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BragançaPaulista18 Jan 2018


Colunistas


O que não lemos nas Cartilhas sobre a Proclamação da República
Quarta-Feira,  12 NOV 2014
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 Quinze de novembro está chegando e essa data histórica e importantíssima celebra a troca de regime do país: da Monarquia para o Republicano. Deveria ser muito mais comemorada do que atualmente é, por sua importância, mas porque ela não tem tanta atenção? Provavelmente, porque não se fez pelas vozes das ruas.

Mas quem foram os principais personagens desse episódio? Tenente Coronel Benjamim Constant, que efetivamente liderou o golpe nos quartéis; o líder civil e jornalista fluminense Quintino Bocaiuva; os chefes republicanos, advogado, Deputado Provincial de São Paulo, Manoel de Campos Salles e o mineiro Bernardino José de Campos Junior; o advogado campineiro, Francisco Glicério; o advogado baiano de textos inflamados, Rui Barbosa, que na última hora aliou-se aos Republicanos, bem como da mesma forma o fez o Jornalista José do Patrocínio; os marechais Floriano Peixoto e Manoel Deodoro da Fonseca, o líder máximo do golpe de estado.



Nas tramas feitas nos quarteis, dias antes, o Tenente-Coronel Benjamin Constant perguntou ao alferes Joaquim Inácio da Silva Cardoso: - O que fazemos com Dom Pedro II? Este respondeu: - exila-se. E se ele resistir? perguntou novamente Benjamim Constant, e a resposta veio: - Fuzila-se.

Benjamim Constant repudiou imediatamente essa ultima opção, pois Dom Pedro II, apesar de tudo, era muito querido. Mas a curiosidade está em que o “sanguinário” alferes Joaquim Inácio da Silva Cardoso, então com 29 anos, viria a ser o avo de um futuro e afável presidente: Fernando Henrique Cardoso.

A Instalação da República não resultaria de uma campanha com intensa participação popular. Muito pelo contrario, a população formada por maioria analfabeta, escravos libertos e uma minoria esclarecida, não se ligava em nada nos discursos inflamados dos líderes republicanos; foi sim, estabelecida por um golpe militar com escassa e tardia participação de lideranças civis. Apesar de intensa propaganda republicana, a mudança de regime não deslanchava, tanto que na eleição parlamentar do Império, de 31.08.1889, o Partido Republicano elegeu somente dois Deputados e nenhum Senador.

A facilidade com que se derrubou o regime e se proclamou outro, em 15 de Novembro de 1889, sem reação popular, sem troca de tiros, sem protestos, parecia confirmar mais uma vez que as transformações políticas brasileiras se processam sempre de forma pacífica.

O que muito ajudou isso foi o descrédito em que a Monarquia caiu, principalmente com libertação dos escravos, que desagradou, em muito, a alta burguesia cafeeira, que teve “prejuízos imensos”. Some-se a isso o descontentamento reinante nos quartéis desde o final da Guerra do Paraguai, sendo este um dos fatores decisivos para a queda da Monarquia.

Oficiais e soldados consideravam-se injustiçados pelo governo do Império, tanto que este caiu inerte, incapaz de mobilizar forças leais e reagir contra o golpe. A população, sim, assistia aquilo, bestializada com os acontecimentos, sem praticamente nenhuma reação.

As promessas de participação popular, melhora nas condições de vida, a ampliação dos direitos civis e muitas outras, deram lugar a uma mergulhada ditadura comandada inicialmente pelo Marechal Deodoro da Fonseca e depois de sua morte pelo Marechal Floriano Peixoto, o “Marechal de Ferro”, a quem ainda hoje se atribui o papel de “o salvador da república”. Reprimia seus opositores e exilava-os.

O papel de Deodoro da Fonseca é ainda mais surreal neste episódio de nossa história. No dia 14 de novembro ele estava acamado, velho, muito doente e debilitado, tanto que achavam que ele não passaria daquele dia. Mas as coisas se precipitaram e boatos eram lançados na Rua do Ouvidor, no Rio de Janeiro, onde estavam, de que o governo tinha ordenado a prisão de Deodoro e a transferência de várias unidades militares para outras regiões do país para conter os focos de rebelião nos quartéis.

