no sábado, dia 22 de Novembro, às 19h30, uma aula aberta sobre as Obras-Primas da Pintura Universal.

A aula, com apresentação de imagens das obras-primas, apresentará uma seleção especial das mais belas pinturas de todos os tempos, comentadas em seu significado estético e histórico, assim como os seus autores, artistas também universais da história da arte ocidental.

A aula aberta será conduzida pelo Professor Mathias de Abreu Lima Filho, psicólogo e Mestre em Filosofia, professor de Filosofia e História da Arte, vice-presidente da Associação Bragantina de Artes Plásticas, tradutor de livros sobre arte e autor de “A Escuta, a Espera e o Silêncio” pela EDUC-SP, que recentemente conduziu na própria SIB, a aula sobre as Obras-Primas da Pintura Italiana.

Para os interessados na arte da pintura e para aqueles que gostariam de aprofundar sua compreensão sobre o sentido e significado artístico de algumas obras-primas, esta é uma ótima oportunidade, pois as aulas serão tratadas com consistência e profundidade acadêmicas, porém de forma descontraída e participativa, numa linguagem simples e direta.

Como nos apresenta o próprio professor: - “A história da pintura é a própria história da humanidade, com seus desafios e realizações. Algumas obras-primas ganharam aura de arquétipos de beleza, tornando-se únicas na criação humana. Vamos percorrer este caminho como se estivéssemos passeando num museu imaginário, criado para além de todo tempo e espaço”.

Faça sua inscrição pelo email: ítalo-brasileiro@bol.com.br ou na sede da SIB, Rua Coronel Leme, 176 – Centro, de 2ª a 6ªfeira, à tarde. O site da SIB é www.italobrasileira.org.br

Djalma Fernandes é artista plástico; Presidente da Associação Bragantina de Artes Plásticas; professor de desenho e pintura; comerciante de materiais artísticos e colunista do Bragança Jornal Diário.