Falava-se também que o Visconde de Ouro Preto planejava dissolver o exército e substituí-lo pela Guarda Nacional, supostamente mais fiel à Monarquia. Na manhã de 15 de novembro, para surpresa geral, o Marechal surgiu diante dos oficiais e soldados. Foi-lhe reservado um cavalo mais manso, menos fogoso, pois havia a preocupação com sua saúde. Ao seu comando, cerca de seiscentos militares cercaram o local onde estavam reunidos o Visconde de Ouro Preto e seus Ministros.

Quando a resistência cedera, o Marechal subiu até onde estavam os membros do governo, discursou expondo suas insatisfações com o tratamento que os militares recebiam e disse que todo o governo estava demitido; que um novo governo seria organizado de acordo com uma lista de nomes que ele próprio levaria ao Imperador.

É interessante que nesse momento, ele estava depondo Ouro Preto e seus ministros e não a Monarquia. Há quem esteve presente e relatou que o Marechal deu vivas ao Imperador Dom Pedro II. Depois desse episódio, os partidários perceberam que a República não havia sido proclamada e foram tendo atitudes de inflamar o povo com vivas à Republica no qual o Marechal mandou parar, dizendo que ainda era cedo e que não convinham, por ora, aclamações. Quintino Bocaiuva orientava mais uma vez para agitar o povo. Benjamim Constant também estava angustiado.

O Marechal voltou para casa e caiu na cama, exausto. José do Patrocínio e outros líderes redigiram ali, às pressas, a única declaração formal da proclamação da República ouvida naquele dia. Na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, às seis da tarde, se reuniram para ler a moção redigida por Patrocínio, na cerimônia da proclamação da República.

Depois os manifestantes se dirigiram à casa de Deodoro. O Marechal, acamado, foi proibido por sua mulher de recebê-los e coube a Benjamin Constant atendê-los. Um manifesto foi assinado por Deodoro e anunciava que o Exército havia deposto a família imperial e o fim da Monarquia, mas ainda em nenhum momento mencionava a palavra “República”. Somente proclamou a República, tarde da noite, após pressão de seus companheiros de armas e diante da inabilidade política do Imperador, que foi exilado dois dia depois. (Dados extraídos do Livro “1889” de Laurentino Gomes)

FÁVIO-SHIRÓ

Em continuação às nossas edições anteriores sobre artistas japoneses que imigraram e fizeram sucesso no Brasil, discorremos um pouco sobre Flávio-Shiró Tanaka, um grande artista, ainda em atividade. Um pouco sobre ele:

Nasceu em Sapporo, Japão, em 1928. Nos anos 30 imigra com a família para o Brasil, para Tomé-Açu, no Pará. Em 1939, procurando melhores condições, muda-se para São Paulo. Sua primeira pintura data de 1942 quando estuda em Escola de Artes e Ofícios.

Depois frequenta o Grupo Santa Helena, um dos mais importantes de São Paulo. Vai para o Rio de Janeiro trabalhar numa molduraria. Participa de exposições coletivas no Rio e recebe prêmios, sendo aos poucos reconhecido. Faz sua primeira exposição individual e participa da Bienal de São Paulo em 1950. Integra o Grupo Seibi de pintores japoneses, como Manabu Mabe, Yoshiya Takaoka, Tomie Ohtake e Tomoo Handa entre outros.



Em 1953 vai a Paris para estudos. Estuda na Escola Nacional de Belas Artes e em 1959 volta ao Brasil, indo morar em Salvador, na Bahia. Nos anos 1960 volta para Paris e ali ganha o prêmio pintura na Segunda Bienal de Paris, o que lhe impulsiona definitivamente a carreira. Nos anos 70 expõe no Brasil, França, Espanha, Itália, Alemanha, Reino Unido e nos Estados Unidos, já como um grande pintor brasileiro. Ganha prêmio também na Bienal de São Paulo em 1989.



Fávio-Shiró (foto) continua pintando e é considerado um dos mais importantes artistas brasileiros da atualidade.

Djalma Fernandes é artista plástico; presidente da Associação Bragantina de Artes Plásticas; professor de desenho e pintura; comerciante de materiais artísticos e colunista do Bragança Jornal Diário.